sexta-feira, 20 de abril de 2012

Boletim da CNBB

Boletim Diário da CNBB - 20/04/2012

REFLEXÃO

O capítulo sexto do evangelho de São João é reservado para o discurso sobre o sacramento da Eucaristia, e Jesus, no uso da sua pedagogia, prepara os judeus para esse discurso através da multiplicação dos pães. A prática pedagógica de Jesus deve ser o grande iluminativo para a nossa prática missionária, pastoral e evangelizadora. Nós devemos anunciar o evangelho a partir da realidade das pessoas, de suas experiências de vida, dos seus valores e das suas expectativas. Antes de anunciar a Palavra de Deus, precisamos criar a necessidade dela no coração das pessoas como Jesus, que a partir da necessidade do pão, cria a necessidade do pão da vida eterna.

COMEMORAÇÕES

Nascimento

  • Dom José Alves da Costa, DC, Bispo Emérito de Corumbá - MS
  • Dom Edmilson Amador Caetano, Ocist, Bispo de Barretos - SP

Ordenação Presbiteral

  • Dom Francesco Biasin, Bispo de Barra do Piraí-Volta Redonda - RJ

Ordenação Episcopal

  • Dom Edvaldo Gonçalves Amaral, SDB, Arcebispo Emérito de Maceió - AL
  • Dom Jayme Henrique Chemello, Bispo Emérito de Pelotas - RS
NOTÍCIAS

Cardeal Raymundo Damasceno fala sobre os 60º Aniversário da CNBB e a 50ª AG

O cardeal arcebispo de Aparecida e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Raymundo Damasceno Assis, discursou hoje, 19, na cerimônia em homengem aos 60 anos de fundação da CNBB e de 50ª edição da Assembleia Geral dos Bispos da CNBB.

Leia abaixo a íntegra da fala de dom Damasceno.

60º Aniversário e 50ª Assembleia Geral da CNBB: Memória, Ação de Graças e Compromisso

Saúdo a todas as pessoas presentes a esta sessão: os senhores cardeais, arcebispos, bispos e o Mons. Piergiorgio, Encarregado de Negócios da Nunciatura Apostólica, e administradores diocesanos; os assessores  e assessoras da CNBB; os subsecretários dos Regionais; os presidentes de organismos; os representantes das pastorais; os convidados para a Assembleia; os profissionais da imprensa. Saúdo, igualmente, a todos os que nos acompanham pelos meios de comunicação - televisão, rádio e Internet.

Esta sessão de que temos a graça de participar dá-nos o ensejo de comemorarmos festivamente alguns acontecimentos de grande significado para a Igreja no Brasil: o marco da realização da 50ª Assembleia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e os sessenta anos da criação de nossa Conferência Episcopal.

Estamos vivendo, pois, tempos de jubileu. Tempo de alegria e de agradecimento a Deus e a todas as pessoas que se empenharam, durante a caminhada, na busca de fidelidade ao Senhor, realizando a história colegial da nossa Conferência.

Celebramos a 50ª Assembleia da CNBB, criada dez anos antes do Concílio Vaticano II, que lhe deu maioridade eclesiológica, oferecendo-lhe maior fundamentação bíblico-teológica, motivando-a para a evangelização do Povo de Deus.

A 50ª Assembleia Geral tem como tema central "A Palavra de Deus na Vida e Missão da Igreja", temática central no Concílio Vaticano II, da 12ª Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos.

A colegialidade episcopal foi, sem dúvida, um eixo central  na eclesiologia do Concílio Vaticano II, através da Constituição Lumen Gentium e do decreto Christus Dominus, sobre o múnus pastoral dos Bispos na Igreja, que institucionalizou as conferências episcopais.

Essa realidade do novo Pentecostes, o Concílio Vaticano II, iluminou os fundamentos da caminhada da nossa Conferência que, neste ano, se torna sexagenária, revelando o início da terceira idade, um signo de maturidade no pastoreio.Para assinalar o 60ª aniversário de nossa Conferência e a realização de sua 50ª Assembleia Geral, a CNBB editou pequena  porém importante obra – "CNBB: 60 anos e 50 Assembleias Gerais – memória, ação de graças e compromisso" –, em que se apresentam alguns dados e documentos historicamente relevantes para a instituição.

O percurso da nossa Igreja Católica no Brasil, de  modo especial nos últimos sessenta anos, tem uma história rica para contar, desde a experiência eclesial em busca da fidelidade ao Espírito na missão evangelizadora até a contribuição para a Igreja Universal que levamos ao Concílio, para as diversas Assembleias do Sínodo dos Bispos, e para as Conferências Gerais do Episcopado Latino-Americano e do Caribe.

Em tempos de especiais de graças recebidas de Deus (Kairós), recebemos fortes apelos de reavivamento da missão. Desde a sua primeira Assembleia, a CNBB tentou conjugar a atenção aos desafios da vivência eclesial com os compromissos proféticos.

Conforme nosso Estatuto, aprovado no ano de 2002, no artigo 2º, cabe à CNBB, como expressão peculiar:

a)    "fomentar uma sólida comunhão entre os Bispos que a compõem, na riqueza de seu número e diversidade, e promover sempre a maior participação deles na Conferência;b)    "ser espaço de encontro e de diálogo para os Bispos do País, com vistas ao apoio mútuo, orientação e encorajamento recíproco;c)    "concretizar e aprofundar o afeto colegial, facilitando o relacionamento de seus membros, o conhecimento e a confiança recíprocos, o intercâmbio de opinião e experiências, a superação das divergências, a aceitação e a integração das diferenças, contribuindo assim eficazmente para a unidade eclesial;d)    "estudar assuntos de interesse comum, estimulando a ação concorde e a solidariedade entre os Pastores e entre suas Igrejas;e)    "facilitar a convergência da ação evangelizadora, graças ao planejamento e à Pastoral Orgânica, em âmbito nacional e regional, oferecendo diretrizes e subsídios às igrejas locais; f)    "exercer o magistério doutrinal e a atividade legislativa, segundo as normas do direito;g)    "representar o Episcopado brasileiro junto a outras instâncias, inclusive a civil;h)    "promover, atenta aos sinais dos tempos, a permanente formação e atualização dos seus membros, para melhor cumprirem o múnus pastoral;i)    "Favorecer a comunhão e participação na vida e nas atividades da Igreja, das diversas parcelas do Povo de Deus: ministros ordenados, membros de institutos de vida consagrada e leigos, discernindo e valorizando seus carismas e ministérios".

Os artigos subsequentes tratam do relacionamento com a Igreja e sua missão universal, favorecendo e articulando as relações entre as Igrejas particulares do Brasil e a Santa Sé, bem como com as outras Igrejas Episcopais.

O mesmo Estatuto dispõe a respeito das ações da CNBB relativamente à sociedade civil.

O artigo 4º. reza: "A CNBB, animada pela caridade apostólica, relaciona-se com os diversos segmentos da realidade cultural, econômica, social e política do Brasil, buscando uma colaboração construtiva para a promoção integral do povo e o bem maior do País e, quando solicitada, ajudando os Pastores das Igrejas locais";

E o artigo 5º estabelece: "A CNBB trata com as autoridades públicas as questões que interessam ao bem comum e à missão salvífica da Igreja, mantendo o conveniente entendimento com a Nunciatura Apostólica".

Em tempos de comemoração, é mister apelar para a memória a fim de recordarmos os caminhos andados, com mais luzes ou menos luzes, mas sempre "esperança que não engana" (Rm 5,5).

O Concílio Vaticano II mereceu grande destaque porque a Igreja vivia, nas décadas que o antecederam, um clima de criatividade e de liberdade para novas experiências. Legitimadas pelo Concílio, essas experiências alcançaram dimensão universal.

O Brasil, desde os anos 50, passava por grande ebulição política, uma fase que desembocou numa ditadura militar, a partir de 1964, com consequências complexas.No entanto, a Igreja Católica no Brasil, no mesmo período, experimentava forte dinâmica evangelizadora. Ela levou ao Concílio Vaticano II experiências significativas nos campos da Bíblia, da catequese, da liturgia, do social, do laicato.

Durante o período conciliar e nos anos subsequentes, a Igreja Católica no Brasil, como em quase toda a América Latina, tinha um duplo desafio missionário: ser fiel aos ditames da Igreja em Concílio, marcando a renovação eclesial, e ser fiel à missão profética ao denunciar abusos contra os direitos humanos.

A evangélica opção preferencial pelos pobres, integrante do Objetivo Geral da nossa Igreja, desde seus primeiros planos pastorais, exigiu, nesses anos cruciais, uma mística ainda mais evangélica, uma maturidade maior na sua ação apostólica.

Contávamos com a Constituição Lumen Gentium, que registrara: "...assim como Cristo consumou a obra da redenção na pobreza e na perseguição, assim a Igreja é chamada a seguir o mesmo caminho, a fim de comunicar aos homens os frutos da salvação..." (nº 8). Nesse contexto, nossas Igrejas acolheram com o maior entusiasmo a Constituição Pastoral Gaudium et Spes, em 1965, e a concretização da promessa do Papa  Paulo VI, na Exortação Apostólica Populorum Progresso, em 1967, que ofereceu elementos novos para a doutrina social da Igreja,com o conceito de "desenvolvimento integral – do homem todo e de todos os homens".

