quinta-feira, 19 de abril de 2012

Boletim da CNBB

Boletim Diário da CNBB - 19/04/2012

REFLEXÃO

Devemos procurar Jesus para que, a partir do encontro pessoal com ele, possamos conhecer o próprio Pai. Quando isso acontece, deixamos de pertencer às coisas da terra, porque assumimos novos valores e encontramos em Deus uma nova motivação para viver: a motivação das coisas do alto. A fonte dessa motivação é o dom do Espírito Santo que é derramado sem medida sobre nós e faz com que reconheçamos nas palavras de Jesus as palavras do próprio Deus, que são fonte de verdadeira alegria e de felicidade eterna para todos os que crêem nelas e as colocam em prática no dia a dia.

COMEMORAÇÕES

Nascimento

  • Dom José Antônio Peruzzo, Bispo de Palmas-Francisco Beltrão - PR

Ordenação Presbiteral

  • Dom Luciano Bergamin, CRL, Bispo de Nova Iguaçu - RJ

Ordenação Episcopal

  • Dom José Maria Pinheiro, Bispo Emérito de Bragança Paulista - SP
  • Dom Emanuel Messias de Oliveira, Bispo de Caratinga - MG
  • Dom Vital Chitolina, SCJ, Bispo de Diamantino - MT
  • Dom José Moreira Bastos Neto, Bispo de Três Lagoas - MS
  • Dom Tarcísio Scaramussa, SDB, Bispo Auxiliar de São Paulo - SP
NOTÍCIAS

Palavra de Deus na pauta do segundo dia da Assembleia dos Bispos

Nesta quinta-feira, 19/04, o segundo dia da 50ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil (AG) vai focalizar o tema central deste encontro. A reflexão sobre "A Palavra de Deus na vida e missão da Igreja" será feita em harmonia com o documento final do Sínodo dos Bispos sobre o tema, realizado em 2010, bem como continuar a reflexão iniciada pelos bispos brasileiros na AG de 2010. O tema vai ocupar boa parte da manhã do encontro, que será apresentado aos bispos e na seguida discutido nos grupos dos regionais. A coordenação será feita por Dom Jacinto Bergmann, arcebispo de Pelotas (RS) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética.A parte da tarde será reservada para discussões de assuntos internos. Às 18 horas, será realizada a Sessão Jubilar da 50ª Assembleia Geral da CNBB. Esta solenidade será aberta à imprensa.

Coletiva de Imprensa desta quinta-feira

Nesta quinta-feira, 19, segundo dia da 50ª Assembleia Geral dos Bispos da CNBB, haverá também a segunda coletiva de imprensa desta Assembleia Geral. Os bispos presentes serão o ex-presidente da CNBB e arcebispo de Mariana (MG), dom Geraldo Lyrio Rocha, atual delegado da CNBB junto ao Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM). Também estarão presentes o arcebispo de Salvador (BA), dom Murilo Sebastião Ramos Krieger e dom Armando Bucciol, bispo de Livramento de Nossa Senhora (BA).

Dom Geraldo Lyrio Rocha

Dom Geraldo Lyrio é capixaba de Fundão. Estudou Filosofia no Seminário Coração Eucarístico de Jesus, em Belo Horizonte e Teologia na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma. Fez mestrado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Santo Tomás de Aquino, em Roma. Especializou-se em Liturgia, pelo Pontifício Instituto Santo Anselmo, também em Roma. Ordenou-se padre no dia 15 de agosto de 1967, em sua cidade natal. Foi bispo auxiliar de Vitória (1984-1990); Vice-presidente do Regional Leste 2 da CNBB; Delegado à Assembléia Especial do Sínodo dos Bispos para a América por eleição da Assembléia da CNBB e confirmado pelo papa João Paulo II (1997); Primeiro bispo de Colatina, Espírito Santo (1990-2002); Primeiro arcebispo metropolitano de Vitória da Conquista (BA) (2002 - 2007); Vice-presidente do CELAM (2003-2007), ex-presidente da CNBB e atual delegado da CNBB junto ao CELAM.

