terça-feira, 5 de março de 2013

Boletim da CNBB

Boletim Diário da CNBB - 05/03/2013

REFLEXÃO

O Evangelho nos surpreende muitas vezes ao usar determinados termos que, à primeira vista, nos parecem totalmente descabidos em relação a Deus. O texto de hoje nos mostra Deus indignado por causa da falta de perdão. Como pode Deus indignar-se, o Altíssimo ter a sua dignidade ferida? Este texto nos mostra uma realidade muito profunda: se o pecado fere a dignidade humana, a ausência do perdão fere a dignidade divina. Por que? Porque Deus é amor, é misericórdia, e negar o amor e a misericórdia é negar o próprio Deus na sua essência. Negar o perdão é negar que Deus é amor e misericórdia e impedir que ele aja com amor e misericórdia em relação a nós mesmos, e impedir a ação misericordiosa de Deus é causar-lhe indignação.

COMEMORAÇÕES

Ordenação Episcopal

  • Dom José Negri, PIME, Bispo de Blumenau - SC
NOTÍCIAS

Conselho Permanente inicia encontro em Brasília (DF)

Os bispos que presidem as comissões pastorais e os regionais da CNBB participam de encontro em Brasília a partir da manhã desta terça-feira, 5 de março, na sede da Conferência. A reunião termina na quinta-feira, 7 de março.

O presidente em exercício da CNBB, dom José Belisário, deu início aos trabalhos e dom Leonardo Steiner, secretário geral, anunciou que na pauta da reunião estão assuntos de grande importância para a caminhada da Igreja no país, especialmente em relação à preparação para a próxima assembleia geral do episcopado e o estudo da conjuntura social e política do Brasil. Juventude, Código de Mineração e o estudo de documentos a respeito da Questão Agrária e dos Quilombolas. Está prevista também uma visita do Núncio Apostólico no Brasil, dom Giovanni d'Aniello. Ainda serão consideradas, na reflexão dos bispos, a celebração dos 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida, a 5a. Semana Social Brasileira e o grande encontro intereclesial das CEBs. Nessa ocasião, os bispos também fazem os informes a respeito da realidade dos regionais da CNBB.

Padre Francisco de Assis Wloch, subsecretário Adjunto de Pastoral, na primeira hora do encontro, tratou do modo como a Conferência acompanha a implementação das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora no Brasil. Passando cada regional, ele mostrou planos de pastorais que foram reformulados e destacou o esforço das dioceses em aplicar as Diretrizes em suas realidades particulares. Padre Wloch lembrou que o próximo ano já será um período para avaliação do processo de andamento de aplicação das Diretrizes. Dom Leonardo recordou que enriqueceria mais ainda se mais dioceses enviassem seus planos para a subsecretaria de pastoral.

Ainda na primeira parte da manhã desta terça-feira, foi apresentado ao Conselho Permanente um piloto do novo formato do programa de TV "Igreja no Brasil" que foi brilhantemente produzido e distribuído pela pastoral da comunicação da arquidiocese de Salvador e que passa, a partir do próximo mês de abril, a ser produzido pela assessoria de imprensa da CNBB. Os bispos realçaram a importância da participação dos regionais enviando material em vídeo para a pauta do programa.


Colégio de Cardeais envia telegrama a Bento XVI

Ao fim da Congregação Geral desta terça-feira, os Cardeais enviaram um telegrama ao Papa emérito, assinado pelo Cardeal decano Angelo Sodano.

A seguir, a íntegra da mensagem:

"Os Padres Cardeais reunidos no Vaticano para as Congregações gerais em vista do próximo Conclave enviam a Sua Santidade uma uníssona saudação com a expressão da renovada gratidão por todo o luminoso ministério petrino de Sua Santidade e pelo exemplo dado de uma generosa solicitude pastoral para o bem da Igreja e do mundo.

A gratidão dos Cardeais quer representar o reconhecimento de toda a Igreja pelo incansável trabalho de Sua Santidade na vinha do Senhor.

Os membros do Colégio Cardinalício confiam, enfim, nas orações de Sua Santidade pelos cardeais, assim como por toda a Santa Igreja".


