Por padre John Flynn, L. C.
ROMA, domingo, 12 de junho de 2011 (ZENIT.org) - Talvez o anticatolicismo seja o último preconceito aceitável na sociedade atual, mas o escritor e jornalista canadense Michael Coren não acha que ele deva ser aceito tão facilmente. Em seu livro Why Catholics Are Right (Por que os católicos estão certos), publicado em inglês pela McClelland and Stewart e sem tradução em português até agora, ele analisa as críticas mais comuns contra a Igreja. Coren, de família laica e filho de pai judeu, tornou-se católico depois dos vinte anos de idade...
As cruzadas
Coren precisa que a Terra Santa era cristã e, posteriormente, foi invadida pelos muçulmanos. Segundo ele, é um erro considerar as cruzadas como uma espécie de imperialismo ou colonialismo. Ao contrário, muitas famílias nobres foram à bancarrota com os gastos de armar um cavaleiro e mantê-lo com seu séquito nas cruzadas.
Estudos modernos desmentem que a maioria dos cruzados eram filhos de famílias pobres em busca de butim. Pelo contrário, tratava-se normalmente da elite da cavalaria europeia, explica o autor.
Nos territórios conquistados pelas cruzadas, a população muçulmana pôde seguir a vida normal e não houve nenhuma tentativa séria de convertê-la ao cristianismo...
Tortura
O objetivo da inquisição era combater os erros doutrinais e as heresias, explica Coren. Existia a tortura, mas aplicada quase sempre pelas autoridades laicas. A inquisição não a usava nem mais nem menos do que o resto dos órgãos judiciais da época, acrescenta.
A maior parte das críticas se concentra na inquisição espanhola. Coren se pergunta por que se prestou tão pouca atenção aos massacres e à tortura realizados contra muitos católicos na Inglaterra de Henrique VIII e da Rainha Elisabete I...
Vida e sexualidade
Outro dos capítulos do livro explora os temas da vida e da sexualidade. A Igreja é objeto de ataques constantes por causa da sua postura em temas que vão do aborto aos preservativos e anticoncepcionais.
A postura da Igreja não se baseia apenas em crenças morais, mas também na ciência e nos direitos humanos, defende Coren.
Ele assinala que a afirmação de que existe uma nova vida desde o momento da concepção tem um sólido fundamento biológico. O feto é uma vida humana diferente e como tal deveria ter o direito de existir. Apesar disso, nos últimos anos, os pró-vida foram tachados frequentemente de extremistas fanáticos... Veja a integra no site ZENIT.
Igreja sempre foi una, santa, católica e apostólica
Afirma Papa na homilia de Pentecostes, na Basílica de São Pedro
CIDADE DO VATICANO, domingo, 12 de junho de 2011 (ZENIT.org) – A Igreja é católica desde o primeiro momento de sua existência, isso não foi uma modificação posterior, fruto da história, mas faz parte do seu ser original. Assim afirmou hoje o Papa Bento XVI, durante a homilia na Missa solene de Pentecostes, celebrada na Basílica de São Pedro.
O Pontífice comentou, uma a uma, as leituras da liturgia do dia e quis insistir em como, na passagem dos Atos dos Apóstolos que narra a vinda do Espírito Santo, já estava presente a Igreja universal, como a conhecemos hoje.
Este é o significado profético do fato de que os discípulos tenham começado a falar em várias línguas e fossem entendidos pelos peregrinos que estavam em Jerusalém, vindos de todo o mundo conhecido até então.
“Desde o primeiro instante, de fato, o Espírito Santo a criou como Igreja de todos os povos; esta abraça o mundo inteiro, supera todas as fronteiras de etnia, classe, nação; abate todas as barreiras e une os homens na profissão do Deus uno e trino”, afirmou o Santo Padre.
“Desde o começo, a Igreja é una, santa, católica e apostólica: esta é a sua verdadeira natureza e como tal deve ser reconhecida”, acrescentou.
A Igreja, portanto, “não procede da vontade humana, da reflexão, da habilidade do homem e da sua capacidade organizativa, pois, se fosse assim, já teria se extinguido há muito tempo, como acontece com tudo o que é humano”, afirmou.
Também é santa, “não graças à capacidade dos seus membros, mas porque o próprio Deus, com seu Espírito, a cria, purifica e santifica sempre”.
