segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Boletim da CNBB

Boletim Diário da CNBB - 15/10/2012

REFLEXÃO

Para muitas pessoas, Deus deve manifestar-se constantemente para todos, pois somente assim o mundo poderá crer. Na verdade, essas pessoas querem uma demonstração evidente da existência de Deus e da sua presença no nosso dia a dia, porém o Evangelho de hoje nos mostra que assim como Jonas foi um sinal para os ninivitas, Jesus é um sinal para nós, e Jonas foi um sinal para os ninivitas apenas por suas palavras, que os ninivitas ouviram e creram. Deste modo, Jesus é um sinal para nós por sua palavra e é nela que devemos crer e não ficar exigindo que ele fique realizando "milagres" para que fundamentemos a nossa fé.

COMEMORAÇÕES

Nascimento

  • Dom Salvador Paruzzo, Bispo de Ourinhos - SP
  • Dom Hugo Maria Van Steekelenburg, OFM, Bispo de Almenara - MG

Ordenação Episcopal

  • Dom Meinrad Francisco Merkel, CSSp, Bispo de Humaitá - AM
NOTÍCIAS

Balanço da primeira semana da 13ª Assembleia Geral Ordinária para o Sínodo dos Bispos

O secretário geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Leonardo Steiner, e o arcebispo de São Paulo (SP), cardeal Odilo Pedro Scherer, conversaram com os jornalistas da Rádio Vaticano e fizeram um balanço da primeira semana do Sínodo dos Bispos, no Vaticano, que trata da Nova Evangelização para a Transmissão da Fé.

Acompanhe a íntegra do que foi dito pelos bispos:

Dom Leonardo Steiner

"Acho importante dizer que nesta primeira semana, creio que cada um dos padres sinodais teve uma sensação de uma Igreja universal. De uma Igreja que está presente em diversas culturas. Uma Igreja que procura se encarnar concretamente nas diversas realidades, não só América Latina, Europa, Ásia. A grandeza do Sínodo até o momento está em que cada Padre Sinodal pode sentir uma Igreja Católica, na sua diversidade, na sua grandeza, na sua tentativa de encarnar, na sua tentativa de ser presença de muita esperança, e uma presença de Deus.

Outro elemento talvez importante dessa primeira semana seja o desejo de que a Igreja seja muito mais presente. Uma Igreja humilde, no sentido de não ser uma Igreja que se impõe, mas uma Igreja que anuncia. Uma Igreja humilde como foi humilde a Criança de Belém, o Homem de Nazaré, o Crucificado Ressuscitado. O episcopado latino-americano está trazendo muito presente o Documento de Aparecida. Creio que o Documento possa abrir algumas perspectivas para toda a Igreja Católica".

Cardeal Odilo Pedro Scherer

"Foi uma semana intensa, após a abertura, que foi muito bonita, com o intervalo no meio para a abertura do Ano da Fé e a comemoração dos 50 anos da abertura do Concílio Vaticano II, os trabalhos foram intensos desde segunda-feira, 8 de outubro até a noite de sábado, 13 de outubro.