Terça e quarta-feira, Congregações Gerais apenas pela manhã

Prosseguem na Sala do Sínodo, no Vaticano, as Congregações Gerais que reúnem os cardeais presentes em Roma para a eleição do novo Pontífice. No encontro da tarde de segunda-feira, 04, o pregador da Casa Pontifícia, Frei Raniero Cantalamessa, propôs a primeira meditação prevista pela Constituição apostólica.

Padre Federico Lombardi, Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, informou que terça, 05, e quarta-feira, 06, haverá apenas a Congregação da manhã, às 9h30.

Ainda na tarde de segunda-feira, outros quatro cardeais eleitores chegaram a Roma e participaram da Congregação Geral da tarde (o Patriarca maronita libanês Bechara Rai, Dom Meissner, de Colônia, Dom Woelki, de Berlim, e Dom Sarr, de Dacar). À noite, desembarcou na capital italiana o Cardeal Rouco Varela, arcebispo de Madri.

Portanto, na manhã desta terça, 05, os cardeais eleitores (com menos de 80 anos) presentes na terceira Congregação são 108. Para facilitar o debate, 5 interpretes traduzem seus pronunciamentos em inglês, francês, espanhol, alemão e italiano.

Muitos pediram biografias e fotos de seus colegas, já que nem todos se conhecem. Na manhã de segunda, 04, cada um deles recebeu uma pastinha com informações sobre o Colégio.

A data de início do Conclave será estabelecida uma vez que estejam presentes todos os cardeais eleitores.

Por exigências do próximo Conclave, a partir das 13h desta terça-feira, 05, a Capela Sistina estará fechada ao público, até segunda ordem. O comunicado é do Museu do Vaticano. No mesmo período, fecharão suas portas também o Apartamento dos Borja e a Coleção de Arte Religiosa Moderna.


Bispos participam de estudo sobre conjuntura social e política

O secretário executivo da Comissão Brasileira de Justiça e Paz (CBJP) da CNBB, professor Pedro Gontijo, apresentou ao Conselho Permanente da Conferência um amplo painel das questões significativas da atual realidade social e política no Brasil e no mundo.

A primeira parte da análise mostrou o quadro internacional e destacou que "o estabelecimento de uma área de comércio entre os Estados Unidos e a União Europeia se apresenta como possibilidade de superação da crise financeira de 2008, ao tempo que baliza para o risco de um aprofundamento do projeto de globalização baseado no neoliberalismo". Percebe-se também, disse Gontijo, que o quadro geral da realidade mundial aponta para "frustrações acerca de novas dinâmicas que a chamada primavera árabe foi (in)capaz de estabelecer no mundo árabe". O professor também abordou a repercussão na mídia da renúncia do Papa Bento XVI e, no âmbito de análise mais geral, destacou "a preocupação com a reparação para as famílias vítimas da explosão nuclear ocorrida há quase dois anos em Fukushima, no Japão".

Em segundo lugar, a análise de conjuntura tratou do cenário da América Latina que "vive tempos de busca de novos modelos de existência com autonomia política com relação aos EUA. As experiências de governos totalitários e de avanço do neoliberalismo em décadas passadas fizeram emergir forças locais que faziam oposição ou divergiam das políticas hegemônicas". O professor Gontijo recordou que "mais que analisar as situações de cada país são apresentados alguns aspectos que ilustram a conjuntura latino-americana na Bolívia, na Argentina, no Uruguai, na Venezuela, no Equador e as repercussões da passagem pelo Brasil da blogueira cubana Yoani Sánchez".

"No cenário nacional, abordam-se as indefinições da economia brasileira e mundial e suas repercussões nos vários países, que no Brasil produziu um 'pibinho'". Gontijo também apresentou análise "do significado do anúncio da presidente Dilma do fim da extrema pobreza no país e seus desafios". E, no final dessa parte da análise, abordou a antecipação do calendário eleitoral de 2014. E conclui-se com a apreciação da delicada situação do Congresso Nacional frente à decisão do STF sobre a ordem de votação dos mais de três mil vetos presidenciais.

O trabalho da equipe especial que faz análise de conjuntura, na apresentação do professor Pedro Gontijo, mostrou também que "no âmbito dos movimentos sociais são analisadas as ofensivas contra o povo Guarani-Kaiowá no Mato Grosso do Sul, que resultaram no assassinato de um jovem indígena por um fazendeiro da região". A análise também considerou os "significados da inauguração de um laticínio oriundo de Assentamento de reforma agrária realizada no Paraná e as reivindicações das mulheres ocorridas durante a realização do I Encontro Nacional do Movimento das Mulheres Camponesas, ocorrido em Brasília no mês de fevereiro último".

