Boletim Diário da CNBB - 26/10/2012
REFLEXÃO
COMEMORAÇÕES
Ordenação Episcopal
- Dom Francisco de Paula Victor, Bispo Auxiliar Emérito de Brasília - DF
- Convidados puderam se pronunciar durante o Sínodo
- Novos cardeais para a Igreja
- Recuperar os fiéis perdidos e conquistar os indiferentes?
- Assembleia Geral da CNBB 60 anos
- Apresentada a Mensagem final do Sínodo
- Seminário reúne propostas para promoção do laicato
- JMJ Rio2013: "uma preparação que é feita a várias mãos"
- 2º Seminário Igreja e Bens Culturais reúne 120 participantes
Convidados puderam se pronunciar durante o Sínodo
Auditores são aquelas pessoas convidadas para o Sínodo como ouvintes. Padres, religiosos e leigos. Elas puderam acompanhar as discussões dos bispos e, na primeira fase do encontro, puderam também apresentar suas intervenções na Sala Sinodal e por escrito. Nesta sexta-feira, 26 de outubro, o jornal do Vaticano publica algumas de suas intervenções.
Leia alguns trechos dessas contribuições dos auditores traduzidos, livremente, pelo assessor de imprensa da CNBB que está em Roma.
Padre Jesús Higueras Esteban, pároco de Santa Maria de Caná, em Madri, Espanha, tratou do sentido positivo da paróquia: "Há muitos séculos, a paróquia é o espaço natural no qual é anunciado o Evangelho, mas nos tempos atuais, diante da realidade dos novos movimentos, inspirados pelo Espírito Santo, parece, particularmente na Europa, que a paróquia tenha se tornado a sede daquilo que poderíamos chamar de 'cristianismo de preceitos'. É necessário afirmar o sentido positivo da paróquia em nossos tempos para realizarmos a nova evangelização e, por isso, na perspectiva de uma pastoral da saúde, podemos recordar alguns aspectos essenciais. Antes de tudo, é indispensável recuperar a 'seriedade eucarística", porque, com demasiada frequência, a celebração da santa missa e a adoração eucarística não recebe os devidos cuidados, deixando-as ao arbítrio de uma pretensa criatividade litúrgica que enche de desgosto os nossos fiéis. É tempo de retomar o 'ars celebrandi' proposto pelo Magistério da Igreja. Em segundo lugar, a paróquia deve ser o espaço natural no qual os fiéis tenham a possibilidade de viver o sacramento da penitência de modo habitual. É indispensável que nós, os sacerdotes, ofereçamos aos fiéis a possibilidade de encontrar a misericórdia divina, destacando a utilidade da paróquia para a direção espiritual. Além disso, a paróquia é o primeiro lugar no qual as pessoas que são visitadas pela morte e de qualquer tipo de dor sejam acolhidas com afeto e esperança. Em terceiro lugar, devemos perder o medo de construir nas nossas paróquias a comunhão eclesial que existe na Igreja universal. A paróquia é a casa de todos e existe para todos. As dioceses, os movimentos, a vida consagrada e todas as outras realidades eclesiais podem unir seus esforços na paróquia. Devemos ter uma atenção especial com os sacerdotes que, frequentemente, se encontram sozinhos e perplexos diante do mundo e diante de fiéis que colocam em questão a própria identidade deles. Devemos criar espaços nos quais os sacerdotes se sintam amados e acompanhados na sua busca de santidade pessoal. Somos evangelizadores que devemos ser evangelizados e que possamos propor, com alegria, a própria vocação pessoal e cada caminho de santidade na Igreja. Enfim, temos a necessidade de paróquias marianas porque a familiaridade (dimestichezza)com a Mãe de Deus é atraente para o homem que procura a beleza da humanidade redimida".
Ir. Immacolata Fukasawa, do Japão, é Superiora Geral das Ancelle do Sagrado Coração de Jesus e tratou de quatro desafios para as religiosas: "Eu nasci no Japão, um país não-cristão, e lá eu recebi a graça do batismo e a vocação religiosa. O meu coração está pleno de alegria por crer e anunciar a minha fé em Jesus Cristo. Agora, como religiosa de vida apostólica, de que modo realizarei a nova evangelização? Pensando nessa pergunta me vem à mente os quatro desafios que reafirmamos em nosso Capítulo Geral. Primeiro desafio: deixar que o carisma se torne em nós religiosas, uma paixão, que transforme em abraço compadecido voltado para cada dor e que encoraje à vida. Segundo desafio: viver mais radicalmente a nossa consagração. Terceiro desafio: ser mulheres geradoras de comunhão. Quarto desafio: aproximar dos jovens. Hoje somos chamadas a viver esses desafios da nova evangelização sobre a base da nossa consagração. O modo que temos para superá-los dependerá da novidade e da força com que vamos fazer as coisas. Isto nos exorta a deixar-nos transformar por Deus, de modo a viver com humildade, com paixão e com dinamismo a nossa vocação na Igreja".