Com a participação de vários Padres Sinodais já deu para formar uma ideia do que se espera da Nova Evangelização, mas também dos vários conceitos que existem. Percebo que não há um conceito unitário sobre a Nova Evangelização. Seria necessário afinar um pouco, mas por outro lado, sente-se urgentemente a necessidade da Nova Evangelização como uma retomada da Evangelização, que em muitos lugares parou, por várias razões, talvez ainda numa mentalidade de cristandade que todo mundo é cristão, todo mundo é católico, e por isso mesmo, o processo de transmissão da fé acontece automaticamente, de geração em geração, a partir da família, da escola, da paróquia. Isto hoje se interrompeu de alguma forma, não inteiramente, mas, em grande parte se interrompeu pelas muitas transformações sociais e culturais havidas nestes últimos tempos, já pelas migrações, o povo das aldeias, das comunidades rurais que foram para as cidades. E isso muda muito a cabeça, as relações humanas e também as relações religiosas e eclesiais, mas por outro lado, as mudanças culturais que colocaram o homem no centro, mais do que o homem, o indivíduo, o sujeito no centro de tudo, de modo que já não está Deus no centro, não está a verdade no centro, não estão os valores absolutos no centro, mas sempre o sujeito, com suas escolhas, os seus gostos, as suas preferências, as suas vantagens. E isso tudo também foi transferido para o campo religioso, de maneira que vale tanto para a não religião, isto é, não querer ter religião, como para a religião ainda praticada, em boa parte, nas muitas formas alternativas de religião que aparecem em que não é Deus o centro, não é a verdade o centro, mas sim os gostos, algumas vantagens. Naturalmente, isto põe a Igreja Católica sob a pressão e a necessidade de rever os seus métodos, suas formas e é necessário retomar a Evangelização de forma renovada, não digo a partir dos conteúdos, porque os conteúdos da Evangelização são sempre o Evangelho, as verdades da fé, as verdades referentes aos valores morais e assim por diante, decorrentes justamente da fé. Porém, o modo de Evangelizar e o modo de se relacionar com o homem atual, com a cultura atual, isso sim muda muito. E é justamente isso que se está procurando no Sínodo, através dos muitos depoimentos, sugestões do que precisa ser destacado, do que deveria ter prioridade, de como fazer com novas iniciativas nas Igrejas locais. Acho que esta primeira semana já foi muito rica. Ela nos deu uma panorâmica de como na Igreja é sentida a necessidade de uma nova Evangelização e também as muitas formas e iniciativas de como essa nova evangelização pode se expressar".


Presidência da CNBB - 60 anos

Desde a sua criação, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil já teve onze presidentes. Na verdade, a Presidência é um órgão colegiado, dirigente e administrativo da CNBB, por cujos atos e pronunciamentos respondem solidariamente os três membros que a compõem, nas funções de presidente, vice-presidente e secretário-geral. Entre as tarefas deste grupo está o relacionamento frequente com a Santa Sé; o diálogo e a cooperação apostólica com as Conferências Episcopais; além da responsabilidade patrimonial e financeira da entidade. A seguir, a lista dos que ocuparam mandatos na Presidência da CNBB:1952 - 1958Dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Cardeal Motta - presidenteDom Helder Pessoa Câmara – secretário-geral (não havia vice-presidente)1958 - 1964Dom Jaime de Barros Cardeal Câmara - presidente    Dom Hélder Pessoa Câmara – secretário-geral (não havia vice-presidente)    1964-1968Dom Agnelo Cardeal Rossi - presidente         Dom Avelar Brandão Vilela – vice-presidente Dom José Gonçalves Costa – secretário-geral 1968-1971Dom Agnelo Cardeal Rossi - presidente         Dom Alfredo Vicente Cardeal Scherer – vice-presidente Dom Aloísio Lorscheider – secretário-geral 1971—1974 Dom Aloísio Cardeal Lorscheider - presidenteDom Avelar Cardeal Brandão Vilela – vice-presidente    Dom José Ivo Lorscheider – secretário-geral    1974—1979Dom Aloísio Cardeal Lorscheider - presidenteDom Geraldo Fernandes Bijos - vice-presidente    Dom José Ivo Lorscheider – secretário-geral    1979-1983     Dom José Ivo Lorscheider - presidenteDom Clemente José Carlos de Gouvea Isnard – vice-presidenteDom Luciano Mendes de Almeida – secretário-geral    1983-1987     Dom José Ivo Lorscheider - presidenteDom Benedito de Ulhôa Vieira – vice-presidenteDom Luciano Mendes de Almeida – secretário-geral 1987-1991 1995Dom Luciano Mendes de Almeida - presidente         Dom Paulo Eduardo Andrade Ponte – vice-presidente †     1987-1991     Dom Antônio Celso de Queiroz – secretário-geral      1991-1995Dom Luciano Mendes de Almeida - presidente         Dom Serafim Fernandes de Araújo – vice-presidente    Dom Antônio Celso de Queiroz – secretário-geral      1995-1998Dom Lucas Cardeal Moreira Neves – presidente (renunciou ao ser nomeado Prefeito da Congregação para os Bispos).Dom Jayme Henrique Chemello – vice-presidente Dom Raymundo Damasceno Assis     - secretário-geral      1998-2003Dom Jayme Henrique Chemello – presidente Dom Marcelo Pinto Carvalheira – vice-presidente Dom Raymundo Damasceno Assis     - secretário-geral      2003-2007Dom Geraldo Majella Cardeal Agnelo - presidente    Dom Antônio Celso de Queiroz – vice-presidente      Dom Odilo Pedro Scherer – secretário-geral      2007-2011Dom Geraldo Lyrio Rocha     - presidenteDom Luiz Soares Vieira – vice-presdienteDom Dimas Lara Barbosa – secretário-geral     2011-2015Dom Raymundo Cardeal Damasceno Assis - presidenteDom José Belisário da Silva – vice-presidente Dom Leonardo Ulrich Steiner – secretário-geral

