sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Boletim da CNBB

Boletim Diário da CNBB - 15/02/2013

REFLEXÃO

As práticas religiosas não podem ser simples ritualismos que cumprimos por costume ou tradição. Os fariseus e os discípulos de João faziam jejum, cumprindo os valores tradicionais da religiosidade de sua época, mas o cumprimento desses valores não lhes foi suficiente para que se tornassem capazes de reconhecer o tempo em que estavam vivendo e por quem foram visitados, de modo que não puderam viver a alegria de quem tem o próprio Deus presente em suas vidas e nem puderam usufruir de forma mais plena essa presença de graça. Somente quem viver uma verdadeira religiosidade que seja capaz de estabelecer um relacionamento profundo e maduro com Deus e perceber os seus apelos nos dos sinais dos tempos pode colher os frutos dessa religiosidade.

COMEMORAÇÕES

Nascimento

  • Cardeal Raymundo Damasceno Assis, Arcebispo de Aparecida - SP

Ordenação Episcopal

  • Dom Afonso Fioreze, CP, Bispo de Luziânia - GO
NOTÍCIAS

Dom Leonardo: "a Igreja no Brasil deseja convidar os jovens a serem verdadeiros discípulos missionários no mundo de hoje"

Brasília, 13 de fevereiro de 2013

CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2013Fraternidade e JuventudeEis-me aqui, envia-me! (Is 6,8)

O cristão vive da esperança e do amor! Amor visibilizado na pessoa de Jesus Cristo, no seu modo de viver e conviver. Esperança despertada pela morte e ressurreição do Filho de Deus. A vida, morte-ressurreição de Jesus Cristo concede ao cristão a vida do amor e a esperança do Reino definitivo!

Iniciamos hoje nosso caminho pascal. Os quarenta dias que precedem a Cruz e a Ressurreição sinalizam o caminho que a Igreja, na liturgia, nos oferece como possibilidade de sermos atingidos pela experiência salvadora de Jesus Cristo. Nas celebrações, as leituras nos provocarão a seguir o Senhor até o "clarear do novo dia".

O clarear no "novo dia" surge do processo da conversão que a quaresma nos possibilita. Durante esse tempo especial, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB nos apresenta a Campanha da Fraternidade como itinerário de conversão pessoal, comunitária e social. Esta experiência começou há 50 anos, em Nísia Floresta, na Arquidiocese de Natal, e, desde então, vem propondo temas de grande relevância para a Igreja e a sociedade brasileira. Para a quaresma deste ano, o tema escolhido é Juventude e Fraternidade. O lema é inspirado no profeta Isaías 6,8: "Eis-me aqui! Envia-me".

A Campanha da Fraternidade de 1992 abordou o tema da Juventude. Igreja no Brasil, ao repropor a Juventude como tema da Campanha da Fraternidade, nesse tempo de mudança de época, deseja refletir, rezar com os jovens, reapresentando-lhes o Evangelho como sentido de vida e, ao mesmo tempo, como missão. A Campanha é um convite para nos convertermos e irmos ao encontro dos jovens e, ao mesmo tempo, é um convite aos jovens para se deixarem encontrar por Jesus Cristo, caminho, verdade e vida (Jo 14,6) e serem protagonistas da civilização do amor.

A Campanha deste ano abre a possibilidade de refletirmos e mesmo nos questionarmos a partir do Evangelho e da realidade dos jovens. Por um lado, admirar a generosidade, a criatividade, a disponibilidade, os ideais dos nossos jovens. Por outro lado, perguntarmos por que tantos assassinados, porque tanta violência contra os jovens? Por que a maioria da população carcerária é jovem? E ainda questionar por que a maioria dos jovens assassinados e encarcerados é afrodescendente? O que realizamos a favor dos jovens das comunidades originais, como indígenas e quilombolas? Qual a nossa contribuição pessoal, comunitária, social, governamental, eclesial, no enfrentamento desta realidade? O que estamos fazendo, quais as nossas iniciativas para dar horizonte, sentido de vida, dignidade aos jovens? O que oferecemos aos nossos filhos e filhas em casa, nas escolas, na universidade? Vale lembrar que apenas informações não plenificam uma vida. São as relações maduras e livres, critérios e valores perenes que iluminam a vida de toda a pessoa, por isso também dos jovens.

A Campanha deseja ser uma palavra de ânimo aos nossos jovens que participam ativamente nas nossas Comunidades de Fé, no cuidado dos pobres e idosos, no anúncio do Reino de Deus manifestado e realizado em Jesus Cristo. Ela convida a juventude a ocupar e usar os novos ambientes digitais para o anúncio e exercício da liberdade e da verdade que o Evangelho propõe. Animar nossos jovens para participarem da política na luta contra a corrupção e na busca de uma sociedade mais fraterna, justa e iluminada pelos direitos da pessoa. Uma vida animada pelo belo, pelo bem, pela verdade e pela liberdade.

A Campanha da Fraternidade é o início da peregrinação próxima para a Jornada Mundial da Juventude. A Semana Missionária e o encontro dos jovens peregrinos de todo o mundo no Rio de Janeiro serão a expressão da vitalidade da Igreja e da sociedade. Ao assumir como lema o espírito missionário da JMJ 2013 indicado pelo Santo Padre Bento XVI, Ide e fazei discípulos entre todas as nações (cf. Mt 28,19),   Jovens colocando-se a serviço da evangelização, também através dos novos ambientes de comunicação. Vivendo e testemunhando a graça e a beleza de ser cristãos. Beleza, porque partícipes da vida do Reino e, por isso, tocados por Deus que alegra a nossa juventude. Alegra a nossa juventude, pois tomados pelo vigor de Deus: amar sem medida, gratuitamente! Os nossos jovens deixam transparecer o que é próprio de toda a pessoa humana: amar na gratuidade, tomados pela esperança!

Agradecemos com carinho filial o cuidado do Santo Padre Bento XVI que, a cada ano, durante seu pontificado, enviou à Igreja no Brasil palavras de orientação e incentivo para que a Campanha da Fraternidade frutificasse em amor e solidariedade para com os menos favorecidos da sociedade.

Aproveitemos o tempo da Quaresma para rezar pela Igreja que vive este momento especial de eleição do novo papa, sucedendo a Bento XVI cuja renúncia ele próprio anunciou na última segunda-feira. Supliquemos à Mãe Aparecida abençoá-lo, protegê-lo e ampará-lo, e que ele continue ajudando a Igreja com suas preces.