Dom Murilo Sebastião Ramos Krieger

Dom Murilo Krieger é catarinense de Brusque. Estudou Filosofia em Brusque (1964 a 1965) e Teologia no Instituto Teológico Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus, em Taubaté (SP) (1966 a 1969). Frequentou cursos de espiritualidade em Universidades Pontifícias de Roma, em 1980. Após um ano de noviciado, ingressou na Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus, professando os votos religiosos a 2 de fevereiro de 1964. A 7 de dezembro de 1969 foi ordenado sacerdote em Brusque, Santa Catarina. Em 1985, o papa João Paulo II o nomeou bispo auxiliar de Florianópolis (SC), tendo sido ordenado bispo em sua cidade natal, no dia 28 de abril de 1985. Em 1991 foi nomeado bispo de Ponta Grossa (PR). Em 1997 o Papa João Paulo II o nomeou arcebispo de Maringá e em 2002, tornou-se arcebispo de Florianópolis. Aos 12 de janeiro de 2011, o papa Bento XVI o nomeou arcebispo de São Salvador da Bahia. Atualmente membro da Comissão Episcopal Pastoral para a Doutrina da Fé e Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Campanha para a Evangelização da CNBB.

Dom Armando Bucciol

Armando Bucciol nasceu em Villanova de Motta de Livenza (Província de Treviso – Itália), Em 1960, entrou no Seminário diocesano de Vittorio Veneto, onde cursou o 2º grau, Filosofia e Teologia. Foi ordenado sacerdote aos 12 de setembro de 1971, na diocese de Vittorio Veneto. Depois da ordenação, cursou Teologia Pastoral e especializou-se como professor de Ensino Religioso em Perdenone (1973-1975). De 1977 a 1979 estudou Liturgia Pastoral, no Mosteiro Beneditino Santa Justina, em Pádua. Fez o curso de Doutorado na faculdade de Santo Anselmo, em Roma (1979-1980), e, em Pádua, concluiu (1982) com a licenciatura (1993) Doutorado em Sagrada Teologia, com especialização em Liturgia Pastoral. Participou do curso de preparação para missionário no CUM em Verona (Itália) e de inculturação no CENFI, em Brasília. Em 1991 veio ao Brasil como Fidei Donum, atuando na diocese de Caetité (BA), Riacho de Santana (BA), Matina (BA) e Licínio de Almeida (BA). Atualmente é presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da CNBB.


Sessões da 50a Assembleia Geral abertas para a imprensa

Além das costumeiras sessões de abertura e encerramento, este ano, a assembleia dos bispos abrirá as portas para a imprensa em outras ocasiões. Os jornalistas terão livre à arena multiuso do Centro de Eventos Pe. Vítor Coelho de Almeida e ao auditório da TV Aparecida para os eventos. Nesta quarta-feira, 19 de abril, a sessão das 18 hs, em homenagem ao aniversário de 50 assembleias da Conferência; segunda-feira, 23 de abril, também as 18 hs, a sessão solene pelo jubileu de 50 anos do início do Concílio Vaticano II; na quarta feira, 25 de abril, na sessão das 11.15 quando serão apresentados informes sobre a Jornada Mundial da Juventude.Na sexta-feira, dia 20 de abril, as 20.30hs, no auditório da TV Aparecida, serão entregues os prêmios de comunicação da CNBB: "Margarida de Prata" (cinema), "Clara de Assis"(TV); "Microfone de Prata"(Rádio) e "Dom Helder Câmara" (Imprensa).

Dom Édson Damian: "Temos uma dívida social imensa com os povos indígenas"

"Temos uma dívida social imensa com os povos indígenas pelos massacres, genocídios, inomináveis crueldades e injustiças praticadas ao longo destes 512 anos de invasão e extermínio", disse dom Édson Tasquetto Damian, bispo de São Gabriel da Cachoeira (AM), presidente da celebração eucarística realizada no Santuário Nacional de Aparecido neste segundo dia da 50a. Assembleia dos Bispos da CNBB.