Termina 2º Encontro Brasileiro de Universitários Cristãos

Terminou neste domingo, 14 de outubro, o 2º Encontro Brasileiro de Universitários Cristãos (Ebruc), realizado em Curitiba, no Paraná. O término do Encontro foi marcado com uma missa especial celebrada pelos bispos, dom Tarcísio Scaramussa, bispo referencial do Setor Universidades da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Moacyr José Vitti, arcebispo de Curitiba  e dom Francisco Biasin, presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso.

Antes da celebração, os participantes do 2º Ebruc assistiram a uma apresentação dos três eixos de atuação do Setor Universidades - formação, comunicação e articulação - e o lançamento oficial do site www.universitarioscristaos.com.br.

Oficinas

Na tarde de sábado, 13 de outubro, o segundo dia do Encontro, foi marcado pela realização de oficinas temáticas que possibilitaram espaços de cocriação onde a vivência pessoal de cada indivíduo foi valorizada para a construção de um projeto coletivo. Na oficina de Desenvolvimento Sustentável - meio ambiente Amazônia, organizada pela assessora da Comissão Episcopal para a Amazônia, da CNBB, irmã Maria Irene Lopes dos Santos, os participantes elaboraram juntos um projeto concreto para a realidade amazônica. Na oficina do Núcleo de Estudantes Internacionais e Encontro de Cultura, o bispo de referência do Setor Universidades, dom Tarcísio Scaramussa, ouviu atento as dificuldades dos universitários imigrantes que trouxeram sua experiência para o Encontro.

Políticas públicas para a juventude; Juventude e participação; Integração da pastoral pesquisa e extensão em diálogo com a comunidade; Movimento Estudantil na contemporaneidade - novas possibilidades de formação e mobilização;  Criação cênica; Mídia digital e evangelização; O que o mercado de trabalho espera do jovem universitário; Núcleo de Estudantes Internacionais e Encontro de Culturas; Culturas Africanas;  A Missão Continental vivida na atualidade universitária; Ecumenismo e Diálogo das religiões na universidade; Juventude e Afetividade, Responsabilidade pessoal e ação comunitária; foram outros temas de oficinas dentre as quais os participantes puderam escolher.

Logo após às oficinas, os participantes do Encontro viveram a experiência de areópagos. Diferentes temas de interesse da juventude universitária foram colocados em debate em pequenos grupos. O assessor do Setor de Cultura da CNBB, Aroldo Braga, e o consultor do Setor Universidades, professor Luciano Costa Santos, animaram e organizaram moderadores que coordenaram 14 areópagos simultâneos compostos por participantes das oficinas realizadas anteriormente.