Leonardo Ulrich SteinerBispo Auxiliar de BrasíliaSecretário Geral da CNBB


Dom Leonardo: "a Igreja no Brasil deseja convidar os jovens a serem verdadeiros discípulos missionários no mundo de hoje"

No último dia 13 de fevereiro, aconteceu na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o Lançamento da Campanha da Fraternidade 2013. Veja a íntegra do discurso feito pelo secretário geral da CNBB, dom Leonardo Steiner.

Brasília, 13 de fevereiro de 2013

CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2013Fraternidade e JuventudeEis-me aqui, envia-me! (Is 6,8)

O cristão vive da esperança e do amor! Amor visibilizado na pessoa de Jesus Cristo, no seu modo de viver e conviver. Esperança despertada pela morte e ressurreição do Filho de Deus. A vida, morte-ressurreição de Jesus Cristo concede ao cristão a vida do amor e a esperança do Reino definitivo!

Iniciamos hoje nosso caminho pascal. Os quarenta dias que precedem a Cruz e a Ressurreição sinalizam o caminho que a Igreja, na liturgia, nos oferece como possibilidade de sermos atingidos pela experiência salvadora de Jesus Cristo. Nas celebrações, as leituras nos provocarão a seguir o Senhor até o "clarear do novo dia".

O clarear no "novo dia" surge do processo da conversão que a quaresma nos possibilita. Durante esse tempo especial, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB nos apresenta a Campanha da Fraternidade como itinerário de conversão pessoal, comunitária e social. Esta experiência começou há 50 anos, em Nísia Floresta, na Arquidiocese de Natal, e, desde então, vem propondo temas de grande relevância para a Igreja e a sociedade brasileira. Para a quaresma deste ano, o tema escolhido é Juventude e Fraternidade. O lema é inspirado no profeta Isaías 6,8: "Eis-me aqui! Envia-me".

A Campanha da Fraternidade de 1992 abordou o tema da Juventude. Igreja no Brasil, ao repropor a Juventude como tema da Campanha da Fraternidade, nesse tempo de mudança de época, deseja refletir, rezar com os jovens, reapresentando-lhes o Evangelho como sentido de vida e, ao mesmo tempo, como missão. A Campanha é um convite para nos convertermos e irmos ao encontro dos jovens e, ao mesmo tempo, é um convite aos jovens para se deixarem encontrar por Jesus Cristo, caminho, verdade e vida (Jo 14,6) e serem protagonistas da civilização do amor.

A Campanha deste ano abre a possibilidade de refletirmos e mesmo nos questionarmos a partir do Evangelho e da realidade dos jovens. Por um lado, admirar a generosidade, a criatividade, a disponibilidade, os ideais dos nossos jovens. Por outro lado, perguntarmos por que tantos assassinados, porque tanta violência contra os jovens? Por que a maioria da população carcerária é jovem? E ainda questionar por que a maioria dos jovens assassinados e encarcerados é afrodescendente? O que realizamos a favor dos jovens das comunidades originais, como indígenas e quilombolas? Qual a nossa contribuição pessoal, comunitária, social, governamental, eclesial, no enfrentamento desta realidade? O que estamos fazendo, quais as nossas iniciativas para dar horizonte, sentido de vida, dignidade aos jovens? O que oferecemos aos nossos filhos e filhas em casa, nas escolas, na universidade? Vale lembrar que apenas informações não plenificam uma vida. São as relações maduras e livres, critérios e valores perenes que iluminam a vida de toda a pessoa, por isso também dos jovens.

A Campanha deseja ser uma palavra de ânimo aos nossos jovens que participam ativamente nas nossas Comunidades de Fé, no cuidado dos pobres e idosos, no anúncio do Reino de Deus manifestado e realizado em Jesus Cristo. Ela convida a juventude a ocupar e usar os novos ambientes digitais para o anúncio e exercício da liberdade e da verdade que o Evangelho propõe. Animar nossos jovens para participarem da política na luta contra a corrupção e na busca de uma sociedade mais fraterna, justa e iluminada pelos direitos da pessoa. Uma vida animada pelo belo, pelo bem, pela verdade e pela liberdade.

A Campanha da Fraternidade é o início da peregrinação próxima para a Jornada Mundial da Juventude. A Semana Missionária e o encontro dos jovens peregrinos de todo o mundo no Rio de Janeiro serão a expressão da vitalidade da Igreja e da sociedade. Ao assumir como lema o espírito missionário da JMJ 2013 indicado pelo Santo Padre Bento XVI, Ide e fazei discípulos entre todas as nações (cf. Mt 28,19),  a Igreja no Brasil deseja convidar os jovens a serem verdadeiros discípulos missionários no mundo de hoje. Jovens colocando-se a serviço da evangelização, também através dos novos ambientes de comunicação. Vivendo e testemunhando a graça e a beleza de ser cristãos. Beleza, porque partícipes da vida do Reino e, por isso, tocados por Deus que alegra a nossa juventude. Alegra a nossa juventude, pois tomados pelo vigor de Deus: amar sem medida, gratuitamente! Os nossos jovens deixam transparecer o que é próprio de toda a pessoa humana: amar na gratuidade, tomados pela esperança!

Agradecemos com carinho filial o cuidado do Santo Padre Bento XVI que, a cada ano, durante seu pontificado, enviou à Igreja no Brasil palavras de orientação e incentivo para que a Campanha da Fraternidade frutificasse em amor e solidariedade para com os menos favorecidos da sociedade.

Aproveitemos o tempo da Quaresma para rezar pela Igreja que vive este momento especial de eleição do novo papa, sucedendo a Bento XVI cuja renúncia ele próprio anunciou na última segunda-feira. Supliquemos à Mãe Aparecida abençoá-lo, protegê-lo e ampará-lo, e que ele continue ajudando a Igreja com suas preces.

Leonardo Ulrich SteinerBispo Auxiliar de BrasíliaSecretário Geral da CNBB


Núncio Apostólico presente na celebração dos 50 anos da CF

O Núncio Apostólico no Brasil, dom Giovanni d"Aniello, participou nesta sexta-feira, 15 de fevereiro, em Nísia Floresta (RN) da cerimônia que marcou os 50 anos da Campanha da Fraternidade, promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. A seguir, reproduzimos a íntegra do discurso apresentado por ele na solenidade.