A Populorum Progressio iluminou a prática dos cristãos e deu novo alento em épocas tão desafiantes para a nossa Igreja; perpassou também o Documento de Medellín (1968), intitulado "A Igreja na atual transformação da América Latina à luz do Concilio, que visava a proporcionar uma evangelização latino-americana inculturada, levando em consideração os desafios sociopolíticos, a religiosidade profunda do nosso povo, sua espiritualidade e sede de Deus.

Alguns eventos marcantes estiveram presentes à Igreja Católica no Continente no período pré-conciliar. Destacamos o apelo do Papa João XXIII aos bispos da América Latina por uma pastoral planejada. O Santo Padre João XXIII explicitou uma preocupação com o conjunto do Continente diante da situação de Cuba, tão católica quanto os outros países, e que passava por momentos desafiadores para a Igreja.

Daí nasceu entre nós, em 1962, o primeiro Plano de Pastoral, denominado Plano de Emergência para a Igreja do Brasil.

A recepção do Concílio Vaticano II propunha, no entanto, um passo adiante ao Plano de Emergência (1962-1965).  O passo seguinte foi o Plano de Pastoral de Conjunto (PPC), relativo ao período 1966-1970.

O Objetivo Geral do Plano estava assim formulado: "Criar meios e condições para que a Igreja no Brasil se ajuste o mais rápida e plenamente possível, à imagem de Igreja do Vaticano II".O Brasil foi um dos primeiros países a formular propostas de renovação eclesial à luz do Concílio, por meio de um Plano de Pastoral de Conjunto (PPC). Nossos bispos, reunidos em assembleia, em Roma, trouxeram, na bagagem e no coração, as orientações básicas para a renovação conciliar em nosso país. Tínhamos terreno adubado para que as sementes conciliares caíssem em solo bom.

As linhas fundamentais do Plano, depois chamadas dimensões da evangelização, procuravam aplicar os documentos principais do Vaticano II numa perspectiva pastoral.

Essas linhas perduraram por longos anos, com variações ou complementações, numa tentativa de integrá-las entre si, procurando fidelidade aos novos apelos do Espírito, iluminadas pelos documentos do Vaticano II.

Vejamo-las:a) "promover uma sempre mais plena unidade visível no seio da Igreja Católica; b) "promover a ação missionária;c) "promover a ação catequética e o aprofundamento doutrinal e a reflexão teológica; d) "promover a ação litúrgica;e) "promover o ecumenismo e diálogo inter-religioso;f) "promover a melhor inserção do povo de Deus, como fermento na construção de um mundo segundo os desígnios de Deus".

Para melhor aplicação do Plano de Pastoral de Conjunto (PPC) foram criados ou animados os Regionais da CNBB, que assumiram com afã a missão de recepção do Concílio, numa mística latino-americana.

Entretanto, as assembleias seguintes da CNBB julgaram que um Plano Nacional de Pastoral, num país extenso e diversificado como o Brasil, seria de difícil concretização.

Daí, a decisão de adotar diretrizes para a ação evangelizadora, revisadas a cada quatro anos, como orientação de unidade para elaboração de planos específicos. É o que vem acontecendo ultimamente como dinâmica da evangelização.

A Conferência de Aparecida, no ano de 2007, despertou, no conjunto dos cristãos, um novo entusiasmo, oferecendo horizontes para a ação eclesial.

Nas atuais Diretrizes (2011-2015), à luz da Conferência de Aparecida, podemos caracterizar ganhos significativos. Seu Objetivo Geral está assim formulado: "Evangelizar, a partir de Jesus Cristo e na força do Espírito Santo, como Igreja discípula, missionária e profética, alimentada pela Palavra de Deus e pela Eucaristia, à luz da evangélica opção pelos pobres, para que todos tenham vida, rumo ao Reino definitivo".

Trata-se de um texto leve e claro, na busca de unidade pastoral, com uma metodologia acessível para o conjunto dos cristãos.

Estes são seus aspectos mais marcantes: - insiste em que vivemos em mudança de época com desafios específicos; - coloca a Igreja em estado de missão; - valoriza a centralidade de Jesus Cristo; - coloca as Diretrizes da Ação Evangelizadora à luz da Palavra de Deus, nas pegadas da Assembleia do Sínodo sobre a Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja; - faz um retorno explícito à importância do Planejamento Pastoral e ao método "Ver, Julgar e Agir".

De fato, temos muito a comemorar, muito a celebrar.

Por tudo isso, damos graças a Deus.

Dom Raymundo Cardeal Damasceno AssisArcebispo de Aparecida-SPPresidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil


Solenidade recorda 50ª Assembleia Geral e 60 anos da CNBB

No início da noite desta quinta-feira, 19/04, os participantes da Assembleia Geral dos bispos do Brasil realizaram uma sessão solene para marcar a 50ª edição do evento, realizada em Aparecida/SP, e os 60 anos de criação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. A cerimônia foi aberta à imprensa e reuniu colaboradores históricos da entidade.

No palco, estava presente a atual presidência da CNBB, com alguns bispos membros de diretorias anteriores. Em seu pronunciamento, o arcebispo de Aparecida e atual presidente da entidade, Cardeal Raymundo Damasceno Assis fez a memória histórica da construção e ação Conferência Episcopal. "Estamos vivendo um tempo de jubileu, de alegria, de agradecer a Deus e a todos os que colaboraram com a nossa história", declarou.AvaliaçãoPara Dom Damasceno, a colegialidade episcopal foi o eixo fundamental do Concílio Vaticano II, e iluminou a caminhada da CNBB desde então. Com base nos estatutos, recordou a missão da entidade, e presenteou a todos os presentes com o opúsculo "CNBB: 60 Anos e 50 Assembleias Gerais – Memória, Ação de Graças e Compromisso". A publicação traz a reprodução da ata de criação da entidade, e dados históricos importantes."Ao longo destes anos, a evangélica opção pelos pobres exigiu uma maior maturidade da Igreja", avaliou o cardeal. Para ele, a criação dos Regionais foi uma forma positiva de colaborar para a aplicação do plano de pastoral de conjunto, depois amadurecido na forma de Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora. "As Diretrizes, elaboradas a cada quatro anos, são o apoio para a criação de planos específicos nas dioceses".MemóriaA pedido da comissão organizadora da solenidade o bispo emérito de Catanduva (SP), Dom Antônio Celso de Queirós, deixou um depoimento emocionante sobre a entidade. Antes de ser bispo, ele já atuava na CNBB como assessor e posteriormente subsecretário. "O que falar de uma irmã querida? A Igreja no Brasil deve erguer as mãos para o céu, pois nos caminhos e dificuldades que nosso país conheceu nestes últimos 60 anos, a CNBB ajudou os bispos a manter-se em diálogo e em comunhão", avaliou.Dom Celso recordou momentos fortes da CNBB, como a primeira Assembleia Geral em Itaici, em 1974. Recordou também o forte documento em que os bispos condenaram, em plena ditadura militar, a tortura e o terrorismo. "Eu ainda era assessor. Por causa da declaração, o Ministro da Justiça veio negar que havia a tortura no regime. Nós, assessores, fomos para capela e de joelhos rezamos para que os bispos não voltassem atrás no que haviam dito. E graças a Deus, não voltaram!".Quanto à repercussão das Assembleias Gerais, o bispo emérito afirmou que este encontro chamava a atenção da sociedade especialmente durante o regime militar, por ser um espaço importante de reflexão das exigências da democracia. "Quem quer conhecer a vida da CNBB, deve conhecer seus documentos, as suas diretrizes". E falou ainda do trabalho silencioso dos assessores da entidade, entre os quais destacou o padre Antoniazzi. "A CNBB sempre se pronunciou sobre todas as urgências da sociedade brasileira", concluiu dom Celso, que destacou três nomes importantes na construção da entidade. "Dom Hélder, Dom Luciano e Dom Ivo: santos! Agradeço a Deus a graça de ter convivido com eles".InfluênciaEntre um discurso e outro, a orquestra do projeto PEMSA - Projeto de Educação Musical do Santuário Nacional, sob a regência do maestro Altair de Oliveira, executou canções ao público presente. Os telões exibiam um painel de fotográfico dos 60 anos da CNBB.Também se pronunciaram na solenidade um representante dos presbíteros e dos leigos. Em nome dos bispos jovens, o bispo auxiliar de Belo Horizonte dom Joaquim Giovani Mol falou de forma afetiva da entidade, a qual influenciou em sua formação. "Não dá para imaginar a Igreja e mesmo a sociedade brasileira sem a CNBB. A palavra da entidade é esperada, por ser uma reserva ética e moral da mais alta qualidade", declarou.


Terceiro dia da 50ª AG enfoca eleições municipais e ecumenismo

A pauta de trabalho desta sexta-feira, 20/04, na 50ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil, realizada em Aparecida/SP, inclui na parte da manhã a apreciação do texto de uma nota oficial da entidade a respeito das eleições municipais deste ano. Ainda pela manhã, os bispos continuam a debater sobre o tema central do encontro "A Palavra de Deus na vida e missão da Igreja". A Comissão Episcopal Pastoral para a Doutrina da Fé também fará a apresentação de seus trabalhos no final da manhã. Já no período da tarde haverá a primeira votação prévia para a escolha dos delegados para o próximo Sínodo dos Bispos, em Roma. Os regionais também terão encontro reservado, após o escrutínio.No final da tarde, haverá a apresentação da Comissão Episcopal para o Ecumenismo, bem como a celebração do culto ecumênico, no auditório do Centro de Eventos. À noite, no auditório Padre Orlando Gambi, da Rádio e TV Aparecida, será realizada a solenidade de entrega dos Prêmios de Comunicação da CNBB, para rádio, imprensa, cinema e televisão. Este evento será transmitido pelas emissoras de TV inspiração católica para todo país.