Já na noite de sábado, os universitários assistiram o show da Banda Mais Bonita da Cidade que abriu a programação cultural com show exclusivo para os participantes do Encontro.  No fim da noite foram realizados dois momentos especiais de oração entre os quais os participantes puderam escolher. Um momento orante de música, reflexão e poesia, com a presença de Rafael Jesus, e uma experiência orante em sintonia com o ritmo da comunidade de Taizé organizado por irmã Helena Berton.


Arquidiocese de Vitória lança hotsite da Semana Missionária

O arcebispo de Vitória (ES), dom Luiz Mancilha Vilela, juntamente, com os bispos auxiliares, dom Joaquim Wladimir Lopes Dias e dom Rubens Sevilha, reuniram a imprensa capixaba e diversos representantes dos movimentos jovens da Igreja para uma entrevista coletiva, na tarde de quinta-feira, dia 11, para apresentar o hotsite da Semana Missionária.

A Semana Missionária acontece em Vitória nos dias 18 e 21 de julho de 2013, e deve reunir mais de 10 mil peregrinos estrangeiros. O evento é uma oportunidade para que os jovens capixabas possam conhecer novas pessoas, desfrutar de momentos especiais de convivência com outras culturas e enriquecer a fé.

Com os dizeres "Semana Missionária é Vitória", o site  www.semanamissionariavitoria.org.br possibilita que os peregrinos conheçam a história da arquidiocese e da cidade de Vitória. Além disso, a página contempla as últimas notícias sobre a Jornada Mundial da Juventude, o Bote Fé e informações sobre como ser voluntário na Semana Missionária.

Durante a coletiva, dom Luiz Mancilha, vestido com a camisa da JMJ, fez questão de destacar a animação da juventude arquidiocesana para a Semana Missionária: "os jovens estão fervendo", referindo-se a empolgação dos capixabas para acolher os peregrinos estrangeiros.

Dom Rubens Sevilha, bispo referencial da Juventude da arquidiocese, também ressaltou o empenho com o qual os jovens capixabas têm se preparado para a Jornada Mundial e, disse que a arquidiocese de Vitória está ansiosa para receber os peregrinos. "O capixaba é um povo acolhedor e não tenho dúvidas que  saberá tratar o jovem estrangeiro muito bem", afirmou.

Preparado a partir do modelo proposto pelo Comitê Organizador Local  da JMJ, o hotsite da Semana Missionária da arquidiocese é estampado  com diversos símbolos do Espírito Santo, como a Pedra Azul, a Terceira Ponte, o Convento da Penha e a Cruz do Papa.

Inicialmente construído em português o hotsite terá versões também em Inglês,Espanhol e Alemão.


Dois milhões de fiéis pelas ruas de Belém para o Círio de Nazaré

Praça lotada e devotos emocionados: assim se pode definir o clima da missa do 220º Círio de Nazaré, presidida pelo núncio apostólico no Brasil, dom Giovanni d'Aniello, representante do papa Bento XVI, e concelebrada pelo arcebispo de Belém (PA), dom Alberto Taveira, na Praça Frei Caetano Brandão, em frente a Catedral Metropolitana da Sé.

Mais de 50 mil pessoas participaram da missa celebrada às cinco horas da manhã. Quase duas horas depois, teve início a principal procissão que reuniu aproximadamente 2 milhões de fiéis.

Para o Núncio Apostólico, o momento foi um experiência única na sua vida. "Foi difícil dormir depois da Trasladação e ficar na espera para viver de novo essa experiência no domingo", afirmou.

O Círio teve início na sexta-feira, com a primeira das onze romarias que compõem a quadra Nazarena. As homenagens continuam nas duas próximas semanas.

O Círio de Nazaré é uma das maiores festas religiosas do mundo. Realizado em Belém do Pará, há mais de dois séculos, congrega pessoas de todo o país numa caminhada de fé pelas ruas da capital paraense.