 

Eminências e Excelências Reverendíssimas

Distintos membros do Regional Nordeste 2 da CNBB

Meus amigos,

Agradeço de coração o convite para participar do lançamento da Campanha da Fraternidade de 2013, numa celebração que faz parte da comemoração dos 50 anos que, por iniciativa do saudoso Cardeal Dom Eugênio de Araújo Salles, iniciou sua caminhada de solidariedade e de esperança da Igreja no Brasil.

Ao Arcebispo de Natal, Dom Jaime Vieira da Rocha, minhas sinceras homenagens de gratidão também por aceitar que a celebração fosse realizada nesta Igreja local, relembrando a primeira Campanha realizada na Arquidiocese de Natal, em abril de 1962.

A visita de Suas Eminências e Excelências a Nísia Floresta e Timbó teve um expressivo significado para a história da evangelização no Brasil, pois refletia a particularidade de recordar o objetivo primordial da Campanha, destinada a recolher meios para as obras sociais e apostólicas da Arquidiocese. Sua importância foi logo percebida, pois, nos anos seguintes, estendeu-se, através de seus diversos temas, a todo o território nacional.

Como foi justamente ressaltado pelo Secretário Executivo da Campanha, o Padre Luiz Carlos Dias, a edição de 2013, além de ser um momento comemorativo, será também um momento de revisão da Campanha da Fraternidade, frisando a necessidade de um aprimoramento da Campanha para que esta possa ser sempre mais um "forte poder de evangelização".

Penso que todos estamos de acordo que esta celebração adquire uma importância ainda maior, considerando que estamos no Ano da Fé que, como afirmou o Santo Padre, foi instituído para suscitar "em cada crente, o anseio de confessar a fé plenamente e com renovada convicção, com confiança e esperança" (Carta Apostólica Porta Fidei, 9). Nesse sentido, o tema da Campanha, sugerido e aprovado para este ano, não podia ter sido melhor: "Fraternidade e Juventude". Por certo, as diretrizes propostas são dirigidas a todos os católicos indistintamente, mas existe uma feliz coincidência no seu objetivo, se pensarmos que, dentro de poucos meses, o Brasil será sede da Jornada Mundial da Juventude.

Essa convocação foi feita pelo Papa Bento XVI ao anuncia o lema da Jornada Mundial da Juventude Rio 2013. "Ide e fazei discípulos entre todas as nações" (Mt 28,19), durante a audiência geral no dia 24 de agosto.

Em 2011, na Capital da Espanha, o Papa chamou aquela Jornada de "uma formidável experiência de fraternidade, de encontro com o Senhor, de partilha e de crescimento na fé: uma verdadeira cascata de luz".

Por isso, é tão importante que os jovens do Brasil e do mundo assumam desde agora esse chamado à missão e participem da Jornada como testemunhas vivas do Cristo.

Esse tema é para ser refletido e meditado: fazer discípulos e chamar outras pessoas para a comunhão e o convívio com o Senhor. Esse mandato, essa missão já está anunciada nos Evangelhos. E, na verdade, só faz discípulo quem já é discípulo, quem convive com o Senhor.

"O que ganha o discípulo de Jesus? Ganha a pertença ao reino, a certeza do amor de Deus, ganha a certeza de ser para os outros sinal de misericórdia e amor. Ganha o levar e doar a paz do Senhor.  São esses os frutos e os dons de que o mundo mais precisa. O perdão, a misericórdia, a paz é que farão diminuir na sociedade, no mundo de hoje, a violência, a guerra, a corrupção, a maldade, tudo aquilo que tira a possibilidade do jovem crescer e colocar toda a sua riqueza e vitalidade a serviço da humanidade", afirmou o Papa.

No mandato final do texto de Mateus – "Ide e fazei discípulos entre todas as nações" – está o grande sonho de todos, porque o contato com o Senhor, a amizade com Ele, desperta o que cada um tem de melhor em si mesmo.

"Vivemos num mundo onde há muitos desperdícios, perdas humanas por falta de chance. O convívio com o Senhor desperta o que temos de melhor. O  anúncio "Ide e fazei discípulos entre todas as nações" é um anúncio para a vida toda. Em nenhum momento podemos interrompe-lo, porque ele supõe que quem é amigo do Senhor, por sua vida e por seu estar no mundo, comunica aos outros a luz, a beleza e a alegria de ser discípulo do Senhor. Essa é a missão de que precisa a nossa Igreja".

"Ide e fazei discípulos entre todas as nações!" (Mt 28,19) é o lema da Campanha.

Confiando-nos este mandato, o Senhor quis acentuar a confiança que em nós deposita e confirmar os sentimentos de amizade que nutre por aqueles que estão dispostos a segui-lo.

Amigos e mensageiros! Que combinação maravilhosa, que descoberta extraordinária a de saber-nos amigos de Cristo e seus colaboradores na construção do Reino. Mas também, quanta disponibilidade encerra e quão grande tem de ser nossa consciência ao sabermos que o Senhor quer servir-se de nós para espalhar seu amor pelo mundo inteiro.

Como disse o Santo Padre Bento XVI em sua mensagem à Juventude em 2012: "A Igreja tem a vocação de levar ao mundo a alegria; uma alegria autêntica e duradoura, aquela que os anjos anunciaram aos pastores de Belém na noite do nascimento de Jesus (cf. Lc 2,10). No difícil contexto atual, muitos jovens ao vosso redor tem uma imensa necessidade de sentir que a mensagem cristã é uma mensagem de alegria e de esperança!"

Como a Igreja nos ensina, esta missão tem de ser levada à frente com amor.

Como nos lembra o Santo Padre Bento XVI em sua encíclica: Deus caritas est, esse amor não é uma condição abstrata, mas é uma pessoa: Jesus; é um acontecimento através de sua encarnação, morte e ressurreição. Algo que não acabou, mas que se repete e que age em todos os momentos de nossa vida através da ação do Espírito Santo: a redenção continua sempre.

A humanidade tem caminhado ainda agora e sempre caminhará com fome da palavra e do conhecimento de Deus, mesmo que muitas pessoas não estejam conscientes dessa profunda necessidade de suas almas. E ao conceder-nos o dom da fé, o Senhor impõe-nos o dever de despertarmos e de despertar aqueles que se encontram mergulhados no sono da ineficácia e da morte.