Ewa Kusz, da Polônia, presidente da Conferência Mundial dos Institutos Seculares, entregou à Secretaria do Sínodo um texto sobre a procura de Deus nos encontros de cada dia: "A minha vocação, como aquela de outros membros dos institutos seculares, nos mostra que o mundo é o lugar onde se vive a nossa vocação com toda a sua riqueza, as suas dificuldades, a sua dramaticidade e também as suas feridas. A nossa tarefa de leigos, também de leigos consagrados a Deus, não constituída por uma particular atividade pastoral ou de evangelização. A natureza da nossa vocação consiste em procurar Deus em todos os acontecimentos de uma jornada, em cada encontro com os outros. Se trata, simplesmente, de viver o evangelho no cotidiano. Isto não seria particularmente impressionante nem eficaz para o público em geral. Nem é adaptado para ser amplificado pelos meios de comunicação. Na minha vida, vejo que não é simples porque, muitas vezes, seria mais fácil anunciar Evangelho em alta voz do que vivenciá-lo. No meu trabalho, no ambiente que me circunda, encontro pessoas feridas que têm fome de amor, que guardam ressentimentos ou indiferença diante de Deus. Encontro pessoas que desejam a plenitude, o amor, a beleza e a harmonia procurando em diferentes lugares. Infelizmente, raramente na Igreja. Às vezes, a experiência que essas pessoas têm na Igreja, no encontro que tiveram com 'pessoas da Igreja', por diversas razões, foram feridas. Aquilo que eu e outros membros dos institutos seculares podemos fazer por estas pessoas é oferecer a nossa simples presença, abertura para o encontro, ajuda quando é esperada. Por isso, é necessário competência pessoal, oração silenciosa e não por último, a proximidade com a pessoa de Jesus Cristo. Se trata, como síntese, daquilo que o Papa apresentou em sua recente mensagem aos membros dos institutos seculares: "de abraçar, com caridade, as feridas do mundo e da Igreja". Com o tempo essa atitude traz esperança na vida de uma pessoa que antes, fechada na própria dor, se encontrava diante de um abismo de solidão e desespero, sem conseguir ver uma solução concreta ou encontrava enormes dificuldades a perdoar aqueles que as prejudicaram".
Ir. Alvaro Antonio Rodriguez Echeverria, Superior Geral dos Irmãos das Escolas Cristãs, tratou do tema: ajudar os jovens a sentirem-se amados: "Pessoalmente, considero que as novas gerações, sem distinção de continentes ou de diferenças culturais, devem ser o campo de ação privilegiado danova evangelização, não como aqueles que recebem passivamente, mas como agentes ativos, recordando a palavra de João Paulo II quando afirmava que os jovens são os melhores apóstolos para os jovens. A presença deles e a palavra deles no Sínodo provavelmente teria nos permitido de ter uma visão mais lungimirante do futuro. Da nossa parte é importante conhecer o mundo deles e realizarmos o esforço de enculturação. Conhecer suas necessidades, suas angústias, suas interrogações, suas aspirações e as suas esperanças e oferecer a eles o Evangelho que é sempre Boa Nova. É importante partir da vida porque os jovens se desinteressam da mensagem cristã na medida em que ela é apresentada ao intelecto deles como ideologia, como algo imposto de fora de modo autoritário ou, dedutivamente, partindo de princípios desvinculados com a vida real. Por isso, a nossa tarefa principal é ajudar cada jovem a sentir-se amado, apreciado, abençoado, importante e necessário para os outros. A nova evangelização para os nossos jovens e para quem os acompanha deve ser chamada a retornar ao Evangelho e a descobrir que o núcleo central da nossa fé é um encontro pessoal com Jesus Cristo que conduz a uma comunidade de discípulos. A nossa missão diante dos jovens é aquela de sermos companheiros na busca, humildes guias que ajudam a descobrir o caminho e dar sentido à vida. Mais do mestres que ensinam do alto ou juízes que julgam e condenam do lado de fora, somos chamados a ser irmãos e irmãs que acompanham numa caminhada interior. Os jovens são uma boa notícia para o mundo, mas devemos nos perguntar como fazer para que a Boa Nova de Jesus seja boa nova para eles. Em uma época como a nossa, na qual os jovens procuram algo a mais e estão abertos à espiritualidade, devemos educar para o encontro com Deus no próprio íntimo, o que irá preencher o vazio existencial e permitirá a eles, como Jesus fez, de ver a realidade, de comoverem-se diante dela e de se engajarem em uma ação transformadora".