No final da apresentação da análise de conjuntura, padre Geraldo Martins, assessor de política da CNBB apresentou alguns destaques sobre notícias do Congresso: "a tramitação do Estatuto da Juventude, a preocupação com a proposta de alteração da lei sobre o Sistema Nacional de Política sobre Drogas; e o andamento do projeto de Reforma Política e o perigo da redução da maioridade penal".

Depois do debate dos bispos, sem que tenha autoridade de texto oficial da Conferência, mas uma contribuição da CBJP, o texto da análise de conjuntura será disponibilizado no site da CNBB.


110 cardeais eleitores presentes na terceira Congregação Geral e ainda não definida data do Conclave

O diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, concedeu no início da tarde desta terça-feira, 5 de março, uma coletiva sobre as congregações gerais dos cardeais em vista do Conclave. Ele adiantou que o número de eleitores pesentes agora são 110 e os cardeais ainda não marcaram a data do Conclave.

Em destaque, a mensagem que os cardeais enviaram na manhã desta terça-feira a Bento XVI. Ainda não foi tomada uma decisão acerca do início do Conclave. No início da coletiva, o religioso jesuíta voltou brevemente à segunda Congregação Geral de segunda-feira, realizada na parte da tarde. Durante a Congregação teve lugar a meditação do pregador da Casa Pontifícia, o frade capuchinho Pe. Ranieri Cantalamessa.

Pe. Lombardi afirmou que na tarde desta segunda-feira chegaram alguns cardeais, em particular alguns eleitores, que na parte manhã ainda não estavam presentes e, portanto, assim que chegaram fizeram o seu juramento: o patriarca maronita libanês, Cardeal Raï; o arcebispo de Colônia, Cardeal Meisner; o arcebispo de Berlim, Cardeal Völki; o arcebispo de Dacar, Cardeal Sarr, e o arcebispo de Praga, Cardeal Duka.

Na Congregação desta segunda foi decidido que não haverá congregações na tarde desta terça e da quarta-feira: portanto, também na quarta-feira haverá Congregação somente pela manhã.

Na manhã de hoje teve lugar a terceira Congregação Geral, realizada das 9h30 às 12h40 locais, com um intervalo de cerca de meia hora. Também manhã desta terça-feira outros cardeais chegaram ao Vaticano, os quais fizeram o seu juramento. Dois cardeais eleitores: o arcebispo de Madri, Rouco Varela, e o polonês Grocholewski. Portanto, no momento estão presentes em Roma 110 cardeais eleitores. 148 purpurados participaram da Congregação Geral desta manhã.

Pe. Lombardi informou que na Congregação Geral desta manhã foram feitos 11 pronunciamentos. Entre os temas: atividade da Santa Sé e dos diferentes dicastérios e a sua relação com os episcopados; renovação da Igreja à luz do Concílio Vaticano II; situação da Igreja e exigência da nova evangelização no mundo, nas diferentes situações culturais. Ao todo, entre segunda e terça-feira, foram feitos 33 pronunciamentos representativos de todos os 5 continentes.

O diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé afirmou que há uma liberdade e uma expressividade da assembléia que tem sido muito eficaz nos pronunciamentos. Ademais, por enquanto, a duração dos pronunciamentos não foi reduzida a um tempo determinado. A questão do início do Conclave continua completamente aberta à consideração dos cardeais. Até então não foi tomada nenhuma decisão, precisou.

Pe. Lombardi acrescentou que a congregação dos cardeais quer entender de quanto tempo pode precisar para fazer a sua adequada preparação em vista da decisão tão importante do Conclave. Portanto, "sem apressar as coisas", comentou.

O sacerdote jesuíta informou que amanhã, quarta-feira, às 17h locais, na Basílica de São Pedro, os cardeais se reunirão no Altar da Cátedra para a Adoração e as Vésperas. Trata-se de um momento de oração que será conduzido pelo cardeal decano Angelo Sodano.

Os cardeais convidam toda a Igreja a rezar e a viver na oração este tempo de preparação para uma decisão tão importante como a eleição do Papa.