Compete-nos o dever diário de renovar o desejo de colocar Cristo no cume e no íntimo das realidades humanas. Para isso, é necessário crescer no relacionamento pessoal com Deus e na entrega aos outros, contribuindo com o nosso grãozinho de areia – a entrega diária total – para a construção de um mundo renovado pela graça e pelo sal do Evangelho, que o Senhor confiou aos seus discípulos.

Precisamente por isso, a formação da juventude deve ter sempre uma especial importância nas diretrizes pastorais de cada Diocese. Em várias ocasiões, o Santo Padre Bento XVI fez notar as contradições do tempo em que vivemos. "Em várias partes do mundo, existe hoje um estranho esquecimento de Deus. Parece que tudo caminha igualmente sem Ele. Mas existe, ao mesmo tempo, também um sentimento de frustração, de insatisfação de tudo e de todos. É espontâneo exclamar: não é possível que esta seja a vida! Deveras, não. E assim, juntamente com o esquecimento de Deus existe um "boom" do religioso. Não quero desacreditar – diz o Santo Padre – tudo o que existe neste contexto. Pode existir nisto também a alegria sincera da descoberta. Mas para dizer a verdade, não raramente a religião se torna quase um produto de consumo. Escolhe-se aquilo de que se gosta, e alguns sabem até tirar dela algum proveito. Mas a religião procurada a seu 'bel-prazer' no fim não nos ajuda" (Homilia, 21-8-2005). E o Papa concluía com o seguinte convite: "Ajudai os homens a descobrir a verdadeira estrela que nos indica o caminho: Jesus Cristo!"

Não é por acaso esse risco que a nossa juventude está correndo? Analisando os ensinamento dos Santos Padres, Bento XVI detém-se num ponto de particular importância para os momentos atuais. Ele afirma que o grande erro das antigas religiões pagãs consistiu em ignorar os caminhos traçados no fundo das almas pela Sabedoria divina. "Por isso, o ocaso da religião pagã era inevitável: fluía como consequência lógica do afastamento da religião reduzida a um conjunto artificial de cerimônias, convenções e hábitos" (Discurso na audiência geral, 21-2-2007). O Papa acrescenta que os antigos Padres e escritores cristãos, pelo contrário, optaram pela "verdade do ser contra o mito do costume" (Ibidem). Tertuliano, como menciona o Pontífice, escreveu: "Dominus noster Christus veritatem se, non consuetudinem, cognominavit Cristo afirmou ser a verdade, não o costume". (Sobre o véu das virgens, I, 1 PL 2,889). O Sucessor de Pedro nos assinala que "a este propósito observe-se que a palavra consuetudo, aqui empregada por Tertuliano referindo-se à religião pagã, pode ser traduzida nas línguas modernas com as expressões <<moda cultural>>, <<moda do tempo>>" (Ibidem).

Não tenhamos dúvidas: apesar da aparente vitória do relativismo em alguns lugares, esse modo de pensar e de desorientar tantas pessoas acabará por desmoronar como um castelo de cartas de baralho, por não estar escorado na verdade de Deus Criador e Providente, que guia os caminhos da história. Ao mesmo tempo, a realidade que vemos à nossa volta deve nos encorajar a não nos abandonarmos e a não abandonar as pessoas que estão num estado de desilusão e de falta de conteúdo.

Nossos jovens necessitam da fé e do vigor que ela nos transmite. A eles é preciso dizer: "Convençam-se e suscitem nos outros a convicção de que nós, os cristãos, temos de navegar contra a corrente. Não se deixem levar por falsas ilusões. Pensem bem: contra a corrente andou Jesus, contra a corrente foram Pedro e os outros primeiros apóstolos e todos aqueles que ao longo dos séculos quiseram ser discípulos fiéis do Mestre. Tenham, pois, a firme persuasão de que não é a doutrina de Jesus Cristo que deve se adaptar aos tempo, mas sim os tempos é que devem abrir-se à luz do Salvador".

Vamos confiar nas palavras de Bento XVI quando vem afirmando que: "Caritas Christi urget nos – o amor de Cristo nos impele" (2Cor 5,14): é o amor de Cristo que enche os nossos corações e nos impele a evangelizar. Hoje, como outrora, envia-nos pelas estradas do mundo a proclamar seu Evangelho a todos os povos da terra (cf. Mt 28,19). Com seu amor, Jesus Cristo atrai a Si os homens de cada geração: em todo o tempo, Ele convoca a Igreja, confiando-lhe o anúncio do Evangelho, com um mandato que é sempre novo. Por isso, também hoje é necessário um empenho eclesial mais convicto em favor de uma nova evangelização, para descobrir novamente a alegria de crer e reencontrar o entusiasmo de comunicar a fé (Porta Fidei, 7).

Não creio sair do objetivo desta minha intervenção se procurarmos renovar nossa convicção de que, na linha pastoral de qualquer Diocese, devemos incluir a necessidade imperiosa de que a juventude seja orientada e formada por um sadio conceito da família.

É conhecida a sentença que, com pequenas variantes, afirma "Família sadia, sociedade sadia. Família em crise, sociedade em crise".

A abrangência dessa afirmação poder ser discutível, mas é inegável que encerra um grande núcleo de verdade.

Sobre a importância social da família já se escreveram volumes alentados, análises e estudos muito ponderáveis. Eu desejaria agora, concretamente, frisar apenas uma das razões que, a meu ver, evidencia o nexo de casualidade existente entre família sadia e sociedade sadia.

Refiro-me ao fato que, na sociedade, não há nenhum âmbito de crescimento humano e moral, nenhum ambiente educativo, nenhum "coletivo" tão propício e eficaz para o cultivo das virtudes como a família bem estruturada. E isso parece-me de suma importância, levando em consideração que, no mundo atual, aparece sempre mais evidente que a sociedade precisa das virtudes como de um oxigênio vital, de virtudes aprendidas, arraigadas, exercidas e desenvolvidas até a maturidade. Decadência social e ignorância ou desprezo pelas virtudes são a mesma coisa.

A não ser que hoje ainda se considerem vigentes as afirmações feitas pelo poeta Paul Valéry, em famoso discurso à Academia Francesa: <<Virtude, senhores, a palavra 'virtude', já morreu, ou pelo menos, está em vias de extinção [...]. Receio que não exista jornal algum que a imprima ou se atreva a imprimi-la com outro sentido que não seja o do ridículo. Chegou-se a tal extremos, que as palavras 'virtude' e 'virtuoso' só podem ser encontradas no catecismo, na farsa, na Academia e na opereta>>.