Dom Damian é bispo na diocese onde 90% da população é formada por povos indígenas e trabalha em profunda sintonia com o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), um dos organismos vinculados à CNBB com atuação reconhecida na história recente do Brasil. Ele lembrou da fundação do Conselho e destacou: "o seu início, é marcada pelo testemunho dos mártires. Lembro apenas alguns: Pe Rodolfo Lukenbein, Simão Bororo,  Pe João Bosco Penido Burnier, Ângelo Pereira Xavier, cacique Pancaré, Ângelo Kretã, líder dos Kaingang, Marçal Tupã-y, líder Guarani que saudou o papa João Paulo II quando visitou o Brasil em 1980, Ir Cleusa Rody Coelho, Pe Ezechiel Ramin, Ir Jesuíta Vicente Cañas. Xicão Xucuru, Galdino de Jesus, queimado vivo por um bando de jovens em Brasília, Cacique Nísio Gomes Guarani Kaiowá, o último que foi assassinado, em novembro do ano passado, no Mato Grosso do Sul".

O CIMI tem 40 anos de existência que foram comparados por dom Damian, durante a homilia, como "o tempo em que o povo hebreu andou pelo deserto rumo à Terra Prometida e ajudam a manter viva a esperança dos povos indígenas que aguardam o processo de demarcação de 335 territórios e de outros 348 que ainda estão em fase de reivindicação". O bispo de São Gabriel da Cachoeira manifestou seu apreço pelas comunidades indígenas "Sempre me encanto com estes irmãos. Apesar de uma vida dura e penosa nunca perdem a alegria e a fé que se expressam no sorriso límpido, espontâneo, cativante. Quando adoecem demoram até uma semana, nas frágeis embarcações com motor de 'rabeta', para serem transportados a São Gabriel, debaixo de sol abrasador ou de chuva torrencial. Dizia-me um médico que muitos chegam tão debilitados que se torna muito difícil ou até impossível o tratamento".

Dom Damian, diante dos mais de 340 bispos reunidos em Aparecida, compartilhou uma experiência vivida com o Papa Bento XVI. Ele contou que na visita "ad limina"de 2010, ficou surpreso com duas perguntas feitas pelo Papa. A primeira: "O povo da sua região está destruindo a floresta?" Dom Damian disse que teve a alegria de informá-lo "que na bacia do Rio Negro apenas 4% das florestas foram derrubadas, ao passo que em alguns Estados da Amazônia elas já foram totalmente destruídas pela ganância avassaladora das madeireiras, do agronegócio e das hidrelétricas. D. Erwin Kräutler, nosso presidente do CIMI, não se cansa de denunciar a grande destruição  e os minguados resultados da faraônica hidrelétrica de Belo Monte. Os índios são nossos mestres na preservação ambiental e no desenvolvimento sustentável. "Nossa vida depende da vida da floresta", costumava dizer nossa mártir Ir Doroty Stang.

A segunda pergunta feita por Bento XVI foi: "Os índios são bons católicos. Eles se confessam?" Dom Damian respondeu: "Todos, se confessam, desde as crianças que há pouco fizeram a Eucaristia até aos mais idosos. E com um detalhe original. A maioria começa dizendo: 'Agora vou me confessar na minha língua'. Continua contando dom Damian dizendo que o Papa reagiu e o indagou: "E você entende todas as línguas?" E o bispo respondeu: "De que jeito, respondi. São 18 línguas e tão diferentes umas das outras. Mas quem perdoa é o Pai que criou todos os povos e culturas e Ele se entende muito bom com seus filhos prediletos. Assim a boa nova das culturas indígenas acolhe a Boa nova de Jesus".

Antes de terminar a homilia, o bispo de Sao Gabriel da Cachoeira fez um agradecimento: "Agradeço, de coração, a todos os que, com generosidade e abnegação, se dedicam à causa indígena como uma causa do Reino, às missionárias e missionários do CIMI, às dioceses e seus agentes de pastoral, às congregações religiosas,  enfim, a todos os que vivem 'em estado de missão inculturada e se empenham para que nossa Igreja se  torne realmente morada de povos irmãos e, assim também, casa dos povos indígenas".

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A íntegra da homilia cedida por Dom Edson Tasqueto Damian, bispo de São Gabriel da Cachoeira (AM):

"Devemos obedecer antes a Deus do que aos homens. O Deus de nossos pais ressuscitou Jesus, a quem vós matastes, pregando-o numa cruz. Disso nós somos testemunhas, nós e o Espírito Santo, que Deus concedeu àqueles que lhe obedecem" (At 5 30 e 32).