Rio de Janeiro pronto para o Dia Nacional da Juventude 2012

No domingo, 21 de outubro, um grande evento movimentará a juventude carioca. A partir das 9h, será celebrado, no Parque Madureira, localizado na Rua Soares Caldeira, 115, em frente ao Madureira Shopping, o Dia Nacional da Juventude (DNJ) 2012 que está em sua 27ª edição na cidade do Rio de Janeiro. Este ano, o DNJ faz parte das atividades de preparação para a Jornada Mundial da Juventude Rio 2013 e é uma iniciativa da arquidiocese do Rio, organizado pelo Setor Juventude e com a promoção do Comitê Organizador Local (COL) da JMJ.

O ano de 1985 foi decretado pela ONU como o Ano Internacional da Juventude. Como gesto concreto, a Pastoral da Juventude do Brasil assumiu a celebração do Dia Nacional da Juventude. Em 1986 aconteceu o primeiro DNJ e atualmente, este dia é celebrado no último domingo de outubro, sendo que as comemorações podem ser realizadas em outras datas. O DNJ é um evento realizado anualmente, e este dia é marcado por mobilizações de milhares de jovens em todo o país, para celebrar, como Igreja, a vida da juventude.

A cada ano o DNJ é norteado por um tema. Para 2012 foi escolhido o tema "Juventude e Vida" e o lema "Que vida vale a pena ser vivida?", escolhido pelos membros da Coordenação Nacional de Pastoral Juvenil formada por jovens de pastorais, movimentos, congregações e novas comunidades que atuam com a juventude.

O dia contará com momentos de oração, celebração eucarística presidida pelo arcebispo do Rio de Janeiro (RJ), dom Orani Tempesta, muita música e diversão, como caricaturista, grafite, malabares, hip hop e slackline, instrutor de skate, além de palestras que possuem uma programação durante o evento. Os jovens também encontrarão espaços para aconselhamento, confissões e Adoração Eucarística.

No ano passado, mais de seis mil jovens estiveram presentes no DNJ na Cidade do Samba, e, este ano, a expectativa é de 10 mil jovens.