Seria de desejar que atitudes desse tipo tivessem ficado enterradas no passado. Quando Valéry falava, virtude sugeria limite, enquadramento, barreira obsoleta, num ambiente ébrio do vinho novo da liberdade. A centralidade da virtude na formação do ser humano havia cedido o espaço à liberdade sem limites, numa eufórica erupção de individualismo egocêntrico (que, paradoxalmente, na primeira metade do século XX, descambou nas duas maiores tiranias da história). A sociedade atual, com suas mazelas, com os preocupantes desvios de uma parte não pequena da juventude (basta pensar nas drogas) é de molde a reacender uma autêntica "saudade das virtudes". Mas, pergunto-me, será possível ao mesmo tempo em que se exalta como nunca a "liberdade ilimitada", como único valor moral, ao passo que se desprestigia a família?

Pois bem, diante disso, creio necessário que nos perguntemos: onde é que a nossa juventude aprende a virtude, que dever ser, acima de tudo, um valor reconhecido e amado pela criança, pelo adolescente e pelo jovem, uma convicção enraizada, uma prática exercida com empenho, da qual depende o bem da pessoa e da sociedade? A família, sim, a família já foi e ainda agora deveria ser o ambiente de cultura mais propício para a descoberta, a valorização, o aprendizado e a prática das virtudes.  Mas, em que é está a família entre nós? Será que o mundo de hoje esquece que a família é a estrutura vital e moral indispensável para a construção do bem da sociedade?

Hoje em dia, como dizia o jurista Pedro J. Viladrich, a sociedade tem uma escolha a fazer: ou ser uma "constelação de famílias", dessas células primárias, vitais, naturais, sadias, que constituem o bom tecido social; ou ser um "aglomerado de indivíduos", preso cada um deles ao interesse particular e ligado aos demais por aquilo que Gustave Thibon chamava de "egoísmo compartilhado".

Portanto, queridos irmãos no episcopado, cabe a nós também a missão de ensinar a nossos jovens que, como filhos e filhas de Deus pelo Batismo, tem a importante tarefa de fazer que o amor entre nós seja uma projeção do amor que acontece entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo, simbolizado na cruz peregrina da Jornada Mundial da Juventude e que no Rio será mais uma vez derramado sobre todas as nações, através dos jovens que participarão naquela significativa manifestação.

É esta a tarefa que, junto com a cruz, os jovens brasileiros levarão para o Rio de Janeiro: levar ao mundo inteiro, através de seu testemunho, o amor que Deus tem por nós.

Encaminhemo-nos, junto com nossos jovens, para o Rio de Janeiro na perspectiva do Ano da Fé, esta linda iniciativa que quer ser um CONVITE para uma autêntica e renovada conversão ao Senhor, único Salvador do mundo que, doando seu amor, introduziu numa nova vida.

Em virtude da fé, possa esta vida nova plasmar toda a existência humana segundo a novidade radical da ressurreição, transformando nossas mentalidades e pensamentos para sermos, pouco a pouco, purificados e transformados em Cristo.

Eminências, Excelência, caros amigos,

Ao concluir, faço votos que a Campanha da Fraternidade alcance seus objetivos primários de revitalizar em todos os segmentos da sociedade o sentido mais nobre dos valores que norteiam a juventude brasileira.

Agradeço a atenção dispensada e peço ao Altíssimo abundantes graças para todos, a fim de que a luz do Espírito Santo ilumine esse evento de capital importância para a Igreja e para o Brasil.

Muito obrigado!

+ Giovanni d'AnielloNúncio Apostólico


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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Boletim da CNBB

Boletim Diário da CNBB - 14/02/2013

REFLEXÃO

O verdadeiro discípulo de Jesus é aquele que vive como o próprio Jesus e faz dele o modelo de sua vida. Jesus nunca viveu para si, mas sempre viveu para o Pai e para os seus irmãos e irmãs, fazendo do seu dia a dia um serviço a Deus e ao próximo. A exemplo de Jesus, nós devemos passar por esse mundo não para buscar a satisfação dos nossos interesses e necessidades, mas para deixar de lado tudo o que nos impede de ir ao encontro de nossos irmãos e irmãs que precisam de nós, da nossa presença e do nosso serviço, e que também nos impede de ir ao encontro do próprio Deus para vivermos com ele a sua vida.

COMEMORAÇÕES

Nascimento

  • Dom Gilberto Pereira Lopes, Arcebispo Emérito de Campinas - SP
NOTÍCIAS

Os últimos compromissos de Bento XVI

Nesta quinta-feira, 14 de fevereiro, a agenda do Papa inclui mais um encontro significativo: trata-se de uma reunião com o clero de Roma, na "Sala Paulo VI". Depois, nos próximos dias, haverá encontros e audiências marcadas com alguns grupos de bispos italianos, com o Presidente da Romênia e com o Presidente da Guatemala, respectivamente sexta-feira e sábado de manhã, encontros que já tinham sido marcados há algum tempo.

No final da semana ainda há espaço para receber dois políticos italianos, Mário Monti e o Presidente Giorgio Napolitano, audiências que terão lugar, praticamente, a uma semana das eleições italianas.

No próximo domingo, teremos ainda o Angelus ao meio-dia e depois, o Papa entra em retiro durante toda a semana, não havendo, por isso, audiência geral na quarta-feira. O retiro já estava previsto e tem o Cardeal Ravasi como pregador. Quando terminar o retiro, Bento XVI volta, pela última vez, à janela do seu apartamento para o seu último Angelus de domingo dia 24 de fevereiro.

Na segunda-feira seguinte, o Papa recebe os cardeais da Cúria Romana em audiência privada. Terça-feira, dia 26, é dia livre e a grande despedida está prevista para a audiência geral de quarta-feira, dia 27. Excepcionalmente, esta audiência realiza-se na Praça de São Pedro para poder acolher todos os fiéis que se quiserem despedir do Papa.