Na tarde desta terça-feira tiveram início os trabalhos de preparação da Capela Sistina: portanto, a partir de hoje a capela não mais pode ser visitada pelos turistas, dados os trabalhos em vista do Conclave.

Por fim, Pe. Lombardi fez uma atualização dos dados concernentes à presença da imprensa para a eleição do novo Pontífice. Até a tarde desta segunda-feira os temporariamente acreditados eram 4.432; os permanentes, entre imprensa, foto e vídeo, eram 600. Portanto, superada a cifra total dos 5 mil acreditados. Eles representam 65 nações e 24 línguas.

Ademais, foram mostradas as imagens do Centro Televisivo Vaticano (CTV) com as três urnas que serão utilizadas pelos cardeais na votação durante o Conclave


Semana de Oração para a Unidade dos Cristãos 2013

A edição 2013 da Semana de Oração para a Unidade dos Cristãos (SOUC), será realizada entre os dias 12 e 19 de maio. O tema da Semana será "O que Deus exige de nós?".  Inspirado em Miquéias 6:6-8, o material foi todo preparado pelo Movimento de Estudantes Cristãos da Índia, com a consultoria da Federação de Universidade Católica de Toda a Índia e do Conselho Nacional de Igrejas na Índia. O Conselho Nacional de Igrejas Cristã do Brasil (CONIC), por sua vez, se encarregou de produzir todo o material que será utilizado por igrejas e movimentos ecumênicos.

No processo de preparação, enquanto se refletia sobre o significado da Semana, ficou decidido que, num contexto de injustiça em relação aos dalits na Índia e na Igreja, a busca pela unidade visível não poderia estar dissociada do desmantelamento do sistema de castas e do apelo às contribuições para a unidade dos mais pobres.

Para adquirir o Cartaz e o Caderno de Oração da SOUC os interessados deverão entrar no site da CONIC e obter as informações.

Os frutos das ofertas doadas ao longo da Semana são distribuídos da seguinte maneira: 40% para a representação regional do CONIC (onde houver) e 60% para o CONIC Nacional.

Neste ano de 2013 as ofertas destinadas ao CONIC Nacional serão utilizadas na continuidade da conscientização temática "Superação da Intolerância Religiosa", tema que vem sendo trabalhado pelos regionais do CONIC.


Bispos do Conselho Permanente debatem a importância da participação da juventude na sociedade

Na tarde da terça-feira, 5 de março, os Bispos do Conselho Permanente da CNBB debateram, na sede da entidade em Brasília (DF), a conjuntura da juventude brasileira. A coordenação foi do Setor Universidades da Comissão Episcopal Pastoral para a Educação e Cultura.

O tema foi debatido por assessores da Pastoral da Juventude. O pedagogo Glaucio Mota destacou, entre outros dados, a realidade da juventude no Brasil, com ênfase ao cenário educacional: 1,5 milhão de jovens da região nordeste são analfabetos; 48% dos jovens entre 15 e 17 anos estão no Ensino Médio, e apenas 13% dos que tem entre 18 e 24 anos frequentam a educação superior. O especialista chamou atenção para a necessidade de ações concretas que visem à qualificação da juventude e as oportunidades no mercado de trabalho. Além disso, enfatizou a urgência de políticas públicas para o enfrentamento da violência e recordou o alto índice de homicídios de jovens.

Rodrigo de Andrade, especialista em juventude e coordenador de Pastoral da Juventude de Curitiba (PR), ressaltou o engajamento dos jovens nas comunidades paroquiais. Diferente do cenário apresentado pela mídia, grande parte da juventude se diz cristã. Por outro lado, ele acredita que é preciso, também, que essa juventude de alguma forma, "se engaje em movimentos políticos que possam contribuir para uma maior articulação e presença nos jovens na sociedade civil".

Também apresentaram o papel do Conselho Nacional da Juventude, que tem como meta de trabalho, a formulação de políticas públicas. "Precisamos incentivar nossa juventude para a participação dos movimentos nos Conselhos local, estadual e Nacional, para um maior engajamento dos jovens na política de nosso País", afirmou Glaucio.


'Renúncia foi aula de eclesiologia'

Por e-mail, diretamente de Roma, o cardeal dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, falou sobre suas percepções a respeito dos quase oito anos do pontificado de Bento 16. Na entrevista publicada no jornal O São Paulo, dom Odilo, que participará pela primeira vez de um Conclave, também orientou os católicos sobre como viver este tempo tão importante para a vida da Igreja.