A CNBB nasceu assim

Reproduzimos aqui o depoimento do primeiro secretário geral da CNBB, dom Helder Câmara, publicado por ocasião dos 25 anos da Conferência, no jornal O São Paulo (19-25/11/1977), no Comunicado Mensal n. 302, (novembro de 1977) e reeditado, em 2002, no livro "Presença Pública da Igreja", por ocasião das comemorações dos 50 anos da CNBB. Ele apresenta alguns detalhes dos bastidores da criação da Conferência. "Os homens se movem e Deus os conduz: eis o resumo das minhas impressões ao recordar o surgimento da CNBB e sua caminhada"Hoje, é fácil ver como o Espírito de Deus, por meio de movimentos como o Movimento Bíblico, o Movimento Litúrgico e, sobretudo, a Ação Católica (Geral e depois Especializada), preparou o Concílio Vaticano II, completado, para os latino-americanos, pela Assembleia Latino-americana de Bispos, em Medellín.Hoje, é fácil verificar como aludidos movimentos prepararam o surgimento das Conferências de Bispos, em plano nacional como a CNBB, ou continental como o CELAM (Conselho do Episcopado Latino-americano). O Espírito de Deus queria conduzir-nos à vivência da Colegialidade Episcopal e da co-responsabilidade de todo o Povo de Deus.O Espírito de Deus, mantendo unida em torno de Cristo e de Pedro a Madre Igreja, santa e pecadora, queria conduzir-nos à vivência correta da Igreja local, em união com a Igreja de Cristo no mundo inteiro, em íntima sintonia com o Santo Padre, e a serviço dos homens, nossos irmãos.Destacar ações pessoais em face de Movimentos cujo alcance último nem sempre entrevíamos; destacar ações pessoais quando as mesmas ideias andavam na cabeça e no coração de muitos, dá-me uma dupla impressão de apropriação indébita e consequente ridículo.É verdade que, com 27 anos de idade, em 1936, a Providência me transferiu, de modo inesperado, para o Rio de Janeiro. Aí, fui levado a colaborar com d. Sebastião Leme e, a seguir, com d. Jaime Câmara. Um dia (sou fraco em datas), vi-me nomeado assistente geral da Ação Católica Brasileira. Em uma célebre Assembleia Geral da Ação Católica, os bispos presentes (recordo-me, entre outros, de d. Antonio Cabral, d. Fernando Gomes e de d. José Delgado) exigiram a criação de um Secretariado Nacional da Ação Católica. Lançaram até um desafio fraterno: se o Secretariado fosse fundado, depois de seis meses de funcionamento, os bispos do Brasil se encarregariam de mantê-lo. Comuniquei a d. Jaime o desafio amável recebido em Belo Horizonte. Ele abençoou a ideia e deu-me carta-branca para agir. Para instalar o Secretariado Nacional da Ação Católica Brasileira fui obrigado a pedir emprestados 50 contos (há uns bons 28 anos) à ASA (Ação Social Arquidiocesana do Rio de Janeiro), que tinha como assistente o queridíssimo irmão pe. Vicente Távora (mais tarde d. Távora), como presidente a Srª. Celina Guinle de Paula Machado e como tesoureiro, o único sobrevivente dos três, Luiz Bettencourt. Com os famosos 50 contos, alugamos oito salas no inesquecível 16º andar do nº 11 da rua México. Compramos o mobiliário indispensável (uns 3 ou 4 armários, umas 4 ou 5 mesas, uma máquina de escrever). O que estava acima de qualquer preço foi a mobilização de leigos simplesmente admiráveis, devotadíssimos, não a pessoas, mas ao serviço ao próximo, servindo à Igreja. Fui buscar no Instituto do Sal, então presidido pelo atual ministro da Justiça, Armando Falcão, uma criatura-símbolo que permaneceu fiel até ser levada pelo Pai para a Casa da Eternidade, há um mês atrás: Cecília Monteiro. Do primeiríssimo núcleo de colaboradores da Ação Católica Brasileira, precursora da CNBB, continuam na ativa, entre outros, Aglaia Peixoto, Carlina Gomes, Maria Luiza Amarante e Edgar Amarante, Jeanette Pucheu, Vera Jacoud, Frei Romeu Dale... Trabalha na Bélgica Yolanda Bettencourt. Parece-me que é juiz Celso Generoso e deputado, Célio Borja. Um "comigo" (tínhamos mesmo um pacto de unidade) meu irmão d. José Távora. Citei apenas nomes que lembram outros numerosos nomes que recordam dedicações sem conta.O Secretariado Geral da Ação Católica Brasileira, com o apoio de núncios apostólicos, como d. Carlos Chiarlo e d. Armando Lombardi, e a alta proteção de d. Jaime e de d. Carlos Carmelo de Vasconcelos Mota, começou inclusive a promover Encontros Regionais de Bispos, como o dos prelados da Amazônia e o dos prelados do Vale do São Francisco.Estava madura a ideia da CNBB. Em um País de dimensões continentais, impunha-se um secretariado que ajudasse os bispos a equacionar com segurança os problemas locais, regionais e nacionais, em face dos quais a Igreja não pode ser indiferente.Aproveitando um bom pretexto para uma primeira viagem a Roma, fui expor o sonho da CNBB ao então subsecretário de Estado do Santo Padre Pio XII, S. Exa. Mons. Montini. Ia como representante dos anseios de numerosos bispos, e viajei com o apoio precioso do senhor núncio e dos senhores cardeais do Rio (d. Jaime) e de São Paulo (d. Carlos Carmelo de Vasconcelos Mota).Mons. Montini ouvia os problemas do mundo inteiro, com enorme perspicácia e profundo interesse fraterno. Quando, depois de meia hora, acabei de expor o projeto da CNBB, ele me submeteu a um teste para medir se me moviam segundas intenções de candidatar-me a bispo. Disse-me S. Exa.: "Estou convicto da necessidade da CNBB. Resta-me uma dúvida final: por tudo que eu ouço e sinto, o natural secretário-geral da CNBB seria o senhor. Acontece que a Conferência é de bispos, e o senhor não é bispo". Não vacilei um segundo na resposta: qualquer outro poderia levantar aquela dúvida, menos ele, que, sem ter então caráter episcopal, era instrumento de Deus para ligação com o Episcopado do Brasil. S. Exa. sorriu, feliz, sentindo que, nem por sombra, havia subintenções no projeto da CNBB. Lembro-me que já deixei no espírito de mons. Montini a sugestão do futuro CELAM.Um ano depois da primeira ida a Roma, tive de voltar a mons. Montini para insistir no sonho da CNBB. Ele garantiu que, em menos de três meses, a Conferência estaria criada. Deus se serviu do hoje Santo Padre Paulo VI para a fundação da CNBB e, pouco depois, do CELAM.Durante dois períodos (de seis anos cada) fui secretário-geral da CNBB. Tivemos nossas primeiras Assembleias Gerais de Bispos e Encontros Regionais memoráveis como os dois Encontros dos Bispos do Nordeste.Tivemos aventuras maravilhosas como o Concílio Ecumênico Vaticano II. Mas ainda era a pré-história da nossa CNBB. Francisco Whitaker Ferreira, o pe. Raimundo Caramuru e Carlina Gomes deram impulso decisivo para que nossa Conferência imprimisse cunho mais científico à sua programação. Ao 2º secretário-geral, d. José Gonçalves, coube dar embasamento financeiro à Conferência. Passos decisivos para a presente figura da CNBB foram o Vaticano II, o Encontro Latino-americano de Medellín e o fortalecimento da unidade da CNBB, graças aos Secretariados Regionais que cobrem todo o País.Hoje, nossa Conferência, sob a presidência providencial de d. Aloísio Lorscheider, com a cobertura perfeita de d. Ivo Lorscheiter como secretário-geral, com a dedicação de sempre de assistentes notáveis e de um laicato extraordinário (do qual é símbolo, no momento, Aglaia Peixoto), a CNBB, com as bênçãos de Deus, revela-se sempre mais, à altura da hora difícil vivida pelo nosso país e pelo mundo.Haja vista a iniciativa das jornadas internacionais para uma sociedade sem dominação, assumida em conjunto pelas Conferências de Bispos da França, dos Estados Unidos, do Canadá, da Ásia e pela Organização de Juristas Internacionais e contando com mais de mil adesões dos cinco continentes e dos setes mares...