E chegamos ao seu último dia de Papa. No dia 28 de Fevereiro às 11h00 (hora de Roma) saúda todos os Cardeais que se encontrarem em Roma e pelas 17h locais parte de helicóptero para Castel Gandolfo, onde provavelmente ficará até o novo Papa ser eleito. (SP)


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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Boletim da CNBB

Boletim Diário da CNBB - 13/02/2013

REFLEXÃO

O verdadeiro espírito de conversão quaresmal é aquele de quem não busca simplesmente dar uma satisfação de sua vida a outras pessoas para conseguir a sua aprovação e passar assim por um bom religioso, mas sim aquele que encontra a sua motivação no relacionamento com Deus e busca superar as suas imaturidades, suas fraquezas, sua maldade e seu pecado para ter uma vida mais digna da vocação à santidade que é conferida a todas as pessoas com a graça batismal, e busca fazer o bem porque é capaz de ver nas outras pessoas um templo vivo do Altíssimo e servem ao próprio Deus na pessoa do irmão ou da irmã que se encontram feridos na sua dignidade.

COMEMORAÇÕES

Ordenação Presbiteral

  • Dom Osório Bebber, OFMCap, Bispo Emérito de Joaçaba - SC
NOTÍCIAS

Pe. Lombardi: novo Papa se sentirá apoiado pela oração de Bento XVI

O Papa está bem e muito sereno, não renunciou porque doente, mas somente por conta da fragilidade decorrente do envelhecimento: foi o que reiterou o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, na coletiva desta terça-feira, 12 de fevereiro, concedida aos jornalistas um dia após o anúncio de renúncia do Santo Padre.

Bento XVI foi recentemente submetido a uma intervenção de rotina para a substituição da bateria do marca-passo, mas isso não tem peso em sua decisão.

Pe. Lombardi confirmou todo o calendário de atividades do Papa até o dia 28 de fevereiro, último dia do Pontificado de Bento XVI, com os encontros com os bispos italianos em visita 'ad Limina', com os presidentes da Romênia e da Guatemala, os Angelus e as audiências gerais, a última destas, dia 27 de fevereiro, deverá realizar-se na Praça São Pedro em previsão de um considerável afluxo de fiéis. Não haverá a encíclica sobre a Fé.

O diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé convidou a se prestar atenção ao que o Papa dirá nos próximos dias, a partir desta Quarta-feira de Cinzas, quer na audiência geral, quer na celebração da Missa com o tradicional rito de imposição das cinzas – a ser presidida na Basílica de São Pedro.

Pe. Lombardi explicou também – como dito nesta segunda-feira pelo L'Osservatore Romano – que a viagem ao México e a Cuba constituiu para Bento XVI, por causa do cansaço, uma etapa de amadurecimento em relação à renúncia ao ministério, mas não uma decisão definitiva nesse sentido.

Em seguida, o religioso jesuíta ressaltou que não haverá nenhum problema para o sucessor de Bento XVI por causa da presença, no Vaticano, de outro Papa, embora como bispo emérito de Roma.

Conhecemos Bento XVI como uma pessoa de discrição e rigor extremos – afirmou –, não é uma pessoa da qual se possa esperar interferências ou mesmo o mínimo incômodo para o seu sucessor. O problema não existe, embora seja uma situação nova, reconheceu. Aliás, o sucessor se sentirá apoiado pela oração, pelo amor e pela participação de uma pessoa que mais do que ninguém no mundo pode entender as preocupações de quem veio depois.

Não foi dado aos jornalistas nenhum detalhe sobre como se chamará ou se vestirá o Pontífice uma vez retornado ao Vaticano, após a permanência em Castel Gandolfo: trata-se de questões a serem definidas.

O Papa deixará as suas funções, como disse, no dia 28 de fevereiro, às 20h locais, ou seja, quando ordinariamente Bento XVI encerra as suas atividades antes de retirar-se em oração, e depois repousar: será o último dia como Pontífice, vivido de modo ordinário.

Pe. Lombardi agradeceu aos jornalistas pelo trabalho realizado, pelos muitos comentários respeitosos e reflexivos que acolheram a coragem e a humildade do Papa, o seu sentido de responsabilidade, de lucidez dessa decisão histórica, e deram um sentido de participação e compreensão do modo como o Papa vive essa decisão, tomada em consciência diante de Deus, e que justamente por isso está sereno.

O porta-voz vaticano quis precisar que o arcebispo de Cracóvia, Cardeal Stanislaw Dziwisz, não quis fazer nenhuma comparação entre Bento XVI e João Paulo II, como reportado por alguns meios de comunicação, e deu um texto com as reais declarações do ex-secretário pessoal de João Paulo II, em que expressa o seu amor e a sua estima pelo Papa Ratzinger


Bento XVI envia mensagem aos brasileiros no início da Campanha da Fraternidade

Neste dia 13 de fevereiro, quarta-feira de Cinzas, será lançada a Campanha da Fraternidade (CF), com o tema "Fraternidade e Juventude" e o lema "Eis-me aqui, envia-me!" (Is 6,8). O Papa Bento XVI enviou uma mensagem para o início da Campanha. A seguir, a íntegra da mensagem: 