Acompanhe a cobertura da 50ª AG pelo twitter

As principais informações sobre os trabalhos da 50ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil, realizada até o dia 26 de abril em Aparecida/SP estão disponíveis também nas redes sociais. No twitter, através do endereço @CNBBNacional. O twitter vai levar os lances em tempo real pois as informações serão dadas diretamente da arena multiuso do Centro de Eventos Pe. Vitor Coelho de Almeida, em Aparecida (SP), onde está o plenário da 50ª. Assembleia Geral. A pauta do dia será devidamente acompanhada passo a passo. Nesta sexta-feira, 20 de abril, as 15 horas, 3 bispos designados pela presidência da CNBB. O porta-voz da assembleia, Dom Dimas Lara Barbosa, arcebispo de Campo Grande (MS), também está presente nas entrevistas coletivas.Para conceder a entrevista de hoje foram escolhidos o arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta; o arcebispo de Brasília (DF) Dom Sérgio da Rocha e o bispo de Barra do Piraí-Volta Redonda (RJ) Dom Francisco Biasin, que também é o presidente da Comissão Episcopal para o Ecumenismo.

CNBB divulga carta enviada ao papa Bento XVI

No dia 19, a Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), emitiu uma nota ao Santo Padre, o papa Bento XVI, por conta da realização, em Aparecida (SP), da 50ª Assembleia Geral dos Bispos da CNBB.

A Presidência afirma que estão reunidos mais de 300 bispos, rezando e refletindo o bom exercício da missão episcopal.

"Nesta reunião jubilar iniciamos as comemorações do 50º aniversário do Concílio Vaticano II, que se estenderão por quatro anos no Brasil; durante esse período, procuraremos ouvir de novo a voz do Espírito, que falou no Concílio Vaticano II, dando especial destaque ao Ano da Fé e ao precioso dom do Catecismo da Igreja Católica", destacou os bispos ao Pontífice.

A presidência continua a nota explicando o tema central desta Assembleia. "Queremos acolher melhor em nossas dioceses a Exortação Apostólica Pós-Sinodal Verbum Domini, de Vossa Santidade. Somos ministros e servidores da Palavra de Deus para nossos irmãos e para o mundo".

"Santo Padre, ao recordamos o 7º aniversário de sua eleição, como Sucessor de Pedro, queremos expressar nossas especiais congratulações a Vossa Santidade. Já oferecemos a Santa Missa em sua intenção, pedindo que o Senhor Ressuscitado o fortaleça e o conserve com saúde, para confirmar os irmãos na fé. Que o Espírito Santo o assista sempre no exercício do Ministério Petrino", desejaram os bispos ao Santo Padre.

Além disso, a Presidência da CNBB lembrou a Jornada Mundial da Juventude. "Santidade, a Igreja no Brasil, com seus jovens, prepara-se, com alegre expectativa para a próxima Jornada Mundial da Juventude, em julho do próximo ano, no Rio de Janeiro. Temos a certeza de que esse  novo encontro do Papa com os jovens do mundo inteiro trará muitos frutos para a nova evangelização e a transmissão da fé cristã. Ao manifestarmos nossa adesão e fidelidade ao Magistério do Sucessor de Pedro, invocamos para nós, para nossos fiéis e todo o povo brasileiro sua paterna Bênção Apostólica", finaliza a carta.

Leia a íntegra da Carta aqui.


Coletiva de imprensa desta sexta-feira, 20 de abril

Nesta sexta-feira, 20, terceiro dia dos trabalhos na 50ª Assembleia Geral dos Bispos da CNBB, haverá uma coletiva de imprensa, onde estarão presente o arcebispo de Brasília, dom Sérgio da Rocha, o arcebispo do Rio de Janeiro dom Orani João Tempesta, e o bispo de Barra do Piraí - Volta Redonda (RJ), dom Francesco Biasin. A coletiva tem início às 15h, no Centro de Eventos Padre Vitor Coelho de Almeida, ao lado do Santuário Nacional de Aparecida, em Aparecida (SP).

Dom Sérgio da Rocha

Arcebispo de Brasília, dom Sérgio da Rocha é natural de Dobrada (SP), nasceu no dia 21 de outubro de 1959, e sua Ordenação Episcopal foi em 11 de agosto de 2001. Filósofo, teólogo e doutor em Teologia Moral, em São Carlos (SP) já foi reitor do Seminário de Filosofia, do Seminário Teológico da Diocese, e da Capela São Judas Tadeu. Lecionou Teologia Moral na PUC de Campinas. É Membro do Conselho Permanente da CNBB e membro da Comissão Episcopal para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada.

Dom Orani João Tempesta

Arcebispo do Rio de Janeiro, dom Orani João Tempesta, nasceu no dia 23 de junho de 1950, em São José do Rio Pardo (SP). Sua Ordenação Episcopal foi em 25 de abril de 1997, também em São José do Rio Pardo (SP). Formado em Filosofia e Teologia, em São João Vista (SP), foi coordenador da Pastoral das Comunicações da Diocese, e professor no Seminário Coração de Maria. É vice-presidente do Regional Norte I, membro do Conselho Permanente, e do Conselho Econômico da CNBB.

Dom Francesco Biasin

Bispo de Barra do Piraí - Volta Redonda (RJ), dom Francesco Biasin, nasceu em 06 de setembro em 1943, em Arzercavalli, em Pádua / Itália. Sua Ordenação Episcopal foi em 12 de outubro de 2003, em Pesqueira (PE). Filósofo, Teólogo, especializado em Catequese, foi pároco da Catedral de Duque de Caxias (RJ), e vice presidente da Comissão Regional dos Presbíteros do Regional Leste I da CNBB. Foi Diretor Espiritual no Seminário de Nova Iguaçu (RJ), onde, também, lecionou Teologia Espiritual. Foi administrador da diocese de Itaguaí (RJ), onde também foi coordenador, professor e animador do curso de iniciação à teologia para leigos.


Episcopado brasileiro reza pelos bispos eméritos

O episcopado brasileiro participou na manhã desta sexta-feira, 20, da Celebração Eucarística, às7h30, no Altar Central, do Santuário Nacional.

A celebração deste 3º dia da 50º Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) foi em Ação de Graças aos cerca de 150 bispos eméritos da Igreja no Brasil.

A missa foi presidida pelo Cardeal arcebispo emérito de São Paulo (SP), dom Cláudio Hummes.

Em sua homilia, Dom Cláudio se dirigiu especialmente aos Prelados reforçando que eles são anunciadores da Palavra de Deus e agradeceu o apoio da CNBB aos bispos eméritos.

"Queremos mostrar que estamos dispostos a trabalhar e ajudar a Igreja no Brasil", afirmou.

O Cardeal também citou que ir ao encontro dos fiéis e trazê-los para a Igreja é uma das grandes preocupações do papa Bento XVI."De qualquer forma, nossa missão de sucessores dos apóstolos, é anunciar a Palavra e precisamos saber como conduzir e ir em busca dos que mais necessitam de nós, afirmou dom Cláudio.

No início da celebração, os bispos eméritos foram homenageados pela dedicação e trabalho na Igreja do Brasil, e em especial, o Arcebispo emérito de Porto Velho (RO), dom Moacyr Grechi que dedicou grande parte de sua vida ao povo da Amazônia.

"Agradecemos pela dedicação de todos os nossos bispos eméritos na pessoa de dom Moacyr Grechi, que sempre mostrou a sua fé inabalável que o fez e o faz expressar seu amor ao povo", afirmou o arcebispo de Porto Velho (RO), dom Esmeraldo Barreto de Farias.


Bispos apresentam trabalhos do terceiro dia da 50ª AG

Dom Dimas Lara Barbosa, arcebispo de Campo Grande e porta-voz da 50ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil, coordenou a coletiva de imprensa, realizada na tarde desta sexta-feira, 20/04, no Centro de Eventos Padre Vítor Coelho, em Aparecida (SP). Participaram da entrevista o arcebispo do Rio, Dom Orani João Tempesta; o arcebispo de Brasília, Dom Sérgio da Rocha; e o bispo de Volta-Redonda/Barra do Piraí (RJ), Dom Francesco Biasin.

O porta-voz revelou que os bispos preparam uma declaração sobre as eleições municipais deste ano. "A mensagem ainda não tem seu texto definitivo, mas o que há em mente é a orientação para o bom uso do voto".

Jornada Mundial da Juventude

Ao ser questionado sobre os preparativos para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que vai se realizar no Rio de Janeiro em 2013, dom Orani recordou que a Igreja aposta e investe na juventude. "Será um momento importante para ajudar os jovens nesta época de mudança". Ele esclareceu que as inscrições para o evento serão abertas em julho próximo, e pela experiência das outras Jornadas mundiais, o número de inscritos representa apenas um terço dos participantes.