Estas palavras do Apóstolo Pedro fazem ecoar a verdade que o Senhor nos diz Evangelho: "Aquele que vem do Alto, dá testemunho daquilo que viu e ouviu. Quem aceita o seu testemunho atesta que Deus é verdadeiro. Aquele que acredita no Filho possui a vida eterna" (Jo 3, 31-32 e 36).

"O Espírito Santo e nós", congregados nesta jubilosa 50ª Assembléia da CNBB, acima de tudo, expressamos nosso vigoroso testemunho no Bom Pastor Ressuscitado, fundamento de nossa fé e razão de nossa esperança. Ele está vivo no meio de nós. Queremos ser testemunhas dele no seio da  Igreja e no coração mundo.

Na luz e na força do Espírito do Ressuscitado somos hoje convidados a rezar pelos queridos povos indígenas no dia que lhes é dedicado. Queremos também testemunhar e  reder graças a Deus pelos 40 anos de atuação profética do CIMI – Conselho Indigenista  Missionário.

Depois de 20 anos de convivência das Irmãzinhas de Jesus de Charles de Foucuald com o povo Tapirapé, no rio Araguaia, no oitavo ano da ditadura militar, cinco anos depois da extinção do SPI – Serviço de Proteção ao Índio - por corrupção, sadismo e massacres a dinamite e metralhadoras, 10 anos depois início do Vaticano II, quatro anos depois da Conferência de Medellín, no período mais repressivo da história do Brasil, nosso amado e saudoso Dom Ivo Lorscheiter, então secretário geral da CNBB, no dia 23 de abril de 1972, reuniu em Brasília um pequeno grupo de missionários para discutir o projeto de Lei n. 2328 que tramitava na Câmara e dispunha sobre o Estatuto do Índio.

Quem fez parte deste grupo? Além de Dom Ivo, lá estavam D. Henrique Froehlich, D. Geraldo Sigaud, D.Eurico Kräutler, D. Pedro Casaldáliga. D. Tomás Balduíno, D. Estevão Avelar, e os missionários Luís Gomes de Arruda, Tomás de Aquino e Sílvia Wewering.  Estes irmãos da primeira hora foram seguidos por uma multidão de testemunhas "da grande tribulação" (cf Ap 7,14). Temos uma dívida histórica e social imensa com os povos indígenas pelos massacres, genocídios, inomináveis crueldades e injustiças praticadas ao longo destes 512 anos de invasão e extermínio. Os missionários do CIMI desencadearam uma marcha de solidariedade fraterna. Lançaram sementes de esperança e forjaram a possibilidade de sobrevivência através das demarcações de territórios e abertura de novos horizontes.

A história do CIMI, desde o seu início, é marcada pelo testemunho dos mártires. Lembro apenas alguns missionários e indígenas: Pe Rodolfo Lukenbein, Simão Bororo e Pe João Bosco Penido Burnier, Ângelo Pereira Xavier, cacique Pancaré, Ângelo Kretã, líder dos Kaingang, Marçal Tupã-y, líder Guarani que saudou o papa João Paulo II quando visitou o Brasil em 1980. Ir Cleusa Rody Coelho, Pe Ezechiel Ramin, Ir Jesuíta Vicente Cañas. Xicão Xucuru, Galdino de Jesus, queimado vivo por um bando de jovens em Brasília, Cacique Nísio Gomes Guarani Kaiowá, o último que foi assassinado e seu corpo seqüestrado, em novembro do ano passado, no Mato Grosso do Sul.