Começa o segundo dia do Encontro Brasileiro de Universitários Cristãos

Começou com uma missa as atividades do segundo dia do Encontro Brasileiro de Universitários Cristãos (Ebruc), que acontece em Curitiba (PR). Mais de 500 jovens participam do encontro.

A missa foi presidida pelo bispo de Barra do Piraí/Volta Redonda (RJ) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso, dom Francisco Biasin.

Ontem, 12 de outubro, no encerramento da mesa redonda, o presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Educação e Cultura, da CNBB, e bispo auxiliar de Belo Horizonte (MG), dom Joaquim Giovani Mol Guimarães destacou a missão da Igreja  na Educação e na Cultura e os maiores desafios da ação evangelizadora nesses novos areópagos foi a temática de mesa redonda no primeiro dia do Encontro Brasileiro de Universitários Cristãos (Ebruc).

O presidente da Comissão participou da mesa redonda que foi mediada pelo acadêmico de Teologia, Matheus Cedric Godinho. Também compuseram a mesa o acadêmico de Direto, João Gustavo Henriques de Morais Fonseca, e pela pedagoga Maria Glacia Bastos que apresentaram, a partir das as suas experiências pessoais, a realidade da juventude universitária contemporânea.

Reforçando a importância do diálogo proposto pelo Ebruc, dom Mol respondeu às questões levantadas pelos universitários, falou sobre a importância da prática do ecumenismo e pontuou as dificuldades e as possíveis respostas para vivência cristã no meio universitário. "A sociedade contemporânea é muito complexa e marcada pelo individualismo cultural e esse individualismo ajuda a explicar a dificuldade da ação evangelizadora. As pessoas encontram-se cada vez mais centradas em si mesmas e tem dificuldade de olhar para o outro", alertou.