"Em Madri, foram 500 mil inscritos, e quase 2 milhões de participantes. A presença é livre, só se inscreve quem precisa de algum tipo de apoio para hospedagem, por exemplo" explicou dom Orani. Ele destacou a organização da Arquidiocese do Rio, e também o trabalho realizado junto ao poder público. "Eles tem demonstrado interesse em atender às necessidades do evento, que deve reunir mais pessoas na cidade que a Copa do Mundo ou os Jogos Olímpicos. O Rio tem tradição de acolher grandes eventos".

Ano da Fé

Dom Sérgio da Rocha, da Comissão Episcopal para a Doutrina da Fé, explicou a respeito da importância da celebração do Ano da Fé, convocado pelo Santo Padre Bento XVI. Ele recordou a preparação para o Sínodo dos Bispos, em outubro próximo. "O tema será a Nova Evangelização para a transmissão da fé. As atividades que estão sendo preparadas para esta celebração devem contribuir para a nossa vivência da fé cristã".

Ecumenismo

"O diálogo ecumênico está muito bonito e fecundo". Foi assim a exposição de Dom Biasin, da Comissão para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso. A celebração ecumênica, marcada para o fim da tarde desta sexta-feira no plenário da 50ª AG, é testemunho de como a Igreja procura consolidar o diálogo com as outras igrejas cristãs e as outras religiões. "Temos procurado abrir novos espaços de conhecimento e valorização com o que há de positivo, tanto com muçulmanos, o candomblé, o judaísmo e comunidades cristãs", afirmou o bispo.

Questionado por um jornalista sobre o secularismo, ele destacou que este fenômeno atinge todas as igrejas. "Nós, pelo diálogo, temos que fortalecer a fé em Jesus Cristo, sobretudo pelo testemunho. O diálogo é testemunho, a divisão é um escândalo. No culto de hoje, vamos rezar como Jesus: 'Pai, que todos sejam um'", concluiu Biasin.

Número de católicos

A respeito de uma recente pesquisa que afirma que há uma queda no número de católicos, dom Dimas esclareceu que os dados apresentados até agora não são conclusivos. "Os números completos ainda não estão disponíveis. Se o número dos sem religião cresce, não quer dizer que o de ateus está crescendo".

Ele destacou experiências realizadas que demonstram o espírito missionário da Igreja nos últimos anos. "No Rio de Janeiro, há o trabalho da pastoral do Acolhimento e da Visitação, que tem colhido bons frutos", disse Dimas. Dom Orani completou, lembrando o crescente número de paróquias criadas em todo o país. "Hoje, a participação dos fiéis é maior e mais consciente".


Dom Francesco Biasin fala sobre a necessidade de diálogo inter-religioso

Esteve presente, hoje (20), na coletiva de imprensa da 50ª AG, o presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso, dom Francesco Biasin, bispo de Barra do Piraí - Volta Redonda (RJ). O religioso aproveitou a ocasião para falar sobre o diálogo que vem sendo alcançado, por meio da comissão, entre distintas igrejas e religiões, e falou, também, sobre a celebração ecumênica que será realizada hoje na AG.

O tema da celebração será "O Concílio Ecumênico Vaticano II", que estimulou, a partir da Igreja Católica, o diálogo com todas as igrejas. "Uma das finalidades, do papa João XXIII, que convocou o concílio, foi promover a unidade dos cristãos. O convite à outras igrejas, como observadoras do Concílio Vaticano II, foi de grande importância histórica", lembrou o bispo.

Para a celebração ecumênica organizada para hoje, às 17h50, foram convidados representantes de diversas igrejas. O evento, aberto à imprensa, será realizado no Centro de Eventos Padre Vítor Coelho de Almeida, e contará com a presença da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, representada por dom Francisco Assis. Da Igreja Evangélica Confissão Luterana, foi convidado o pastor Guilherme Lieven. Da Comunidade Pentecostal Carisma, o pastor Álvaro Palucci; da Igreja Presbiteriana Unida, o reverendo Altamiro Carlos; e por fim, da Igreja Apostólica Armênia da Brasil, os arciprestes Yezmig Guzelian e Boghos Baronzan.


Preparação para a JMJ Rio 2013 será apresentada aos bispos na 50ª Assembleia Geral

De 23 a 28 de julho de 2013, a cidade do Rio de Janeiro (RJ) será palco da Jornada Mundial da Juventude (JMJ). Os preparativos e o andamento do trabalho serão apresentados em plenário para os bispos reunidos na 50ª Assembleia Geral, em Aparecida (SP), na próxima semana.

Segundo dom Orani João Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro e presidente do Comitê Organizador Local da JMJ, a jornada será precedida de uma semana missionária em todas as dioceses do Brasil. "A peregrinação da Cruz e do Ícone de Nossa Senhora pelas dioceses têm tido muito êxito", completou o arcebispo.

Dom Orani explicou ainda que não é possível fazer uma estimativa do número de jovens que estarão presentes ao evento. "Isso será possível a partir da abertura das inscrições. Mas em Madri, em 2011, cerca de dois milhões de jovens estiveram no último dia".

Quanto a infraestrutura que está sendo preparada para o evento na Cidade Maravilhos, dom Orani informou que os trabalhos estão acontecendo em parceria com os Governos federal, estadual e municipal. "O contato tem sido muito bom com os Governos, não há dificuldade nas conversas. Mesmo porque o Rio de Janeiro tem tradição em acolher grandes eventos".

O arcebispo do Rio participou da terceira coletiva de imprensa desta 50ª Assembleia Geral dos Bispos da CNBB, que acontece no Centro de Eventos Padre Vitor Coelho, em Aparecida.

JMJ

Tem como objetivo principal levar a todos os jovens do mundo a mensagem de Cristo, mas é verdade também que, através deles, o 'rosto' jovem de Cristo se mostra ao mundo. Os encontros mundiais são realizados com intervalos que variam entre dois e três anos. A última Jornada Mundial da Juventude ocorreu de 16 a 21 de agosto de 2011, em Madri, na Espanha.


Arcebispo de Brasília afirma que Ano da Fé é ocasião de renovado encontro com Jesus

"O Ano da Fé quer contribuir para uma renovada conversão, vivência e para uma redescoberta da fé". A afirmação é do arcebispo de Brasília (DF), dom Sérgio da Rocha, que é presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Doutrina da Fé, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Ele falou na tarde de hoje, 20, durante a terceira entrevista coletiva de imprensa da 50ª Assembleia Geral.

Participaram da coletiva o arcebispo do Rio de Janeiro (RJ), dom Orani João Tempesta, e o bispo de Barra do Piraí/Volta Redonda (RJ), dom Francesco Biasin.

Dom Sérgio explicou que esta é uma convocação do papa Bento XVI, que terá início no dia 11 de outubro deste ano e se concluirá em 24 de novembro de 2013, ocasião da Festa de Cristo Rei.

"Convocado com a Carta Apostólica 'Porta fidei', o Ano da Fé representa uma grande ocasião de renovado encontro com Jesus Cristo", afirmou. O arcebispo acrescentou que celebrar os 20 anos do catecismo da Igreja Católica e o Sínodo dos Bispos servem de motivação para a realização do Ano da Fé.

"O início do Ano da fé coincide com dois importantes aniversários: o 50º ano da abertura do Concílio Vaticano II e o 20º da promulgação do Catecismo da Igreja Católica", destacou dom Sérgio. Ele mencionou ainda que com o Ano da Fé, o papa Bento XVI quer colocar no centro da atenção da Igreja a vivência e a beleza da fé.

"O papa Bento XVI recomenda que a abertura do Ano da Fé seja realizado em todas as comunidades, paróquias e dioceses", acrescentou.


Lojas da AG oferecem variedade de artigos religiosos

Quem pensa que a Assembleia Geral é um momento, unicamente, de deliberações dos bispos, não tem ideia das inúmeras atividades que giram em torno do evento. Logo na entrada do Centro de Eventos Padre Vítor Coelho, onde está sendo realizado o encontro, foram montadas 22 lojas que oferecem uma grande variedade de produtos religiosos e leigos. São roupas para religiosos, material litúrgico, literatura religiosa, de filosofia, de teologia, pacotes de turismo religioso, dentre outros produtos.

Ao se falar de paramentos liturgicos, nas lojas da assembleia são encontradas uma infinidade. Há as camisas com colarinho clergyman, usada por padres, bispos e diáconos. Casulas, túnicas, dalmáticas, alvas e estolas.

Expositoras assíduas em todas as assembleias, desde 1973, as Pias Discípulas do Divino Mestre, do Apostolado Liturgico, levam a missão de "ajudar as pessoas a encontrar o mistério de cristo celebrado em cada liturgia", afirma a irmã Dilza Pacheco, pertencente à congregação há 28 anos. O trabalho das irmãs é amplo e envolve tudo relacionado à liturgia, desde o espaço para celebrar, utensílios, vestes, até a busca de potenciais oradores litúrgicos. "Arte, beleza e dignidade a serviço da liturgia", explica irmã Irene Brunetta, há 42 na congregação.

Outros acessórios à disposição nas lojas da assembleia, próprios de uso para os bispos, são as mitras e os solidéus. A mitra é uma insígnia pontifical utilizada pelos prelados da Igreja Católica, é um tipo de cobertura de cabeça fendida, de formato aproximadamente pentagonal, simboliza um capacete de defesa aos adversários da verdade. Já os solidéus, tradicional item do vestuário clerical, são utilizados nas liturgias, na cor branca, pelo papa, na cor vermelha, por cardeais, na cor magenta, por bispos, e em preto, para monsenhores.