Os 40 anos de caminhada do CIMI recordam os 40 anos que o povo hebreu andou pelo deserto rumo à Terra Prometida e ajudam a manter viva a esperança dos povos indígenas que aguardam o processo de demarcação de 335 territórios e de outros 348 que ainda estão em fase de reivindicação. Como não lembrar neste momento os 30 anos de luta sofrida e paciente dos índios de Roraima para se apropiarem  da TI Raposa Serra do Sol? Eu era administrador diocesano quando o secretário da presidência da república encarregou-me de comunicar ao presidente do CIR - Conselho Indígena de Roraima - que naquele dia, 15 de abril de 2005, o presidente assinaria o decreto da homologação. Chorando de alegria, o tuchaua Jacir José de Souza, grande líder Macuxi, pronunciou estas palavras inesquecíveis: "Assim como o povo da Bíblia e nós cristãos celebramos todos os anos a festa da Páscoa, o dia 15 de abril será por nós lembrado para sempre como o dia  da libertação da TI Raposa Serra do Sol". Oxalá todos os índios que vivem acampados nas margens das estradas ou confinados em exíguos espaços, possam um dia reaver a terra que lhes pertence e ter  reconhecidos os direitos consignados pela Constituição Federal.

Agora, Deus me concede a imerecida graça de conviver com povos indígenas de 23 etnias, que falam 18 línguas diferentes e constituem mais de 90% da população na longínqua e pobre Igreja de São Gabriel da Cachoeira, na fronteira com a Colômbia e a Venezuela. Em 2014, celebraremos com gratidão os 100 anos de presença evangelizadora dos missionários salesianos e salesianas na imensa bacia do Rio Negro, que abrange 293.000 Km2.

Um dia recebi a visita da sábia antropóloga indigenista, Manuela Carneiro da Cunha. Dom Erwin me segredou que ela varava madrugadas com a equipe de trabalho a fim de encontrar os termos exatos para formular os direitos indígenas na Constituição de 88. Ela estava em São Gabriel para colaborar com outros pesquisadores que haviam descoberto que os índios cultivavam mais de 300 espécies de mandioca. Inclusive sabiam  cruzar as  diferentes espécies. Constataram também que a parte mais importante do enxoval que uma noiva indígena levava para a aldeia do seu futuro marido eram as manivas, isto é, as ramas de mandioca que ela havia aprendido a cultivar com sua mãe. Os casamentos da região são sempre interétnicos. Um indígena sempre se casa com uma jovem de uma etnia diferente. Por isso, a noiva ao mudar-se para a nova aldeia leva consigo as espécies de mandioca que ela aprendeu a cultivar na sua casa paterna.

Quando visito as aldeias espalhadas ao longo dos rios, depois de cansativas jornadas de "voadeira", todos correm até a beira para receber o bispo e o tuchaua me saúda chamando-me de "excelência nosso pastor". "Excelências são vocês", respondo-lhes, que moram tão isolados e vivem desprovidos dos mínimos os recursos. O Rio Negro, apesar de ser o maior afluente do Amazonas, devido às numerosas cachoeiras e à acidez de suas águas, é chamado de "rio da fome", pois não fornece peixes nem para saciar a fome dos seus ribeirinhos.

Sempre me encanto com estes irmãos. Apesar de uma vida dura e penosa nunca perdem a alegria e a fé que se expressam no sorriso límpido, espontâneo, cativante. Quando adoecem demoram até uma semana, nas frágeis embarcações com motor de "rabeta", para serem transportados a São Gabriel, debaixo de sol abrasador ou de chuva torrencial. Dizia-me um médico que muitos chegam tão debilitados que se torna muito difícil ou até impossível o tratamento.

Na audiência particular com o Papa Bento, durante a "visita ad limina"de 2010, fiquei surpreso com a primeira pergunta que me fez: "O povo da sua região está destruindo a floresta?" Tive alegria de informá-lo de que na bacia do Rio Negro apenas 4% das florestas foram derrubadas, ao passo que em alguns Estados da Amazônia elas já foram totalmente destruídas pela ganância avassaladora das madeireiras, do agronegócio e das hidrelétricas. D. Erwin Kräutler, nosso presidente do CIMI, não se cansa de denunciar a grande destruição  e os minguados resultados da faraônica hidrelétrica de Belo Monte. Os índios são nossos mestres na preservação ambiental e no desenvolvimento sustentável. "A morte da floresta é o fim da nossa vida", costumava dizer nossa mártir Ir Doroty Stang.