"Queridos irmãos e irmãs,

Diante de nós se abre o caminho da Quaresma, permeado de oração, penitência e caridade, que nos prepara para vivenciar e participar mais profundamente na paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo. No Brasil, esta preparação tem encontrado um válido apoio e estímulo na Campanha da Fraternidade, que este ano chega à sua quinquagésima realização e se reveste já das tonalidades espirituais da XXVII Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro em julho próximo: daí o seu tema "Fraternidade e Juventude", proposto pela Conferência Episcopal Nacional com a esperança de ver multiplicada nos jovens de hoje a mesma resposta que dera a Deus o profeta Isaías: "Eis-me aqui, envia-me!"(6,8).De bom grado associo-me a esta iniciativa quaresmal da Igreja no Brasil, enviando a todos e cada um a minha cordial saudação no Senhor, a quem confio os esforços de quantos se empenham por ajudar os jovens a tornar-se – como lhes pedi em São Paulo – "protagonistas de uma sociedade mais justa e mais fraterna inspirada no Evangelho" (Discurso aos jovens brasileiros, 10/05/2007). É que os "sinais dos tempos", na sociedade e na Igreja, surgem também através dos jovens; menosprezar estes sinais ou não os saber discernir é perder ocasiões de renovação. Se eles forem o presente, serão também o futuro. Queremos os jovens protagonistas integrados na comunidade que os acolhe, demonstrando a confiança que a Igreja deposita em cada um deles. Isto requer guias – padres, consagrados ou leigos – que permaneçam novos por dentro, mesmo que o não sejam de idade, mas capazes de fazer caminho sem impor rumos, de empatia solidária, de dar testemunho de salvação, que a fé e o seguimento de Jesus Cristo cada dia alimentam.Por isso, convido os jovens brasileiros a buscarem sempre mais no Evangelho de Jesus o sentido da vida, a certeza de que é através da amizade com Cristo que experimentamos o que é belo e nos redime: "Agora que isto tocou os teus lábios, tua culpa está sendo tirada, teu pecado, perdoado" (Is 6,7). Desse encontro transformador, que desejo a cada jovem brasileiro, surge a plena disponibilidade de quem se deixa invadir por um Deus que salva: "Eis-me aqui, envia-me!' aos meus coetâneos" - ajudando-lhes a descobrir a força e a beleza da fé no meio dos "desertos (espirituais) do mundo contemporâneo, em que se deve levar apenas o que é essencial: (…) o Evangelho e a fé da Igreja, dos quais os documentos do Concílio Vaticano II são uma expressão luminosa, assim como o é o Catecismo da Igreja Católica" (Homilia na abertura do Ano da Fé, 11/10/2012).Que o Senhor conceda a todos a alegria de crer n'Ele, de crescer na sua amizade, de segui-Lo no caminho da vida e testemunhá-Lo em todas situações, para transmitir à geração seguinte a imensa riqueza e beleza da fé em Jesus Cristo. Com votos de uma Quaresma frutuosa na vida de cada brasileiro, especialmente das novas gerações, sob a proteção maternal de Nossa Senhora Aparecida, a todos concedo uma especial Bênção Apostólica

Vaticano, 8 de fevereiro de 2013

Benedictus PP. XVI


Audiência geral: Bento XVI agradece aos fiéis "pelo amor e pela oração"

Bento XVI recebeu nesta quarta-feira, 13 de fevereiro, na Sala Paulo VI cerca de 10 mil fiéis e peregrinos para a Audiência Geral – o primeiro evento público depois do anúncio de sua renúncia.

De fato, no início da Audiência, o Pontífice se dirigiu aos presentes com essas palavras:

"Como sabem, decidi (aplausos)... obrigado por vossa simpatia. Decidi renunciar ao ministério que o Senhor me confiou em 19 de abril de 2005. Eu o fiz em plena liberdade pelo bem da Igreja, depois de muito rezar e examinar diante de Deus a minha consciência, bem consciente da gravidade deste ato, mas, ao mesmo tempo, consciente de não ser mais capaz de desempenhar o ministério petrino com aquela força física e de espírito que isso requer. Ampara e ilumina-me a certeza de que a Igreja é de Cristo, o Qual jamais a faltará sua guia e seu cuidado. Agradeço a todos pelo amor e pela oração com os quais me acompanharam. Obrigado, senti quase fisicamente nesses dias para mim nada fáceis, a força da oração que o amor da Igreja, a vossa oração, me oferece. Continuem a rezar por mim, pela Igreja, pelo futuro Papa. O Senhor nos guiará".

A catequese desta quarta-feira foi dedicada ao início do tempo litúrgico da Quaresma – os quarenta dias que nos preparam à celebração da Santa Páscoa. "É um período de esforço especial no nosso caminho espiritual", disse o Papa, explicando que é o tempo que Jesus passou no deserto antes de iniciar sua vida pública, e onde foi tentado pelo maligno.

Refletindo sobre as tentações a que Jesus foi sujeito, cada um de nós é convidado a dar resposta a esta pergunta fundamental: Que lugar tem Deus na minha vida? As provas às quais a sociedade atual submete o cristão, de fato, são muitas, e dizem respeito à vida pessoal e social. Não é fácil ser fiel ao matrimônio cristão, praticar a misericórdia na vida cotidiana, deixar espaço à oração e ao silêncio interior. "A tentação de colocar de lado a própria fé está sempre presente e a conversão se torna uma resposta a Deus que deve ser confirmada mais vezes na vida", afirmou.

Neste Tempo de Quaresma, no Ano da fé, o Papa nos convida a renovar nosso empenho no caminho de conversão, para superar a tendência de nos fechar em nós mesmos e para deixar, ao invés, espaço a Deus, olhando com seus olhos a realidade cotidiana. "Converter-se significa não fechar-se na busca do próprio sucesso, do próprio prestígio, da própria posição, mas fazer de modo que todos os dias, nas pequenas coisas, a verdade, a fé em Deus e o amor se tornem a coisa mais importante."

Eis o resumo que o Papa fez de sua catequese em português:

"Queridos irmãos e irmãs, hoje, Quarta-feira de Cinzas, iniciamos a Quaresma, tempo de preparação para a Páscoa. Estes quarenta dias de penitência nos recordam os dias que Jesus passou no deserto, sendo então tentado pelo diabo para deixar o caminho indicado por Deus Pai e seguir outras estradas mais fáceis e mundanas. Refletindo sobre as tentações a que Jesus foi sujeito, cada um de nós é convidado a dar resposta a esta pergunta fundamental: O que é que verdadeiramente conta na minha vida? Que lugar tem Deus na minha vida? O senhor dela é Deus ou sou eu? De fato, as tentações se resumem no desejo de instrumentalizar Deus para os nossos próprios interesses, em querer colocar-se no lugar de Deus. Jesus se sujeitou às nossas tentações a fim de vencer o maligno e abrir-nos o caminho para Deus. Por isso, a luta contra as tentações, através da conversão que nos é pedida na Quaresma, significa colocar Deus em primeiro lugar como fez Jesus, de tal modo que o Evangelho seja a orientação concreta da nossa vida. Amados peregrinos lusófonos, uma cordial saudação para todos, nomeadamente para os grupos portugueses de Lamego e Lisboa, e os brasileiros de Curitiba e Porto Alegre. Possa cada um de vós viver estes quarenta dias como um generoso caminho de conversão à santidade que o Deus Santo vos pede e quer dar! As suas bênçãos desçam abundantes sobre vós e vossas famílias! Obrigado!"

O papa preside ainda hoje, na Basílica de São Pedro, a missa da Quarta-feira de Cinzas.