Em outra loja, são comercializados pacotes de turismo religioso, com pacotes nacionais e internacionais. Com destaque para tradicionais roteiros religiosos como Itália, França, Portugal, Israel, Jerusalém, dentre outros. Na parte de literatura, há uma grande diversidade de assuntos religiosos e leigos. Os principais temas são os relacionados à filosofia, teologia, sociologia, antropologia, e até assuntos mais atuais como a comunicação, e novas mídias. "Essas tipo de leitura é importante para contribuir com a adaptação da evangelização as novas mídias, acompanhando os avanços tecnológicos", sugere o expositor Lúcio Alves.

Chama atenção também a beleza dos artigos litúrgicos disponíveis para a venda, como sacrários, luminárias, incensórios, cruzes, imagens, castiçais, coroas do advento, ostensórios, turíbulos, relicários, recipiente para santos óleos, conjunto de ofertório ou galhetas, e objetos de arte sacra.


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quinta-feira, 19 de abril de 2012

Boletim da CNBB

Boletim Diário da CNBB - 19/04/2012

REFLEXÃO

Devemos procurar Jesus para que, a partir do encontro pessoal com ele, possamos conhecer o próprio Pai. Quando isso acontece, deixamos de pertencer às coisas da terra, porque assumimos novos valores e encontramos em Deus uma nova motivação para viver: a motivação das coisas do alto. A fonte dessa motivação é o dom do Espírito Santo que é derramado sem medida sobre nós e faz com que reconheçamos nas palavras de Jesus as palavras do próprio Deus, que são fonte de verdadeira alegria e de felicidade eterna para todos os que crêem nelas e as colocam em prática no dia a dia.

COMEMORAÇÕES

Nascimento

  • Dom José Antônio Peruzzo, Bispo de Palmas-Francisco Beltrão - PR

Ordenação Presbiteral

  • Dom Luciano Bergamin, CRL, Bispo de Nova Iguaçu - RJ

Ordenação Episcopal

  • Dom José Maria Pinheiro, Bispo Emérito de Bragança Paulista - SP
  • Dom Emanuel Messias de Oliveira, Bispo de Caratinga - MG
  • Dom Vital Chitolina, SCJ, Bispo de Diamantino - MT
  • Dom José Moreira Bastos Neto, Bispo de Três Lagoas - MS
  • Dom Tarcísio Scaramussa, SDB, Bispo Auxiliar de São Paulo - SP
NOTÍCIAS

Palavra de Deus na pauta do segundo dia da Assembleia dos Bispos

Nesta quinta-feira, 19/04, o segundo dia da 50ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil (AG) vai focalizar o tema central deste encontro. A reflexão sobre "A Palavra de Deus na vida e missão da Igreja" será feita em harmonia com o documento final do Sínodo dos Bispos sobre o tema, realizado em 2010, bem como continuar a reflexão iniciada pelos bispos brasileiros na AG de 2010. O tema vai ocupar boa parte da manhã do encontro, que será apresentado aos bispos e na seguida discutido nos grupos dos regionais. A coordenação será feita por Dom Jacinto Bergmann, arcebispo de Pelotas (RS) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética.A parte da tarde será reservada para discussões de assuntos internos. Às 18 horas, será realizada a Sessão Jubilar da 50ª Assembleia Geral da CNBB. Esta solenidade será aberta à imprensa.

Coletiva de Imprensa desta quinta-feira

Nesta quinta-feira, 19, segundo dia da 50ª Assembleia Geral dos Bispos da CNBB, haverá também a segunda coletiva de imprensa desta Assembleia Geral. Os bispos presentes serão o ex-presidente da CNBB e arcebispo de Mariana (MG), dom Geraldo Lyrio Rocha, atual delegado da CNBB junto ao Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM). Também estarão presentes o arcebispo de Salvador (BA), dom Murilo Sebastião Ramos Krieger e dom Armando Bucciol, bispo de Livramento de Nossa Senhora (BA).

Dom Geraldo Lyrio Rocha

Dom Geraldo Lyrio é capixaba de Fundão. Estudou Filosofia no Seminário Coração Eucarístico de Jesus, em Belo Horizonte e Teologia na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma. Fez mestrado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Santo Tomás de Aquino, em Roma. Especializou-se em Liturgia, pelo Pontifício Instituto Santo Anselmo, também em Roma. Ordenou-se padre no dia 15 de agosto de 1967, em sua cidade natal. Foi bispo auxiliar de Vitória (1984-1990); Vice-presidente do Regional Leste 2 da CNBB; Delegado à Assembléia Especial do Sínodo dos Bispos para a América por eleição da Assembléia da CNBB e confirmado pelo papa João Paulo II (1997); Primeiro bispo de Colatina, Espírito Santo (1990-2002); Primeiro arcebispo metropolitano de Vitória da Conquista (BA) (2002 - 2007); Vice-presidente do CELAM (2003-2007), ex-presidente da CNBB e atual delegado da CNBB junto ao CELAM.

Dom Murilo Sebastião Ramos Krieger

Dom Murilo Krieger é catarinense de Brusque. Estudou Filosofia em Brusque (1964 a 1965) e Teologia no Instituto Teológico Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus, em Taubaté (SP) (1966 a 1969). Frequentou cursos de espiritualidade em Universidades Pontifícias de Roma, em 1980. Após um ano de noviciado, ingressou na Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus, professando os votos religiosos a 2 de fevereiro de 1964. A 7 de dezembro de 1969 foi ordenado sacerdote em Brusque, Santa Catarina. Em 1985, o papa João Paulo II o nomeou bispo auxiliar de Florianópolis (SC), tendo sido ordenado bispo em sua cidade natal, no dia 28 de abril de 1985. Em 1991 foi nomeado bispo de Ponta Grossa (PR). Em 1997 o Papa João Paulo II o nomeou arcebispo de Maringá e em 2002, tornou-se arcebispo de Florianópolis. Aos 12 de janeiro de 2011, o papa Bento XVI o nomeou arcebispo de São Salvador da Bahia. Atualmente membro da Comissão Episcopal Pastoral para a Doutrina da Fé e Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Campanha para a Evangelização da CNBB.

Dom Armando Bucciol

Armando Bucciol nasceu em Villanova de Motta de Livenza (Província de Treviso – Itália), Em 1960, entrou no Seminário diocesano de Vittorio Veneto, onde cursou o 2º grau, Filosofia e Teologia. Foi ordenado sacerdote aos 12 de setembro de 1971, na diocese de Vittorio Veneto. Depois da ordenação, cursou Teologia Pastoral e especializou-se como professor de Ensino Religioso em Perdenone (1973-1975). De 1977 a 1979 estudou Liturgia Pastoral, no Mosteiro Beneditino Santa Justina, em Pádua. Fez o curso de Doutorado na faculdade de Santo Anselmo, em Roma (1979-1980), e, em Pádua, concluiu (1982) com a licenciatura (1993) Doutorado em Sagrada Teologia, com especialização em Liturgia Pastoral. Participou do curso de preparação para missionário no CUM em Verona (Itália) e de inculturação no CENFI, em Brasília. Em 1991 veio ao Brasil como Fidei Donum, atuando na diocese de Caetité (BA), Riacho de Santana (BA), Matina (BA) e Licínio de Almeida (BA). Atualmente é presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da CNBB.


Sessões da 50a Assembleia Geral abertas para a imprensa

Além das costumeiras sessões de abertura e encerramento, este ano, a assembleia dos bispos abrirá as portas para a imprensa em outras ocasiões. Os jornalistas terão livre à arena multiuso do Centro de Eventos Pe. Vítor Coelho de Almeida e ao auditório da TV Aparecida para os eventos. Nesta quarta-feira, 19 de abril, a sessão das 18 hs, em homenagem ao aniversário de 50 assembleias da Conferência; segunda-feira, 23 de abril, também as 18 hs, a sessão solene pelo jubileu de 50 anos do início do Concílio Vaticano II; na quarta feira, 25 de abril, na sessão das 11.15 quando serão apresentados informes sobre a Jornada Mundial da Juventude.Na sexta-feira, dia 20 de abril, as 20.30hs, no auditório da TV Aparecida, serão entregues os prêmios de comunicação da CNBB: "Margarida de Prata" (cinema), "Clara de Assis"(TV); "Microfone de Prata"(Rádio) e "Dom Helder Câmara" (Imprensa).

Dom Édson Damian: "Temos uma dívida social imensa com os povos indígenas"

"Temos uma dívida social imensa com os povos indígenas pelos massacres, genocídios, inomináveis crueldades e injustiças praticadas ao longo destes 512 anos de invasão e extermínio", disse dom Édson Tasquetto Damian, bispo de São Gabriel da Cachoeira (AM), presidente da celebração eucarística realizada no Santuário Nacional de Aparecido neste segundo dia da 50a. Assembleia dos Bispos da CNBB.