Veja a íntegra:

O SÃO PAULO – O que significou o pontificado de Bento 16 para a Igreja e quais foram suas principais contribuições?Dom Odilo - Bento 16 deixa um legado importante para a Igreja e será certamente recordado na história da Igreja como um dos grandes papas teólogos; tanto pelo que escreveu e falou quando já era Sumo Pontífice, quanto pelo que escreveu antes disso. Será recordado também pelo seu esforço em ajudar a Igreja a voltar-se para a essência de sua fé e de sua missão. Mostram isso suas encíclicas sobre a esperança e a caridade, as Exortações Apostólicas sobre a Eucaristia e a Palavra de Deus. Mas será recordado, também, por ter estimulado o clero a buscar a autenticidade na vivência de sua vocação e toda a Igreja, na revalorização de sua fé e no esforço renovado para transmiti-la aos outros. Enfim, a própria renúncia é um gesto que ajudará a Igreja a voltar-se mais para o essencial de sua vida e missão, a partir de um renovado encontro com sua própria razão de ser e existir; um professor de teologia, em Roma, observou: a renúncia foi sua última aula de eclesiologia...

O SÃO PAULO – E o que significou a atuação de Bento 16 para a humanidade?Dom Odilo – Isso ainda será melhor avaliado com o passar do tempo. De toda forma, continuando a tradição de seus predecessores, Bento 16 manifestou-se sobre todos os assuntos e fatos relevantes deste momento da vida e da história humanas. Sua contribuição para a cultura, a filosofia, a busca da verdade e do bem são extraordinárias; como teólogo e humanista tem largos horizontes e teve sua palavra geralmente acolhida com respeito e consideração; estimulou o mundo a pensar e a ir além das superficialidades de uma cultura consumista e imediatista. Sua encíclica social – Caritas in veritate – é uma contribuição importante para o discernimento sério sobre as questões que atualmente afligem a humanidade. Estimulou muito, também, o diálogo entre as religiões e as culturas. Teve sempre a preocupação da justiça, da paz e da solidariedade entre os povos.

O SÃO PAULO – Como os católicos devem encarar as críticas e este clima de "denuncismo" que se instaurou na mídia após o anúncio de que o papa iria renunciar?Dom Odilo – Com muita serenidade e discernimento. É um fato interessante que, de um momento a outro, todos começaram de novo a falar da Igreja, mesmo sem conhecer bem as questões abordadas. Muita matéria produzida foi sensacionalista ou simplesmente marcada pelo preconceito contra a Igreja, sem o interesse de conhecer ou comunicar a verdade. É sempre importante tentar saber de qual púlpito vem o sermão e perguntar se merecem crédito certas afirmações bombásticas, de efeito retórico (ex. "guerra civil no Vaticano"...), que não se sustentam em fatos, mas em suposições e conjecturas que visam jogar no descrédito a Igreja perante o mundo e perante seus próprios fieis. É preciso lembrar que cada um deverá prestar contas a Deus pelas afirmações mentirosas e injuriosas ditas contra o próximo ou também a Igreja. Recomendo que não se dê crédito fácil a certas caricaturas que se fazem da Igreja; quem conhece a Igreja e vive dentro dela sofre com o desprezo à Igreja. Infelizmente, as palavras do próprio Papa, proferidas no anúncio do dia 11 de fevereiro sobre sua renúncia, foram deixadas de lado, como sendo não-verdadeiras, para dar largas a todo tipo de suspeitas, especulações e conjecturas sobre os "reais motivos" da renúncia. Alguém nas condições e na autoridade do Papa deveria merecer mais crédito e respeito.

O SÃO PAULO- O senhor poderia descrever algum episódio mais pessoal de seus contatos com Bento 16?Dom Odilo – Lembro da vigília na Jornada Mundial da Juventude em Madrid, em julho de 2011. Veio um temporal muito forte durante a fala do papa; o vento balançava até a estrutura do palco, onde estavam o Papa, os bispos e muitas outras pessoas. Mais de um milhão de jovens estavam à frente do papa, apanhando toda aquela chuva. Os seguranças sugeriram várias vezes que ele se retirasse para um lugar mais seguro, mas Bento 16 quis permanecer ali, com os jovens... No final da celebração, parecia que não queria ir embora, preocupado com os jovens... Aproximou-se deles, de maneira muito paternal, e desejou que, apesar de tudo, eles repousassem ao menos um pouquinho... Na manhã seguinte, já debaixo de muito sol, a primeira coisa que fez foi perguntar aos jovens como tinham passado a noite. Achei isso de uma sensibilidade finíssima, que emocionou e cativou o coração dos jovens.