"Nós queremos os jovens protagonistas integrados na comunidade", diz presidente da CNBB sobre Campanha da Fraternidade

"Nós queremos os jovens protagonistas integrados na comunidade que os acolhe, demonstrando a confiança que a Igreja deposita em cada um deles": esta é a finalidade da Campanha da Fraternidade (CF) deste ano segundo o Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, Card. Raymundo Damasceno Assis. A CF deste ano tem como tema "Fraternidade e Juventude" e o lema "Envia-me". Eis o que disse o Card. Raymundo entrevistado pela Rádio Vaticano: Primeiramente, nós estamos celebrando os 50 anos da Campanha da Fraternidade. Ela começou em Natal em 1962. A CF deste ano se insere dentro da preparação da visita do Papa para a próxima Jornada Mundial da Juventude. Sabemos que o Papa Bento XVI havia prometido estar no Rio de Janeiro para presidir a JMJ, mas com a sua renúncia nós esperamos e cremos que seu sucessor estará presente no Rio no mês de julho próximo.   A CF com este tema, Fraternidade e Juventude, tem seus antecedentes. Em 2011, a Assembleia dos Bispos do Brasil criou a Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude – uma Comissão que tem como objetivo acompanhar as pastorais da juventude aqui no Brasil: as pastorais da juventude, os movimentos apostólicos, novas comunidades e acompanhar também aquelas congregações que têm como carisma a dedicação, a formação dos nossos jovens, para que o trabalho da juventude aqui em nosso país seja feito na unidade dentro da diversidade dos carismas e de cada um dos movimentos e das novas comunidades. Visando criar em cada uma das dioceses o chamado "setor da juventude" – um setor que compreende todos aqueles que trabalham com a juventude.   A CF visa também preparar de uma forma "mais próxima" a JMJ e nós queremos com esta CF, e queremos fazê-la com os jovens e para os jovens, procurar despertar na nossa sociedade, nas nossas comunidades essa importância dos jovens. Nós devemos, como diz o Papa na sua mensagem para CF, ajudar os jovens a tornarem-se protagonistas de uma sociedade mais justa, mais fraterna, inspirada no Evangelho. E o Papa afirma que se os jovens forem o presente, eles serão também o futuro. Nós queremos os jovens protagonistas integrados na comunidade que os acolhe, demonstrando a confiança que a Igreja deposita em cada um deles.

CNBB realiza lançamento oficial da Campanha da Fraternidade 2013

Tendo por tema "Fraternidade e Juventude", e por lema "Eis-me aqui, envia-me!" (Is 6,8), foi realizado, hoje, dia 13 de fevereiro, o lançamento oficial da Campanha da Fraternidade (CF) 2013. Tradicionalmente, o evento ocorre na tarde da quarta-feira de cinzas – primeiro dia da Quaresma –, no Auditório Dom Hélder Câmara, na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília.

O lançamento da Campanha contou com a presença do secretário geral da CNBB, dom Leonardo Steiner, do ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República do Brasil, Gilberto Carvalho, e do presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Marcus Vinícius Furtado Coelho, e outras autoridades.

"Iniciamos hoje nosso caminho pascal. Os quarenta dias que precedem a cruz e a Ressurreição sinalizam o caminho que a Igreja, na liturgia, nos oferece como possibilidade de sermos atingidos pela experiência salvadora de Jesus Cristo", disse dom Leonardo Steiner em seu discurso de abertura.

Na ocasião também estiveram presentes jovens lideranças como representante dos povos indígenas Tupinambá, Awa Mirim, e também o estudante Rodrigo Crivelaro, que apresentaram aos presentes, a realidade da juventude no Brasil. A diretora da Cáritas Nacional, Cristina dos Anjos, também fez uso da palavra para a prestação de contas dos resultados da coleta da CF 2012, que contribuíram com ações que renovaram as perspectivas de comunidades por todo país.

O ministro Gilberto Carvalho afirmou que a CF "abre um espaço para o governo trabalhar junto à Igreja", e citou a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) como um momento privilegiado para toda juventude brasileira. "A Jornada Mundial da Juventude vem ao encontro de uma grande preocupação que o governo tem em relação à situação do Jovem do Brasil", mencionou.

De acordo com o texto-base da CF 2013, o objetivo geral da Campanha é acolher os jovens no contexto de mudança de época, propiciando caminhos para seu protagonismo no seguimento de Jesus Cristo, na vivência eclesial e na construção de uma sociedade fraterna, fundamentada na cultura da vida, da justiça e da paz.

Em 1992, a Campanha da Fraternidade também tratou a juventude como tema central, e agora, em sua 50ª edição, terá a mesma temática. A abordagem da temática "juventude" será mais um elemento para fortalecer o desejo de evangelização dos jovens, além da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que será realizada, em julho deste ano, no Rio de Janeiro.


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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

CNBB faz lançamento da Campanha da Fraternidade 2013, que terá como tema a juventude. Ministro Gilberto Carvalho estará presente

Brasília, 11 de fevereiro de 2013

 

COLETIVA DE IMPRENSA

 

CNBB faz lançamento da Campanha da Fraternidade 2013, que terá como tema a juventude.

Ministro Gilberto Carvalho estará presente

 

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) convida a imprensa a participar, nesta quarta-feira, dia 13 de fevereiro, às 14h30, em sua sede em Brasília (DF), da coletiva de imprensa que marca o lançamento da 50ª edição da Campanha da Fraternidade (CF). A Conferência apresentará o tema deste ano, “Fraternidade e Juventude” e o lema “Eis-me aqui, envia-me!” (Is 6,8).

 

Participam da coletiva o Secretário Geral da CNBB, dom Leonardo Steiner, bispo auxiliar de Brasília (DF); o ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho e representantes de movimentos da juventude.

 

Com esta Campanha, a Igreja no Brasil quer acolher os jovens e propor a reflexão sobre sua condição, além de mobilizá-los para a Jornada Mundial da Juventude, que será realizada no Rio de Janeiro no mês de julho com a presença do papa Bento XVI.

 

 

 

 

Serviço:

 

Coletiva de Imprensa

Assunto: Lançamento da Campanha da Fraternidade 2013

 

Data: Quanta-feira de Cinzas, 13 de fevereiro de 2013.

Hora: 14h30

Local: Sede da CNBB – Auditório dom Hélder Câmara

 

 

Outras informações:

 

Padre Rafael Vieira – Assessor de Imprensa

Cláudia Belo / Irmão Diego Joaquim / Thaís Sprovieri

Assessoria de Imprensa - (61) 21038313 / 8119-3762