Papa também me perguntou: "Os índios são bons católicos. Eles se confessam?" Todos, se confessam, respondi-lhe, desde as crianças que há pouco fizeram a Eucaristia até aos mais idosos. E com um detalhe original. A maioria começa dizendo: "Agora vou me confessar na minha língua". E o Papa reagiu: "E você entende todas as línguas?" De que jeito, respondi. São 18 línguas e tão diferentes umas das outras. Mas quem perdoa é o Pi que criou todos os povos e culturas e Ele se entende muito bom com seus filhos prediletos". Assim a boa nova das culturas indígenas acolhe a Boa nova de Jesus.

Muitas vezes, no meio dos povos indígenas, sentimos a presença de Deus e a verdade profética da palavra de S. Paulo (cf. Is 52,15): "Vê-lo-ão aqueles a quem não foi anunciado e haverão de conhecê-lo aqueles que dele não ouviram falar" ( Rm 15,21). Ao defender os projetos históricos dos povos indígenas, redescobrimos o Deus da Bíblia, que faz aliança com os pobres. O Deus, cuja justiça favorece as vítimas; o Deus do despojamento e da gratuidade, da proximidade e da libertação.

Agradeço, de coração, a todos os que, com generosidade e abnegação, se dedicam à causa indígena como uma causa do Reino, às missionárias e missionários do CIMI, às dioceses, prelazias e seus agentes de pastoral, às congregações religiosas,  enfim, a todos os que vivem "em estado de missão inculturada (DAp, n.213) e se empenham para que nossa Igreja se  torne realmente morada de povos irmãos e, assim também, casa dos povos indígenas (cf DAp, n.8).

Permitam-me, por fim, que diga um "bom dia" aos meus diocesanos nas três línguas indígenas que, em São Gabriel da Cachoeira, são consideradas oficiais, além do português:

"Puranga ara" – "Puraga"( Nheengatu ou Língua Geral)"Hekoapi waikaa"  - "Waikaa"(Baniwa)"Wã'kati, masã" – "Wã'ká" (Tukano).

Um cordial abraço aos primeiros integrantes da Fazenda da Esperança de S. Gabriel, inaugurada no dia 24 de março, com as bênçãos do Cardeal Dom Cláudio Hummes, presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia.

Divino e adorável Bom Pastor Ressuscitado, querida Mãe Aparecida, abençoai e acompanhai com carinho nossas irmãs e irmãos  indígenas. Dai força e coragem às heróicas missionárias e missionários que convivem com eles e lutam para ajudá-los na conquista dos seus direitos. Respeitadas as nossas diferenças e enriquecidos por elas, somos todos iguais, porque somos todos irmãos no amor do Pai, no abraço Redentor do Filho, na comunhão do Espírito Santo.

Dom Edson Tasquetto DamianBispo de São Gabriel da Cachoeira (AM)


CIMI: 40 anos de luta a favor dos povos indígenas

A presença da Igreja nas aldeias juntos aos povos indígenas, em uma perspectiva de solidariedade, de doação, de respeito e de generosa aceitação das culturas. Esta é a missão do Conselho Indiginista Missionário (CIMI), conforme afirmou o bispo da Prelazia de Xingu (PA) e presidente do CIMI, Dom Erwin Krautler. "Precisamos sensibilizar a sociedade, pois só envolvendo as pessoas com os sofrimentos desse povo vamos conseguir conscientizar que temos uma grande dívida com os povos indígenas", afirmou o bispo. Fundado em 1972, o CIMI celebra neste ano 40 anos de lutas a favor dos povos indígenas. De acordo com Dom Erwin o que mais marcou a luta do CIMI ao longo destes anos foi o sangue derramado de seus mártires. "Acredito que não exista uma pastoral que tenha gerado tantos mártires quanto esta. O sangue derramado dos mártires é a semente dessa luta pela ressurreição dos povos indígenas", acrescentou.Dom Erwin destacou que o atual cenário dos povos indígenas não é favorável à suas lutas. "A política indigenista oficial não é favorável aos povos indígenas. Lamentamos que embora os índios estejam ancorados pela lei, ela não seja respeitada", concluiu.