Dom Damian é bispo na diocese onde 90% da população é formada por povos indígenas e trabalha em profunda sintonia com o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), um dos organismos vinculados à CNBB com atuação reconhecida na história recente do Brasil. Ele lembrou da fundação do Conselho e destacou: "o seu início, é marcada pelo testemunho dos mártires. Lembro apenas alguns: Pe Rodolfo Lukenbein, Simão Bororo,  Pe João Bosco Penido Burnier, Ângelo Pereira Xavier, cacique Pancaré, Ângelo Kretã, líder dos Kaingang, Marçal Tupã-y, líder Guarani que saudou o papa João Paulo II quando visitou o Brasil em 1980, Ir Cleusa Rody Coelho, Pe Ezechiel Ramin, Ir Jesuíta Vicente Cañas. Xicão Xucuru, Galdino de Jesus, queimado vivo por um bando de jovens em Brasília, Cacique Nísio Gomes Guarani Kaiowá, o último que foi assassinado, em novembro do ano passado, no Mato Grosso do Sul".

O CIMI tem 40 anos de existência que foram comparados por dom Damian, durante a homilia, como "o tempo em que o povo hebreu andou pelo deserto rumo à Terra Prometida e ajudam a manter viva a esperança dos povos indígenas que aguardam o processo de demarcação de 335 territórios e de outros 348 que ainda estão em fase de reivindicação". O bispo de São Gabriel da Cachoeira manifestou seu apreço pelas comunidades indígenas "Sempre me encanto com estes irmãos. Apesar de uma vida dura e penosa nunca perdem a alegria e a fé que se expressam no sorriso límpido, espontâneo, cativante. Quando adoecem demoram até uma semana, nas frágeis embarcações com motor de 'rabeta', para serem transportados a São Gabriel, debaixo de sol abrasador ou de chuva torrencial. Dizia-me um médico que muitos chegam tão debilitados que se torna muito difícil ou até impossível o tratamento".

Dom Damian, diante dos mais de 340 bispos reunidos em Aparecida, compartilhou uma experiência vivida com o Papa Bento XVI. Ele contou que na visita "ad limina"de 2010, ficou surpreso com duas perguntas feitas pelo Papa. A primeira: "O povo da sua região está destruindo a floresta?" Dom Damian disse que teve a alegria de informá-lo "que na bacia do Rio Negro apenas 4% das florestas foram derrubadas, ao passo que em alguns Estados da Amazônia elas já foram totalmente destruídas pela ganância avassaladora das madeireiras, do agronegócio e das hidrelétricas. D. Erwin Kräutler, nosso presidente do CIMI, não se cansa de denunciar a grande destruição  e os minguados resultados da faraônica hidrelétrica de Belo Monte. Os índios são nossos mestres na preservação ambiental e no desenvolvimento sustentável. "Nossa vida depende da vida da floresta", costumava dizer nossa mártir Ir Doroty Stang.

A segunda pergunta feita por Bento XVI foi: "Os índios são bons católicos. Eles se confessam?" Dom Damian respondeu: "Todos, se confessam, desde as crianças que há pouco fizeram a Eucaristia até aos mais idosos. E com um detalhe original. A maioria começa dizendo: 'Agora vou me confessar na minha língua'. Continua contando dom Damian dizendo que o Papa reagiu e o indagou: "E você entende todas as línguas?" E o bispo respondeu: "De que jeito, respondi. São 18 línguas e tão diferentes umas das outras. Mas quem perdoa é o Pai que criou todos os povos e culturas e Ele se entende muito bom com seus filhos prediletos. Assim a boa nova das culturas indígenas acolhe a Boa nova de Jesus".

Antes de terminar a homilia, o bispo de Sao Gabriel da Cachoeira fez um agradecimento: "Agradeço, de coração, a todos os que, com generosidade e abnegação, se dedicam à causa indígena como uma causa do Reino, às missionárias e missionários do CIMI, às dioceses e seus agentes de pastoral, às congregações religiosas,  enfim, a todos os que vivem 'em estado de missão inculturada e se empenham para que nossa Igreja se  torne realmente morada de povos irmãos e, assim também, casa dos povos indígenas".

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A íntegra da homilia cedida por Dom Edson Tasqueto Damian, bispo de São Gabriel da Cachoeira (AM):

"Devemos obedecer antes a Deus do que aos homens. O Deus de nossos pais ressuscitou Jesus, a quem vós matastes, pregando-o numa cruz. Disso nós somos testemunhas, nós e o Espírito Santo, que Deus concedeu àqueles que lhe obedecem" (At 5 30 e 32).

Estas palavras do Apóstolo Pedro fazem ecoar a verdade que o Senhor nos diz Evangelho: "Aquele que vem do Alto, dá testemunho daquilo que viu e ouviu. Quem aceita o seu testemunho atesta que Deus é verdadeiro. Aquele que acredita no Filho possui a vida eterna" (Jo 3, 31-32 e 36).

"O Espírito Santo e nós", congregados nesta jubilosa 50ª Assembléia da CNBB, acima de tudo, expressamos nosso vigoroso testemunho no Bom Pastor Ressuscitado, fundamento de nossa fé e razão de nossa esperança. Ele está vivo no meio de nós. Queremos ser testemunhas dele no seio da  Igreja e no coração mundo.

Na luz e na força do Espírito do Ressuscitado somos hoje convidados a rezar pelos queridos povos indígenas no dia que lhes é dedicado. Queremos também testemunhar e  reder graças a Deus pelos 40 anos de atuação profética do CIMI – Conselho Indigenista  Missionário.

Depois de 20 anos de convivência das Irmãzinhas de Jesus de Charles de Foucuald com o povo Tapirapé, no rio Araguaia, no oitavo ano da ditadura militar, cinco anos depois da extinção do SPI – Serviço de Proteção ao Índio - por corrupção, sadismo e massacres a dinamite e metralhadoras, 10 anos depois início do Vaticano II, quatro anos depois da Conferência de Medellín, no período mais repressivo da história do Brasil, nosso amado e saudoso Dom Ivo Lorscheiter, então secretário geral da CNBB, no dia 23 de abril de 1972, reuniu em Brasília um pequeno grupo de missionários para discutir o projeto de Lei n. 2328 que tramitava na Câmara e dispunha sobre o Estatuto do Índio.

Quem fez parte deste grupo? Além de Dom Ivo, lá estavam D. Henrique Froehlich, D. Geraldo Sigaud, D.Eurico Kräutler, D. Pedro Casaldáliga. D. Tomás Balduíno, D. Estevão Avelar, e os missionários Luís Gomes de Arruda, Tomás de Aquino e Sílvia Wewering.  Estes irmãos da primeira hora foram seguidos por uma multidão de testemunhas "da grande tribulação" (cf Ap 7,14). Temos uma dívida histórica e social imensa com os povos indígenas pelos massacres, genocídios, inomináveis crueldades e injustiças praticadas ao longo destes 512 anos de invasão e extermínio. Os missionários do CIMI desencadearam uma marcha de solidariedade fraterna. Lançaram sementes de esperança e forjaram a possibilidade de sobrevivência através das demarcações de territórios e abertura de novos horizontes.

A história do CIMI, desde o seu início, é marcada pelo testemunho dos mártires. Lembro apenas alguns missionários e indígenas: Pe Rodolfo Lukenbein, Simão Bororo e Pe João Bosco Penido Burnier, Ângelo Pereira Xavier, cacique Pancaré, Ângelo Kretã, líder dos Kaingang, Marçal Tupã-y, líder Guarani que saudou o papa João Paulo II quando visitou o Brasil em 1980. Ir Cleusa Rody Coelho, Pe Ezechiel Ramin, Ir Jesuíta Vicente Cañas. Xicão Xucuru, Galdino de Jesus, queimado vivo por um bando de jovens em Brasília, Cacique Nísio Gomes Guarani Kaiowá, o último que foi assassinado e seu corpo seqüestrado, em novembro do ano passado, no Mato Grosso do Sul.

Os 40 anos de caminhada do CIMI recordam os 40 anos que o povo hebreu andou pelo deserto rumo à Terra Prometida e ajudam a manter viva a esperança dos povos indígenas que aguardam o processo de demarcação de 335 territórios e de outros 348 que ainda estão em fase de reivindicação. Como não lembrar neste momento os 30 anos de luta sofrida e paciente dos índios de Roraima para se apropiarem  da TI Raposa Serra do Sol? Eu era administrador diocesano quando o secretário da presidência da república encarregou-me de comunicar ao presidente do CIR - Conselho Indígena de Roraima - que naquele dia, 15 de abril de 2005, o presidente assinaria o decreto da homologação. Chorando de alegria, o tuchaua Jacir José de Souza, grande líder Macuxi, pronunciou estas palavras inesquecíveis: "Assim como o povo da Bíblia e nós cristãos celebramos todos os anos a festa da Páscoa, o dia 15 de abril será por nós lembrado para sempre como o dia  da libertação da TI Raposa Serra do Sol". Oxalá todos os índios que vivem acampados nas margens das estradas ou confinados em exíguos espaços, possam um dia reaver a terra que lhes pertence e ter  reconhecidos os direitos consignados pela Constituição Federal.

Agora, Deus me concede a imerecida graça de conviver com povos indígenas de 23 etnias, que falam 18 línguas diferentes e constituem mais de 90% da população na longínqua e pobre Igreja de São Gabriel da Cachoeira, na fronteira com a Colômbia e a Venezuela. Em 2014, celebraremos com gratidão os 100 anos de presença evangelizadora dos missionários salesianos e salesianas na imensa bacia do Rio Negro, que abrange 293.000 Km2.