O SÃO PAULO - A partir dos momentos reservados que teve com Bento 16, que características o senhor destacaria dele?Dom Odilo - Um homem sereno, simples, inteligente, atento ao interlocutor, interessado em ouvir, extremamente gentil e fino no trato com as pessoas. Nunca pude ver nele aquele homem "autoritário" ou "duro", como algumas vezes foi descrito; isso não corresponde à verdade. Quando visitou o Brasil, em 2007, fiquei perto do Papa durante alguns dias, na sua estadia em São Paulo. Eu lia os títulos na imprensa e me perguntava: de qual papa estão falando? Não era do Papa Bento 16, que eu conheço...

O SÃO PAULO - Estamos aguardando a escolha do novo Pontífice. A Igreja está "acéfala" até que o próximo papa seja eleito?Dom Odilo - Não, a Igreja nunca fica acéfala ("sem cabeça", ou "sem chefe") durante o período da vacância, porque o verdadeiro chefe da Igreja é Jesus Cristo glorificado, que nunca abandona o seu corpo, a Igreja. Além disso, durante a sede vacante, o Colégio dos Cardeais responde pela Igreja, segundo as competências que lhe são próprias.

O SÃO PAULO - Quais as características que o novo papa deve ter?Dom Odilo - O escolhido terá as qualidades que tiver, e não podemos idealizar demais. Nenhum papa é igual a outro. Ele deverá ser dócil às inspirações e à ação do Espírito Santo, inteiramente fiel a Cristo e à própria Igreja. Podemos, humanamente, desejar que seja uma pessoa muito capaz, cheia de virtudes, preparada do ponto de vista intelectual e teológico, homem de grande fé e vigor espiritual, capaz de liderança e de comunicação, segundo as condições do nosso tempo. Mas também neste caso, precisamos ter a consciência de que ninguém nasce papa, mas aprende a desempenhar essa árdua missão enquanto a exerce.

O SÃO PAULO– Quais são os principais desafios que o próximo papa vai encontrar?Dom Odilo - São os desafios de toda a Igreja, que se manifestam em toda parte: a nova evangelização, a transmissão da fé, a perseverança na fé e a operosidade dos filhos da Igreja para a irradiação da luz e da força viva do Evangelho no mundo... Há os desafios internos da renovação constante da Igreja, para que ela viva no compasso do tempo e da cultura, sem deixar de ser ela mesma; há os desafios externos, representados pela cultura do nosso tempo, muitas vezes fechada ao Evangelho, senão, contrária a ele. Há os desafios da presença pública da Igreja no mundo, no contexto da política, da economia, da educação, das relações sociais e internacionais. De fato, o Evangelho não é um bem privado da Igreja, mas uma "luz" para o mundo, que não deve ser ocultada, mas irradiada. Enfim, o desafios podem ser muitos, mas não devemos esperar que eles sejam enfrentados pelo papa sozinho, nem sempre em primeira pessoa. A missão e a responsabilidade pela Igreja são compartilhadas, com o Papa, por todos os bispos em comunhão com ele. E em cada Igreja local, com os bispos, também os sacerdotes e todos os fiéis assumem essa mesma responsabilidade. A Igreja não depende só do papa.

O SÃO PAULO - Qual deve ser a atitude dos católicos neste tempo de espera para a eleição do novo papa?Dom Odilo - Antes de tudo, uma serena fé e confiança na Igreja e na ação do Espírito de Cristo, que não abandona a Igreja. Talvez foi essa a mensagem mais insistente de Bento 16 nesses últimos dias de seu Pontificado: não estamos sozinhos; o Senhor não abandona a sua Igreja. Portanto, ninguém desanime, nem se deixe levar pelo pânico. Este é um tempo de espera e de serena esperança. A Igreja não conta apenas com as próprias forças e fragilidades. Ela pode continuar a contar com o seu supremo Pastor, que é o próprio Senhor Jesus.


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