Bispos falam sobre os trabalhos do segundo dia da 50ª AG

Durante entrevista coletiva realizada na tarde desta quinta-feira, 19/04, os bispos apresentaram um resumo das atividades realizadas neste dia na 50ª Assembleia Geral (AG). Participaram da coletiva o arcebispo de Mariana (MG), dom Geraldo Lyrio Rocha, atual delegado da CNBB junto ao Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM); o arcebispo de Salvador (BA), dom Murilo Sebastião Ramos Krieger e dom Armando Bucciol, bispo de Livramento de Nossa Senhora (BA).

Cada bispo fez uma breve exposição sobre os temas discutidos hoje na AG. O tema central, "A Palavra de Deus na vida e missão da Igreja"; o trabalho da Comissão Episcopal dos Textos Litúrgicos (CETEL), que hoje fez a exposição do andamento da revisão do texto do Missal Romano; e também a celebração do Jubileu das Assembleias Gerais da CNBB.

Jubileu das Assembleias Gerais

O destaque foi a importância da contribuição das Assembleias para a caminhada da Igreja no Brasil, que será lembrado na sessão solene no início da noite de hoje. "A reunião deste grupo cria vínculos de amizade, de fraternidade, de pastores conscientes da responsabilidade com a caminhada da Igreja no Brasil", lembrou dom Murilo. "Os marcos luminosos das contribuições das AG representam muito para todos nós", afirmou dom Geraldo.

Palavra de Deus

Em relação ao tema central desta 50ª AG, dom Murilo lembrou que este tema já foi abordado em 2010, inspirado pelo Sínodo dos Bispos sobre a Palavra de Deus, convocado pelo papa Bento XVI em 2008. "Estamos refletindo como a Palavra pode iluminar a pastoral. Creio que a parte final do documento que estamos estudando dará orientações muito práticas para as comunidades", disse o arcebispo de Salvador.

Ele detalhou o processo de construção do documento final, destacando que ele é feito no espírito da colegialidade. "Todos são convidados a dar a sua contribuição neste texto, que deve ser aprovado e apresentado nos próximos dias", disse dom Murilo.

Textos litúrgicos

A respeito da revisão do texto do Missal Romano, dom Armando foi questionado sobre o andamento do trabalho. Ele deixou claro que se trata de um trabalho longo e demorado. "Ainda vai demorar muitos anos, pois já fizemos a revisão do texto das orações do Tempo Comum. Agora estamos na revisão dos prefácios". De acordo com ele, o trabalho deve ser concluindo em cerca de dois anos.

Sobre o mesmo assunto, dom Geraldo recordou o principal desafio do trabalho que é feito atualmente pela CETEL é verificar a fidelidade da tradução ao texto latino. "Estão verificando se o texto em português diz a mesma que o original em latim". Ele esclareceu que até o final deste trabalho, a versão atual continua valendo.

Missão Continental

Ao questionamento sobre a importância da Campanha da Evangelização, realizada pela CNBB no período do Advento, dom Murilo explicou que a participação neste projeto tem melhorado a cada ano. "O mais importante é criar a consciência de que toda a Igreja é missionária, e que é preciso colaborar. Mas sabemos que este processo é demorado".

Sobre este espírito, dom Geraldo recordou a contribuição da V Conferência Geral do Episcopado Latino Americano, realizada em Aparecida (SP) em 2007. "Ser católico é ser discípulo missionário de Jesus. E a Missão Continental não é a realização de eventos, mas um espírito presente na ação da Igreja, em estado permanente de Missão".


Bispos do Brasil já refletem o Tema Central desta 50ª Assembleia Geral

Os bispos reunidos neste 2º dia da Assembleia Geral dos Bispos da CNBB, realizada no Centro de Eventos Padre Vitor Coelho de Almeida, em Aparecida (SP), começaram a discutir o tema central deste ano: "A Palavra de Deus na Vida e Missão da Igreja".

Para dom Murilo Krieger, arcebispo de Salvador (BA), explicou que os mais de 300 bispos reunidos na Assembleia começaram a debater o tema central. "Esse tema central já tinha sido apresentado em 2010, pois, em 2008 aconteceu o Sínodo dos Bispos sobre esse assunto. O documento não ficou pronto a tempo de ser refletido na Assembleia daquele ano. Deixamos para 2011, mas foi ano de eleição na CNBB e não houve tempo hábil para as discussões", disse.