Um dia recebi a visita da sábia antropóloga indigenista, Manuela Carneiro da Cunha. Dom Erwin me segredou que ela varava madrugadas com a equipe de trabalho a fim de encontrar os termos exatos para formular os direitos indígenas na Constituição de 88. Ela estava em São Gabriel para colaborar com outros pesquisadores que haviam descoberto que os índios cultivavam mais de 300 espécies de mandioca. Inclusive sabiam  cruzar as  diferentes espécies. Constataram também que a parte mais importante do enxoval que uma noiva indígena levava para a aldeia do seu futuro marido eram as manivas, isto é, as ramas de mandioca que ela havia aprendido a cultivar com sua mãe. Os casamentos da região são sempre interétnicos. Um indígena sempre se casa com uma jovem de uma etnia diferente. Por isso, a noiva ao mudar-se para a nova aldeia leva consigo as espécies de mandioca que ela aprendeu a cultivar na sua casa paterna.

Quando visito as aldeias espalhadas ao longo dos rios, depois de cansativas jornadas de "voadeira", todos correm até a beira para receber o bispo e o tuchaua me saúda chamando-me de "excelência nosso pastor". "Excelências são vocês", respondo-lhes, que moram tão isolados e vivem desprovidos dos mínimos os recursos. O Rio Negro, apesar de ser o maior afluente do Amazonas, devido às numerosas cachoeiras e à acidez de suas águas, é chamado de "rio da fome", pois não fornece peixes nem para saciar a fome dos seus ribeirinhos.

Sempre me encanto com estes irmãos. Apesar de uma vida dura e penosa nunca perdem a alegria e a fé que se expressam no sorriso límpido, espontâneo, cativante. Quando adoecem demoram até uma semana, nas frágeis embarcações com motor de "rabeta", para serem transportados a São Gabriel, debaixo de sol abrasador ou de chuva torrencial. Dizia-me um médico que muitos chegam tão debilitados que se torna muito difícil ou até impossível o tratamento.

Na audiência particular com o Papa Bento, durante a "visita ad limina"de 2010, fiquei surpreso com a primeira pergunta que me fez: "O povo da sua região está destruindo a floresta?" Tive alegria de informá-lo de que na bacia do Rio Negro apenas 4% das florestas foram derrubadas, ao passo que em alguns Estados da Amazônia elas já foram totalmente destruídas pela ganância avassaladora das madeireiras, do agronegócio e das hidrelétricas. D. Erwin Kräutler, nosso presidente do CIMI, não se cansa de denunciar a grande destruição  e os minguados resultados da faraônica hidrelétrica de Belo Monte. Os índios são nossos mestres na preservação ambiental e no desenvolvimento sustentável. "A morte da floresta é o fim da nossa vida", costumava dizer nossa mártir Ir Doroty Stang.

Papa também me perguntou: "Os índios são bons católicos. Eles se confessam?" Todos, se confessam, respondi-lhe, desde as crianças que há pouco fizeram a Eucaristia até aos mais idosos. E com um detalhe original. A maioria começa dizendo: "Agora vou me confessar na minha língua". E o Papa reagiu: "E você entende todas as línguas?" De que jeito, respondi. São 18 línguas e tão diferentes umas das outras. Mas quem perdoa é o Pi que criou todos os povos e culturas e Ele se entende muito bom com seus filhos prediletos". Assim a boa nova das culturas indígenas acolhe a Boa nova de Jesus.

Muitas vezes, no meio dos povos indígenas, sentimos a presença de Deus e a verdade profética da palavra de S. Paulo (cf. Is 52,15): "Vê-lo-ão aqueles a quem não foi anunciado e haverão de conhecê-lo aqueles que dele não ouviram falar" ( Rm 15,21). Ao defender os projetos históricos dos povos indígenas, redescobrimos o Deus da Bíblia, que faz aliança com os pobres. O Deus, cuja justiça favorece as vítimas; o Deus do despojamento e da gratuidade, da proximidade e da libertação.

Agradeço, de coração, a todos os que, com generosidade e abnegação, se dedicam à causa indígena como uma causa do Reino, às missionárias e missionários do CIMI, às dioceses, prelazias e seus agentes de pastoral, às congregações religiosas,  enfim, a todos os que vivem "em estado de missão inculturada (DAp, n.213) e se empenham para que nossa Igreja se  torne realmente morada de povos irmãos e, assim também, casa dos povos indígenas (cf DAp, n.8).

Permitam-me, por fim, que diga um "bom dia" aos meus diocesanos nas três línguas indígenas que, em São Gabriel da Cachoeira, são consideradas oficiais, além do português:

"Puranga ara" – "Puraga"( Nheengatu ou Língua Geral)"Hekoapi waikaa"  - "Waikaa"(Baniwa)"Wã'kati, masã" – "Wã'ká" (Tukano).

Um cordial abraço aos primeiros integrantes da Fazenda da Esperança de S. Gabriel, inaugurada no dia 24 de março, com as bênçãos do Cardeal Dom Cláudio Hummes, presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia.

Divino e adorável Bom Pastor Ressuscitado, querida Mãe Aparecida, abençoai e acompanhai com carinho nossas irmãs e irmãos  indígenas. Dai força e coragem às heróicas missionárias e missionários que convivem com eles e lutam para ajudá-los na conquista dos seus direitos. Respeitadas as nossas diferenças e enriquecidos por elas, somos todos iguais, porque somos todos irmãos no amor do Pai, no abraço Redentor do Filho, na comunhão do Espírito Santo.

Dom Edson Tasquetto DamianBispo de São Gabriel da Cachoeira (AM)


CIMI: 40 anos de luta a favor dos povos indígenas

A presença da Igreja nas aldeias juntos aos povos indígenas, em uma perspectiva de solidariedade, de doação, de respeito e de generosa aceitação das culturas. Esta é a missão do Conselho Indiginista Missionário (CIMI), conforme afirmou o bispo da Prelazia de Xingu (PA) e presidente do CIMI, Dom Erwin Krautler. "Precisamos sensibilizar a sociedade, pois só envolvendo as pessoas com os sofrimentos desse povo vamos conseguir conscientizar que temos uma grande dívida com os povos indígenas", afirmou o bispo. Fundado em 1972, o CIMI celebra neste ano 40 anos de lutas a favor dos povos indígenas. De acordo com Dom Erwin o que mais marcou a luta do CIMI ao longo destes anos foi o sangue derramado de seus mártires. "Acredito que não exista uma pastoral que tenha gerado tantos mártires quanto esta. O sangue derramado dos mártires é a semente dessa luta pela ressurreição dos povos indígenas", acrescentou.Dom Erwin destacou que o atual cenário dos povos indígenas não é favorável à suas lutas. "A política indigenista oficial não é favorável aos povos indígenas. Lamentamos que embora os índios estejam ancorados pela lei, ela não seja respeitada", concluiu.

Bispos falam sobre os trabalhos do segundo dia da 50ª AG

Durante entrevista coletiva realizada na tarde desta quinta-feira, 19/04, os bispos apresentaram um resumo das atividades realizadas neste dia na 50ª Assembleia Geral (AG). Participaram da coletiva o arcebispo de Mariana (MG), dom Geraldo Lyrio Rocha, atual delegado da CNBB junto ao Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM); o arcebispo de Salvador (BA), dom Murilo Sebastião Ramos Krieger e dom Armando Bucciol, bispo de Livramento de Nossa Senhora (BA).

Cada bispo fez uma breve exposição sobre os temas discutidos hoje na AG. O tema central, "A Palavra de Deus na vida e missão da Igreja"; o trabalho da Comissão Episcopal dos Textos Litúrgicos (CETEL), que hoje fez a exposição do andamento da revisão do texto do Missal Romano; e também a celebração do Jubileu das Assembleias Gerais da CNBB.

Jubileu das Assembleias Gerais

O destaque foi a importância da contribuição das Assembleias para a caminhada da Igreja no Brasil, que será lembrado na sessão solene no início da noite de hoje. "A reunião deste grupo cria vínculos de amizade, de fraternidade, de pastores conscientes da responsabilidade com a caminhada da Igreja no Brasil", lembrou dom Murilo. "Os marcos luminosos das contribuições das AG representam muito para todos nós", afirmou dom Geraldo.

Palavra de Deus

Em relação ao tema central desta 50ª AG, dom Murilo lembrou que este tema já foi abordado em 2010, inspirado pelo Sínodo dos Bispos sobre a Palavra de Deus, convocado pelo papa Bento XVI em 2008. "Estamos refletindo como a Palavra pode iluminar a pastoral. Creio que a parte final do documento que estamos estudando dará orientações muito práticas para as comunidades", disse o arcebispo de Salvador.

Ele detalhou o processo de construção do documento final, destacando que ele é feito no espírito da colegialidade. "Todos são convidados a dar a sua contribuição neste texto, que deve ser aprovado e apresentado nos próximos dias", disse dom Murilo.

Textos litúrgicos

A respeito da revisão do texto do Missal Romano, dom Armando foi questionado sobre o andamento do trabalho. Ele deixou claro que se trata de um trabalho longo e demorado. "Ainda vai demorar muitos anos, pois já fizemos a revisão do texto das orações do Tempo Comum. Agora estamos na revisão dos prefácios". De acordo com ele, o trabalho deve ser concluindo em cerca de dois anos.

Sobre o mesmo assunto, dom Geraldo recordou o principal desafio do trabalho que é feito atualmente pela CETEL é verificar a fidelidade da tradução ao texto latino. "Estão verificando se o texto em português diz a mesma que o original em latim". Ele esclareceu que até o final deste trabalho, a versão atual continua valendo.