O Papa Bento XVI anunciou no final da Audiência Geral desta quarta-feira um Consistório para a criação de seis novos Cardeais, no dia 24 de novembro, na vigília da solenidade de Cristo Rei.
São eles: Dom James Michael Harvey, Prefeito da Casa Pontifícia, que Bento XVI nomeará Arcipreste da Basílica Papal de São Paulo Fora dos Muros; Sua Beatitude Béchara Boutros Raï, Patriarca de Antioquia dos Maronitas (Líbano); Sua Beatitude Baselios Cleemis Thottunkal, Arcebispo-Mor de Trivandrum dos Sírios-Malancareses (Índia); Dom John Olorunfemi Onaiyekan, Arcebispo de Abuja (Nigéria); Dom Rubén Salazar Gómez, Arcebispo de Bogotá (Colômbia); e Dom Luis Antonio Tagle, Arcebispo de Manila (Filipinas).
"Os Cardeais, disse o Papa, têm a tarefa de ajudar o Sucessor de Pedro no desempenho do seu Ministério de confirmar os irmãos na fé e de ser princípio e fundamento na unidade e da comunhão da Igreja. Convido todos a rezarem pelos novos eleitos, pedindo a materna intercessão da Bem-aventurada Virgem Maria, para que saibam amar com coragem e dedicação Cristo e sua Igreja."
Recuperar os fiéis perdidos e conquistar os indiferentes?
Como a Igreja Católica pode responder à indiferença daquela parcela da população que não crê, que se afastou na religião ou que nunca a conheceu? Quem responde as perguntas é o arcebispo de Aparecida (SP) e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cardeal Raymundo Damasceno Assis.
"Eu acho que é importante que nós saiamos ao encontro do nosso povo, sobretudo nas periferias de nossas grandes cidades. O Brasil, e eu diria a América Latina de modo geral, passam por um processo cada vez mais forte de urbanização. As populações estão se concentrando nas grandes e médias cidades. Hoje, no Brasil já cerca de 80% da população está vivendo nas cidades. Então, é claro que as cidades aumentam, crescem e nós muitas vezes não temos um número suficiente de ministros ordenados e muitas vezes também não temos o número suficiente de leigos preparados para atender as necessidades religiosas, espirituais desta população que cresce cada vez mais em nossas cidades".
"De que maneira ir ao encontro deles? Criar centros de encontro das pessoas que vivem nestas áreas, criar pequenas comunidades, como vimos no Documento de Aparecida: fazer da Igreja uma rede de pequenas comunidades eclesiais, vinculadas à paróquia, à diocese, porque nós devemos sempre promover e estimular uma pastoral orgânica, de conjunto. Portanto, este trabalho não pode ser autônomo, não pode ser independente, como ocorre muitas vezes com nossos irmãos evangélicos".
"Para isso, é necessário que se abra espaço à atuação do laicato; é claro também dos religiosos e religiosas, porque o padre sozinho não consegue atender a esta demanda da população mais distante da matriz, da sede paroquial propriamente dita".
Assembleia Geral da CNBB 60 anos
Apresentada a Mensagem final do Sínodo
Seminário reúne propostas para promoção do laicato
JMJ Rio2013: "uma preparação que é feita a várias mãos"
A comitiva responsável pelas viagens internacionais do Santo Padre, o papa Bento XVI, liderada por Alberto Gasbarri, encontra-se no Brasil para debater questões referentes à organização da Jornada Mundial da Juventude (JMJ Rio 2013).
A comitiva também é formada por Stefannia Izzo e Paolo Corvini, que se juntaram ao grupo nesta quinta-feira, dia 25 de outubro. Durante o dia, eles visitaram espaços da possível presença do Papa, no Rio de Janeiro, durante a Jornada, que acontecerá de 23 a 28 de julho do próximo ano.
A Jornada é uma preparação que é feita a várias mãos. Há uma preparação, que é feita pela Igreja do Rio de Janeiro, a arquidiocese do Rio. Há uma preparação que é feita pelos governos, federal, estadual e municipal, e também pelos grupos da Santa Sé. O grupo que hoje visita o Rio de Janeiro é o grupo que cuida diretamente das viagens do Santo Padre.