Novo pacto
O Papa destacou que a festa de Pentecostes era originalmente judaica e que nela, cinquenta dias depois da Páscoa, Israel celebrava a Aliança estabelecida com ele por Deus no monte Sinai.
“As imagens do vento e do fogo, usadas por São Lucas para representar a vinda do Espírito Santo, recordam o Sinai, onde Deus havia se revelado ao povo de Israel e lhe havia concedido sua aliança”, explicou.
Assim, o acontecimento de Pentecostes “é representado como um novo Sinai, como o dom de um novo pacto no qual a aliança com Israel se estende a todos os povos da terra, no qual caem todos os muros da velha Lei e aparece o seu coração mais santo e imutável, isto é, o amor, que o Espírito Santo comunica e difunde, o amor que abraça tudo”.
Ao mesmo tempo, a Lei “se dilata, se abre, tornando-se ainda mais simples”: é o novo pacto, que o Espírito “escreve” nos corações dos que creem em Cristo.
Com isso, afirmou, “nos é dito algo muito importante: que a Igreja é católica desde o primeiro momento, que sua universalidade não é fruto da inclusão sucessiva de comunidades diversas”.
Comunhão
O Espírito Santo é também quem cria a comunhão dentro da própria Igreja, explicou Bento XVI.
Deixar-se iluminar profundamente pela revelação de que Jesus é Deus “é o acontecimento de Pentecostes: da desordem de Babel, dessas vozes que ressoam uma conta a outra, tem lugar uma transformação radical: a multiplicidade se torna unidade multiforme; do poder unificador da Verdade cresce a compreensão”.
“No Credo que nos une de todos os extremos da terra, que, mediante o Espírito Santo, faz que nos compreendamos ainda na diversidade das línguas, através da fé, da esperança e do amor, forma-se a nova comunidade da Igreja de Deus”, concluiu.
Rio de Janeiro, 12 jun (RV) - Chegamos ao final do tempo litúrgico da Páscoa! Foram cinquenta dias de celebrações que nos atualizaram a presença do Ressuscitado entre nós. Ao celebrarmos neste final de semana a festa do Espírito Santos somos chamados a pedir a Deus a renovação desse Dom para toda a Igreja e renovar o nosso entusiasmo na missão evangelizadora da Igreja. A Palavra de Deus ilumina nossos caminhos e nossa vida nesse dia que pedimos na sequência da missa que o Espírito de Deus, envie dos céus um raio de luz!
A primeira leitura dessa Solenidade retirada do segundo capítulo dos Atos dos Apóstolos, continua a narrativa do quadro anterior, em que São Lucas descreve a comunidade dos discípulos que se reuniram após a Ascensão de Jesus (Atos 1,12-14). Essa descrição é rica em detalhes: há um lugar, o da Última Ceia, existem os onze apóstolos, Maria, a Mãe do Senhor, e algumas mulheres. Esta comunidade se reúne no Cenáculo, na manhã da festa judaica do Pentecostes, em que foi a memória da aliança de Deus no Sinai (Êxodo 19). O antigo pacto, segundo o livro do Êxodo, foi descrito por uma manifestação terrível do Senhor Deus, pois caiu fogo, e todo o monte tremia (cf. Êx 19,18). O vento e o fogo, vamos encontrá-los no dia de Pentecostes no Novo Testamento, mas nenhum eco de terror. O fogo, que se manifesta através da linguagem, repousa sobre os discípulos, que "ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas" (Atos 2,4).
É em Pentecostes que a Igreja é constituída pelo poder do Espírito. É o Espírito de Cristo, que cria unidade na comunidade. De fato, a unidade do Espírito Santo, em amor gerador implementa a mútua aceitação da diversidade. Reunidos pelo Espírito, a Igreja é o Corpo Místico de Cristo. Na verdade, Aquele que "recolheu" Israel, formando a comunidade dos discípulos, o Galileu, constituído Senhor e Cristo, o Ressuscitado, que transformou a vida dos discípulos. A imagem do Corpo da Igreja de Cristo está fundada sobre o vínculo profundo com Cristo ressuscitado (1Cor 6,15-17, 10,17, 12,12 e 27, Rm 12,4). Segundo a reflexão paulina, expressa na Primeira Carta aos Coríntios, a idéia do corpo é para significar a relação dos membros da Igreja entre eles. Em Cristo, os membros têm um corpo real, mas cada um segundo o dom recebido do Espírito, no exercício do ministério que lhe foi confiado.