quinta-feira, 2 de junho de 2011

Fwd: [ZP110601] O mundo visto de Roma

Rádio Vaticano

MILITARES SERÃO PROCESSADOS POR MASSACRE DE JESUÍTAS

◊   Madri, 1º mai (RV) – O Tribunal Nacional da Espanha decidiu ontem processar os 20 militares salvadorenhos apontados como responsáveis pela morte de seis sacerdotes jesuítas em El Salvador em 1989. O episódio, um dos mais marcantes dos 12 anos da sangrenta guerra civil no país, ficou conhecido como "o massacre da Uca".

O juiz Eloy Velasco ordenou a busca e prisão internacional para 19 dos acusados. Um deles já está preso pelos crimes de assassinato terrorista (crime de Estado) e crime contra a humanidade no caso dos sacerdotes, cinco deles espanhóis e um salvadorenho.

O crime cometido contra os sacerdotes, um deles reitor da famosa Universidade Centro-Americana (UCA), é um dos mais emblemáticos do conflito armado em El Salvador, que viu o grupo de guerrilha de esquerda Frente Farabundo Martí para a Libertação Nacional (FMLN) enfrentar o Exército Salvadorenho.

Os sacerdotes Ignacio Ellacuría, Armando López, Ignacio Martín Baró, Juan Ramón Moreno, Segundo Montes e Joaquín López y López, este último de El Savador, foram acusados pelo governo direitista da época de proteger os guerrilheiros da FMLN.

A responsabilidade deste caso foi colocada sobre o coronel Guillermo Benavides, que foi preso com outro coronel em 1992, Yusshy Mendoza. Ainda assim, os dois foram libertados pouco mais de um ano depois, beneficiados por uma lei de anistia.

Junto com os sacerdotes foram assassinadas duas mulheres que faziam trabalhos domésticos na residência dos jesuítas.

A ação na Espanha foi perpetrada em 2009 pela Associação Pró-Direitos Humanos da Espanha e pelo Centro de Justiça e Responsabilidade em nome de Alicia Martín Baró, carmelita e irmã de um dos sacerdotes.

Para o diretor da radio Ysuca, Carlos Ayala Ramírez, a punição dos culpados é importante para que El Salvador encontre a paz e a justiça. "O espírito que anima esta iniciativa não é voltar ao passado mais ou menos imediato com sede de vingança, senão com sede de justiça que não exclui o perdão" - opinou.

Em coletiva de imprensa, o reitor da UCA, Pe. Andreu Oliva, insistiu que os autores intelectuais sejam encontrados e disse que os jesuítas estariam dispostos a perdoá-los, caso reconheçam sua culpa.
(CM)

ZENIT - O mundo visto de Roma - Serviço diario - 1 de junho de 2011

Interceder é "querer o querer de Deus", diz Papa
Apresenta Moisés como prefiguração da intercessão de Cristo na cruz

ROMA, quarta-feira, 1º de junho de 2011 (ZENIT.org) – Orar é amar o que Deus ama. E quem intercede, "desejando o desejo de Deus, entra sempre mais profundamente no conhecimento do Senhor e da sua misericórdia e se torna capaz de um amor que chega até o dom total de si mesmo".

Esta foi a meditação que o Papa compartilhou na audiência geral de hoje, acerca da oração, desta vez falando sobre a passagem do Livro do Êxodo em que o povo de Israel trai o Deus que o livrou do Egito, construindo um bezerro de ouro para adorar.

Com a ameaça do castigo, explicou o Papa, Deus leva Moisés a interceder pelos israelitas, para poder perdoá-lo e, assim, levar a cumprimento a obra de salvação e manifestar sua verdadeira realidade aos homens.

"A oração de intercessão torna operativa, dessa maneira, a misericórdia divina, que encontra sua voz na súplica de quem reza e se torna presente através dele onde há necessidade de salvação."

A salvação de Deus envolve misericórdia, afirmou o Papa, mas "sempre denuncia a verdade do pecado, do mal que existe, para que, assim, o pecador, reconhecendo e rejeitando o próprio mal, possa se deixar perdoar e transformar por Deus".

A intercessão de Moisés "não desculpa o pecado do seu povo, não enumera supostos méritos nem do povo nem seus, mas apela à gratuidade de Deus: um Deus livre, totalmente amor, que não cessa de buscar quem se afasta, que permanece sempre fiel a si mesmo e que oferece ao pecador a possibilidade de voltar a Ele e converter-se, com o perdão, em justo e capaz de ser fiel".

Em resumo, Moisés pede a Deus "que se mostre mais forte que o pecado e que a morte e, com sua oração, provoca esta revelação divina".

Doação de si mesmo

Em referência à expressão que Moisés utiliza para interceder pelo povo - "Mas agora perdoa-lhes o pecado; senão, risca-me do livro que escreveste" -, o Santo Padre explicou que nela "os Padres da Igreja viram uma prefiguração de Cristo, que, no alto da cruz, realmente está diante de Deus, não só como amigo, mas como Filho".

Jesus, na cruz, não só se oferece – "risca-me" -, mas, "com seu coração atravessado, faz-se 'riscar'"; "sua intercessão não é só solidariedade, mas se identifica conosco; Ele nos carrega em seu corpo. E assim, toda a existência do homem e do Filho é o grito ao coração de Deus, é perdão, mas um perdão que transforma e renova".

Por isso, o Pontífice convidou os presentes a acreditarem que "Cristo está diante do rosto de Deus e reza por mim. Sua oração na cruz é contemporânea a todos os homens, contemporânea a mim: Ele reza por mim, sofreu e sofre por mim, identificou-se comigo, tomando nosso corpo e a alma humana".

"Do alto cume da cruz, Ele não trouxe novas leis, tábuas de pedra, mas trouxe a si mesmo, seu corpo e seu sangue, como nova aliança. Assim, torna-nos consanguíneos a Ele, um corpo com Ele, identificados com Ele."

Jesus nos convida "a entrar nessa identificação, a estar unidos a Ele em nosso desejo de ser um corpo, um espírito com Ele. Oremos ao Senhor para que esta identificação nos transforme, nos renove, porque o perdão é renovação e transformação".

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