Dom Murilo informou que o texto foi refletido hoje pelos grupos já que a intenção é fazer uma síntese sobre a Palavra de Deus de forma prática e objetiva. "Os documentos da CNBB não representam apenas a opinião de grupos de bispos, mas de todo o episcopado, pois, todos dão a sua contribuição".

O arcebispo de Salvador também comentou sobre a Campanha da Evangelização. Segundo dom Murilo, apesar da campanha ser nova (começou em 2008) tem apresentado muitos frutos. "O importante é deixar claro para nossos leigos que a Igreja deve ser missionária".

Dom Murilo Krieger participou da segunda coletiva de imprensa da Assembleia Geral da CNBB.


Dom Geraldo Lyrio destaca a importância das Assembleias Gerais para a Igreja no Brasil

O arcebispo de Mariana (MG), dom Geraldo Lyrio Rocha, destacou a importância das Assembleias Gerais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) no cenário atual e, ao longo da história do Brasil, durante a entrevista coletiva de imprensa, realizada nesta quinta-feira, 19.

"São 50 Assembleias ao longo dos 60 anos da CNBB. Todas tiveram muita importância tanto para a Igreja quanto para a sociedade", afirmou dom Geraldo, que foi de 2007 a 2010, presidente da Conferência dos Bispos do Brasil.

O arcebispo completou afirmando que a CNBB tem se posicionado com clareza e prontidão diante das várias questões apresentadas pela sociedade atual.

Dom Geraldo ressaltou que, durante a Ditadura Militar brasileira, muitas vozes da sociedade eram silenciadas e uma das poucas a se pronunciar era a Igreja Católica.

Dom Geraldo explicou ainda aos jornalistas que nos primeiros anos da CNBB as Assembleias não eram realizadas anualmente."Nos anos 60, por ocasião do Concílio Ecumênico Vaticano II não se realizaram Assembleias, com exceção de uma Assembleia eletiva. Cada sessão do Concílio durava cerca de quatro meses e ocupada a atenção dos bispos", acrescentou.

O ex-presidente da CNBB mencionou que celebrar a 50ª Assembleia é motivo de júbilo. "Hoje comemoramos e conseguimos perceber os marcos do quanto estes encontros representaram para nós, pastores da Igreja, e para todo o povo de Deus", completou.

Missão Continental

"A Igreja se coloca em estado permanente de missão", afirmou dom Geraldo ao ser questionado sobre os trabalhos da Igreja diante dos desafios de evangelização no Brasil e na América Latina.

Dom Geraldo citou a 5ª Conferência da América Latina e Caribe, realizada em Aparecida, em 2007, que em sua conclusão demonstrou que todos precisam ser discípulos e missionários de Jesus e que esta proposta precisa sempre prosseguir como grande Missão Continental.

"A Missão Continental é um estado de espírito que deve perpassar a todas as dimensões da Igreja", concluiu.

Missal Romano

Dom Geraldo Lyrio Rocha comentou os trabalhos da Comissão Episcopal para a Tradução dos Textos Litúrgicos (Cetel) na revisão do Missal Romano.

"A revisão tem que ser fiel a tradução do latim. Este é um trabalho demorado pela sua exigência na fidelidade dos textos e riqueza em detalhes", acrescentou.

Dom Geraldo destacou que é importante reconhecer a necessidade da formação litúrgica mais intensa e mais profunda para favorecer uma participação mais ativa, mais consciente e proveitosa como ensinou o Concílio Vaticano II.

A Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia é responsável por fazer a revisão dos textos litúrgicos. Seu presidente, dom Armando Bucciol, comentou as palavras de dom Geraldo. Segundo dom Bucciol, a revisão da tradução do Missal Romano ainda deve durar alguns anos e é realizada com o auxilio de especialistas.

"Trata-se de uma revisão e adaptação da linguagem que evolui através dos anos e devemos acompanhar essas modificações. A Igreja reza como crê. A oração da Igreja reflete a sua fé, por isso é importante rever e avaliar bem a revisão da tradução do Missal Romano", completou.


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