"Foram apresentadas várias propostas e eles estão avaliando todas elas. Não só em termos de tempo, mas também em termos de espaço. O que é cada uma das propostas apresentadas, o que isso significa. Ao final da visita, que se encerra no próximo sábado, será emitido então um primeiro laudo, em que eles dão uma impressão do que foi a visita, do que é possível realizar e do que é impossível realizar. Depois vem um documento de Roma, com a programação definitiva, que é ligada à visita do Santo Padre", explicou o coordenador geral da JMJ Rio 2013, monsenhor Joel Portella Amado.
Com relação ao local para o encerramento do evento, que envolve vigília e missa, Guaratiba é uma possibilidade apresentada pelo prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes. Mas, ainda não há confirmação oficial. Estão sendo estudadas outras possibilidades. A comitiva também visitou, na última quarta-feira, dia 24, o Centro de Operações da Prefeitura, e demonstrou satisfação em conhecer a capacidade técnica e operacional, que, acreditam, favorece a mobilidade na Cidade Maravilhosa.
"Essa Comissão levará todas as propostas ao Santo Padre, para que ele defina como será sua presença aqui. É um belo momento e eu creio que a JMJ Rio2013 está dando passos importantíssimos, com todas essas definições, ao mesmo tempo em que sabemos e contamos com a boa vontade das autoridades, que são as pessoas que nos recebem muito bem e com grande preocupação de fazer o melhor possível para o Brasil e para o Rio de Janeiro", afirmou o arcebispo do Rio de Janeiro e presidente do Comitê Organizador Local (COL) da JMJ Rio 2013, dom Orani João Tempesta.
"O encontro está sendo muito bom, e me parece que o responsável pelas viagens internacionais do Papa, Alberto Gasbarri, está satisfeito com os diversos lugares que temos visitado. Mas é claro que têm muitas outras coisas que ainda precisam ser definidas e, por enquanto, esse é o objetivo do trabalho", destacou o núncio apostólico no Brasil, dom Giovanni d'Aniello.
2º Seminário Igreja e Bens Culturais reúne 120 participantes
Nos dias 22 a 25 de outubro, a Comissão de Bens Culturais da Igreja do Regional Leste 2 da CNBB (Espírito Santo e Minas Gerais) realizou na Casa de Retiros São José, em Belo Horizonte (MG) o 2º Seminário Igreja e Bens Culturais.
Com o objetivo de refletir sobre a as técnicas de conservação e salvaguarda do patrimônio cultural da Igreja e sua importância na evangelização, o Seminário reuniu cerca de 120 participantes entre padres, religiosos, arquitetos, arquivistas, restauradores e pesquisadores das dioceses do Regional Leste 2 e do Brasil.
Durante o Seminário, os participantes puderam ampliar as discussões e debates sobre a legislação civil e canônica, técnicas de inventariação e catalogação de bens culturais, medidas de conservação e segurança, e adequações de novas edificações. A programação do Seminário incluiu ainda visitas guiadas ao Palácio do Governo do Estado de Minas Gerais, Basílica Nossa Senhora de Lourdes, Mosteiro Nossa Senhora das Graças, Centro de Conservação e Restauração de Bens Culturais Moveis da UFMG, em Belo Horizonte, e museus e igrejas de Sabará (MG).
O 2º Seminário contou com a presença de representantes do Ministério Público Estadual (MPE), do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA). O presidente do IEPHA, Fernando Viana Cabral anunciou durante o evento o programa de monitoramento do patrimônio histórico em Minas Gerais. Segundo Fernando Viana, a partir do ano que as cidades históricas mineiras de Ouro Preto, Mariana, São João del-Rei, Tiradentes, Congonhas e Diamantina, contarão com câmeras de monitoramento do programa Olho Vivo. "Em Congonhas, as câmeras de vídeo vão proteger o Santuário do Senhor Bom Jesus do Matosinhos, os profetas e as capelas", afirmou Cabral, explicando que a primeira reunião para a implantação do serviço já foi feita com o secretário estadual de Defesa Social, Rômulo Ferraz.
Para o presidente de Comissão Igreja e Bens Culturais do Regional Leste 2 e arcebispo de Juiz de Fora, dom Gil Antônio Moreira, está havendo uma mudança de mentalidade para o combate a furtos, arrombamentos e degradação. "Estamos avançando, mas temos um longo caminho ainda a percorrer para aumentar a conscientização. E nesse processo o diálogo com instituições estaduais e federais tem nos ajudado".
Ao final do Seminário, os participantes redigiram uma petição que será encaminhada ao Senado Federal requerendo os direitos dos proprietários dos bens culturais e finalidade prioritária dos bens sacros.
SE/Sul Quadra 801 Conjunto B
E-mail: imprensa@cnbb.org.br
Site: http://www.cnbb.org.br
Tel.: (61) 2103-8313
Fax: (61) 2103-8303