Missão Continental

Ao questionamento sobre a importância da Campanha da Evangelização, realizada pela CNBB no período do Advento, dom Murilo explicou que a participação neste projeto tem melhorado a cada ano. "O mais importante é criar a consciência de que toda a Igreja é missionária, e que é preciso colaborar. Mas sabemos que este processo é demorado".

Sobre este espírito, dom Geraldo recordou a contribuição da V Conferência Geral do Episcopado Latino Americano, realizada em Aparecida (SP) em 2007. "Ser católico é ser discípulo missionário de Jesus. E a Missão Continental não é a realização de eventos, mas um espírito presente na ação da Igreja, em estado permanente de Missão".


Bispos do Brasil já refletem o Tema Central desta 50ª Assembleia Geral

Os bispos reunidos neste 2º dia da Assembleia Geral dos Bispos da CNBB, realizada no Centro de Eventos Padre Vitor Coelho de Almeida, em Aparecida (SP), começaram a discutir o tema central deste ano: "A Palavra de Deus na Vida e Missão da Igreja".

Para dom Murilo Krieger, arcebispo de Salvador (BA), explicou que os mais de 300 bispos reunidos na Assembleia começaram a debater o tema central. "Esse tema central já tinha sido apresentado em 2010, pois, em 2008 aconteceu o Sínodo dos Bispos sobre esse assunto. O documento não ficou pronto a tempo de ser refletido na Assembleia daquele ano. Deixamos para 2011, mas foi ano de eleição na CNBB e não houve tempo hábil para as discussões", disse.

Dom Murilo informou que o texto foi refletido hoje pelos grupos já que a intenção é fazer uma síntese sobre a Palavra de Deus de forma prática e objetiva. "Os documentos da CNBB não representam apenas a opinião de grupos de bispos, mas de todo o episcopado, pois, todos dão a sua contribuição".

O arcebispo de Salvador também comentou sobre a Campanha da Evangelização. Segundo dom Murilo, apesar da campanha ser nova (começou em 2008) tem apresentado muitos frutos. "O importante é deixar claro para nossos leigos que a Igreja deve ser missionária".

Dom Murilo Krieger participou da segunda coletiva de imprensa da Assembleia Geral da CNBB.


Dom Geraldo Lyrio destaca a importância das Assembleias Gerais para a Igreja no Brasil

O arcebispo de Mariana (MG), dom Geraldo Lyrio Rocha, destacou a importância das Assembleias Gerais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) no cenário atual e, ao longo da história do Brasil, durante a entrevista coletiva de imprensa, realizada nesta quinta-feira, 19.

"São 50 Assembleias ao longo dos 60 anos da CNBB. Todas tiveram muita importância tanto para a Igreja quanto para a sociedade", afirmou dom Geraldo, que foi de 2007 a 2010, presidente da Conferência dos Bispos do Brasil.

O arcebispo completou afirmando que a CNBB tem se posicionado com clareza e prontidão diante das várias questões apresentadas pela sociedade atual.

Dom Geraldo ressaltou que, durante a Ditadura Militar brasileira, muitas vozes da sociedade eram silenciadas e uma das poucas a se pronunciar era a Igreja Católica.

Dom Geraldo explicou ainda aos jornalistas que nos primeiros anos da CNBB as Assembleias não eram realizadas anualmente."Nos anos 60, por ocasião do Concílio Ecumênico Vaticano II não se realizaram Assembleias, com exceção de uma Assembleia eletiva. Cada sessão do Concílio durava cerca de quatro meses e ocupada a atenção dos bispos", acrescentou.

O ex-presidente da CNBB mencionou que celebrar a 50ª Assembleia é motivo de júbilo. "Hoje comemoramos e conseguimos perceber os marcos do quanto estes encontros representaram para nós, pastores da Igreja, e para todo o povo de Deus", completou.

Missão Continental

"A Igreja se coloca em estado permanente de missão", afirmou dom Geraldo ao ser questionado sobre os trabalhos da Igreja diante dos desafios de evangelização no Brasil e na América Latina.

Dom Geraldo citou a 5ª Conferência da América Latina e Caribe, realizada em Aparecida, em 2007, que em sua conclusão demonstrou que todos precisam ser discípulos e missionários de Jesus e que esta proposta precisa sempre prosseguir como grande Missão Continental.

"A Missão Continental é um estado de espírito que deve perpassar a todas as dimensões da Igreja", concluiu.

Missal Romano

Dom Geraldo Lyrio Rocha comentou os trabalhos da Comissão Episcopal para a Tradução dos Textos Litúrgicos (Cetel) na revisão do Missal Romano.

"A revisão tem que ser fiel a tradução do latim. Este é um trabalho demorado pela sua exigência na fidelidade dos textos e riqueza em detalhes", acrescentou.

Dom Geraldo destacou que é importante reconhecer a necessidade da formação litúrgica mais intensa e mais profunda para favorecer uma participação mais ativa, mais consciente e proveitosa como ensinou o Concílio Vaticano II.

A Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia é responsável por fazer a revisão dos textos litúrgicos. Seu presidente, dom Armando Bucciol, comentou as palavras de dom Geraldo. Segundo dom Bucciol, a revisão da tradução do Missal Romano ainda deve durar alguns anos e é realizada com o auxilio de especialistas.

"Trata-se de uma revisão e adaptação da linguagem que evolui através dos anos e devemos acompanhar essas modificações. A Igreja reza como crê. A oração da Igreja reflete a sua fé, por isso é importante rever e avaliar bem a revisão da tradução do Missal Romano", completou.


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terça-feira, 17 de abril de 2012

Boletim da CNBB

Boletim Diário da CNBB - 17/04/2012

REFLEXÃO

A Vida nova, a Vida segundo o Espírito, não é algo que a pessoa humana possa conseguir por si mesma, uma vez que é algo que está muito além da sua própria natureza, portanto algo que foge às suas capacidades. A Vida nova é a vida da graça, que nos é dada pelo próprio Deus, a partir do mistério pascal de Jesus. A condição para a participação nessa Vida em Cristo é a fé; todos os que acreditam que Jesus, crucificado, morto e ressuscitado, é o Filho de Deus, a segunda Pessoa da Santíssima Trindade que se fez homem para ser o Emanuel, o Deus conosco, recebem dele o dom da Vida em plenitude, o dom da vida eterna.

COMEMORAÇÕES

Nascimento

  • Dom Jacyr Francisco Braido, CS, Bispo de Santos - SP
  • Dom Edson de Castro Homem, Bispo Auxiliar de São Sebastião do Rio de Janeiro - RJ

Ordenação Presbiteral

  • Dom Antônio Celso de Queirós, Bispo Emérito de Catanduva - SP

Ordenação Episcopal

  • Dom Armando Bucciol, Bispo de Livramento de Nossa Senhora - BA
  • Dom Oneres Marchiori, Bispo Emérito de Lages - SC
NOTÍCIAS

Nota oficial sobre o julgamento da titulação das terras quilombolas

"A garantia da propriedade das terras secularmente ocupadas por eles é dever constitucional e compromisso ético-moral". Desta forma, a presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil se manifestou por meio de nota nesta terça-feira, 17/04, a respeito do julgamento que será realizado pelo Supremo Tribunal Federal quanto à titulação de terras quilombolas pela União. A Conferência recorda no documento que os artigos 215 e 216 da Constituição Federal asseguram aos quilombolas o direito à preservação da própria cultura e do seu patrimônio imaterial. Confira, a seguir, a íntegra da declaração: Nota Sobre as Comunidades Quilombolas Diante do iminente julgamento, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), da Ação Direta de Inconstitucionalidade, que questiona a titulação de terras quilombolas pela União, como determina o Decreto 4887/2003, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil vem ratificar seu apoio à manutenção do referido Decreto, assegurando o atual processo de reconhecimento, demarcação e titulação das terras quilombolas. O Brasil tem uma dívida histórica para com a população afro-brasileira, da qual muitos são remanescentes de quilombos. A garantia da propriedade das terras secularmente ocupadas por eles é dever constitucional e compromisso ético-moral.  Os Quilombos são de vital importância na estruturação da cultura brasileira. São espaço do cultivo da terra para a sobrevivência e também da continuidade de um modo de vida original, rico e diverso, reconhecido mundialmente. Os artigos 215 e 216 da Constituição Federal asseguram aos quilombolas o direito à preservação da própria cultura e do seu patrimônio imaterial. A garantia constitucional do reconhecimento de seus territórios é, portanto, fundamental para a manutenção desta trajetória de resistência.  Acrescente-se, ainda, que o disposto no artigo 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias determina que cabe ao Estado garantir a propriedade dos ocupantes das terras remanescentes dos quilombos. A CNBB, fundada na norma constitucional, insiste no respeito a estes dispositivos legais que garantem a tradição quilombola ligada à posse e a propriedade da terra. Os territórios quilombolas sustentam a memória cultural, a identidade étnica e são o principio de uma existência cidadã. Na fidelidade à opção evangélica e preferencial pelos pobres, a CNBB coloca-se, mais uma vez, ao lado das comunidades Quilombolas para as quais pede especial proteção e bênção de Nossa Senhora Aparecida, padroeira e mãe de todos os brasileiros. Cardeal Dom Raymundo Damasceno AssisArcebispo de AparecidaPresidente da CNBB

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