Segundo Dom Mol, é preciso responder ao individualismo com conhecimento mais profundo da Palavra de Deus e a partir da vida comunitária. "A Palavra de Deus deve ser contemplada a partir da ciência", destacou o bispo. "É preciso de que o serviço e a vida plena em Cristo se concretizem a partir da vida em comunidade para que o Reino aconteça", concluiu.


Mesa redonda do Ebruc debate a ciência e a fé

Pontualmente as 9h da manhã, iniciou a segunda mesa redonda do Ebruc, no Colégio Marista Santa Maria, em Curitiba (PR). A mesa redonda teve como tema "Falamos do que sabemos, testemunhamos o que vimos" (Jo 3, 11).

Diálogo entre jovens de várias áreas do saber destacam as dificuldades e desafios de vivenciar a fé – relação ciência e fé a partir das diferentes áreas do saber. Quais as contribuições de sua área para favorecer o diálogo entre ciência e fé e aprofundar a dimensão da fé dos universitários?

O doutor Pedro Bodê, professor em Ciências Sociais da Universidade Federal do Paraná (UFPR) falou do cotidiano, a ciência e a fé. "Eu percebi, em alguns momentos da minha vida, que sempre que me aproximava da burocracia, me afastava da fé".

Citando filósofos antigos, disse que a aposta na antiguidade era que o mundo se tornaria mais laico. Fez um paralelo, citando Karl Max, do protestantismo e o capitalismo.

"De alguma forma a Igreja segue professando princípios éticos e morais há muitos anos, e a ciência deve seguir os princípios amorais, mas as ciências não podem seguir fazendo o que querem. Se a ciência não tiver limites ela produz algo como Auschwitz (Campo de Concentração nazista que matou milhares de judeus). A Igreja produz formulas de como a ciência deve proceder antes que produza algum tipo de produto, e acho que a ciência está com déficit com a Igreja", destacou Pedro Bodê.

Moderador do debate é Másimo Della Justina, acadêmico do curso de Matemática e professor de Economia na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR).

Nas Ciências Biológicas, a acadêmica do curso de Medicina da PUC-PR, Priscilla Gozzo, destacou que fé e ciência andam juntas. "Uma pessoa de fé tem uma visão é um comportamento totalmente diferente das pessoas que não tem fé. Até o processo de recuperação dessas pessoas que se dizem de fé, são muito mais rápidas do que as que não têm fé".

Na Área de Ciências Humanas, o professor chileno Humberto Contreras Bagozzi, trabalhou dentro de duas frases do pedagogo Paulo Freire. "O que a ciência desumanizou a Igreja está aí para reumanizá-la", disse.

Segundo o professor Humberto, a Pastoral deve atuar na Universidade com conhecimento. A Pastoral não pode se restringir apenas a eventos celebrativos, mas atuar dentro das salas de aulas, da humanização dos alunos. "Deve haver diálogo e prospecção para o trabalho. Portanto, devemos centralizar as ações na questão do homem, da mulher. O conhecimento religioso serve para humanizar o ser humano. A religião é um meio, não um fim. Todo o homem e mulher são seres religiosos, então a Igreja é o meio entre o homem e o fim, que é Deus".

Área de conhecimento jurídica, Lucas Alessandro Silva, acadêmico do curso de Direito da PUC-PR e graduado em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). "Temos uma dificuldade para limitar o que é o Direito. O Direito atua sobre os fatos sociais. O Direito não é neutro, ele é sempre tendencioso. O Juiz está atuando de forma tendenciosa, para um ou outro lado das partes. Então, qual a contribuição do Direito no diálogo em fé e ciência. Eu acho que o Direito não tem o direito de fomentar o diálogo entre questões sociais, mas simplesmente atuar observando os diálogos sociais. Por isso o maior problema que temos com o Direito é a aplicação do senso comum", disse Lucas.


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