quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Boletim da CNBB

Boletim Diário da CNBB - 10/10/2012

REFLEXÃO

Jesus ensinou seus discípulos a rezar, mas isso não quer dizer que Jesus os ensinou a decorar um monte de palavras e a imitarem papagaio, repetindo as palavras que aprenderam. A oração era uma prática constante da vida de Jesus, e muito mais importante do que as palavras que os discípulos deveriam dizer é imitar a atitude de encontro filial de Jesus com o Pai e uma série de valores que deveriam ser conhecidos e experimentados, de modo que a oração expresse uma forma de vida segundo valores do Reino, como a fraternidade, a partilha, o perdão e a própria presença de Deus no coração e na vida das pessoas, e expresse também a nossa atitude filial diante de nosso Deus, que também é nosso Pai.

COMEMORAÇÕES

Nascimento

  • Dom Pedro José Conti, Bispo de Macapá - AP
  • Dom Marcos Marian Piatek, CSSR, Bispo Prelado de Coari - AM
NOTÍCIAS

Novena Missionária 2012

Terça-feira, 9 de outubro, as Pontifícias Obras Missionárias (POM) deram início, em sua sede nacional, em Brasília (DF), à Novena Missionária 2012. A reflexão do primeiro dia foi "Brasil missionário partilha a tua fé", tema da Campanha deste ano.

Dirigido pelo secretário nacional da Infância e Adolescência Missionária (IAM), padre André Luiz de Negreiros, o primeiro encontro apresentou o material da Campanha: cartaz, DVD com testemunhos, envelopes, folhetos dominicais. "Foram enviados mais de 50 toneladas de materiais, frutos de muito trabalho, dedicação de várias pessoas e custo financeiro que precisam ser valorizados pelas comunidades", orientou o secretário quanto ao uso do material na Igreja no Brasil.

Ainda de acordo com padre André, o objetivo da Novena Missionária é "criar comunhão com a Igreja no Brasil e com a Igreja e missionários espalhados em todo o mundo". Foram apresentados também o número de missionários brasileiros além-fronteiras, cerca de 2 mil; o resultado da Coleta do Dia Mundial das Missões 2011 no Brasil, e o destino do dinheiro a projetos missionários em todo o mundo. O testemunho do primeiro dia deu destaque ao Dia Mundial das Missões.

A cada dia da Novena será passado um vídeo (testemunho) do DVD Missionário. Terça, o diretor nacional das POM, padre Camilo Pauletti, apresentou a Campanha Missionária 2012 e seu testemunho missionário em Moçambique, África, onde morou por seis anos. A reflexão desta quarta, 10, será sobre o "Brasil missionário, partilha a tua fé com a África".

Dia Mundial das Missões

Neste ano, o Dia Mundial das Missões é celebrado no sábado e domingo, 20 e 21 de outubro, quando haverá a Coleta Nacional em todas as comunidades e instituições católicas. O valor arrecadado deve ser integralmente enviado ao Fundo Universal de Solidariedade, através das Pontifícias Obras Missionárias. Essa contribuição econômica é destinada a projetos missionários em todo o mundo, por meio da Pontifícia Obra da Propagação da Fé.

Acesse o material da Campanha Missionária 2012 em: www.pom.org.br.


Saudação ao novo bispo de Marabá

A Nunciatura Apostólica no Brasil comunicou que o Papa Bento XVI nomeou bispo da diocese de Marabá, no estado do Pará, o padre Vital Corbellini, do clero da Diocese de Caxias do Sul (RS).

Padre Vital nasceu em Garibaldi (RS) e foi ordenado presbítero em 1986.

Doutor em Patrística pela Pontifícia Universidade Lateranense (Roma), com pós-doutorado em História da Igreja Antiga, na Pontifícia Universidade Gregoriana (Roma), atuou em diversas paróquias de sua diocese, em especial no trabalho com a juventude e na formação teológica de presbíteros e leigos. Foi coordenador da pastoral presbiteral e vigário-geral da diocese, entre 2008 e 2011. Destaque-se também sua participação no projeto "Igrejas-Irmãs", de nossa Conferência, como missionário em Cuiabá (MT) e atualmente na diocese de Ji-Paraná (RO).

A dom Jesus Maria agradecemos o empenho como administrador apostólico da diocese de Marabá que aguarda novo pastor desde abril de 2012, quando ocorreu a renúncia de dom José Foralosso, falecido em agosto passado.

Cumprimentamos o padre Vital, manifestando-lhe nossa fraterna acolhida na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e pedindo a Deus abençoá-lo nessa sua nova missão.

Dom Leonardo SteinerBispo auxiliar de BrasíliaSecretário Geral da CNBB


Saudação ao novo bispo de Petrópolis

A Nunciatura Apostólica no Brasil comunicou que o Santo Padre Bento XVI nomeou bispo da vacante diocese de Petrópolis, no estado do Rio de Janeiro, dom Gregório Paixão, transferindo-o da sede titular de "Fico" e do ofício de bispo auxiliar na Arquidiocese de São Salvador da Bahia.

Nascido em Aracaju (SE), dom Gregório ingressou, em 1987, na Ordem de São Bento, onde se destacou nos estudos teológicos. Cursou Antropologia na Universidade Aberta de Amsterdã, na Holanda, onde atuou também como professor convidado. Foi nomeado bispo em 2006.

O lema escolhido por ele para seu ministério episcopal traz a expressão da marca do seu caminho: "Preparar os caminhos do Senhor". Desejamos que essa inspiração continue a sustentar seu ministério.

Ao agradecermos a Arquidiocese de São Salvador a fraterna acolhida, e a dom Gregório o trabalho aí realizado, manifestamos também nossa gratidão ao Monsenhor Paulo Elias Daher Chédier, que foi o administrador diocesano da diocese de Petrópolis, no período de vacância.

Unidos ao povo da diocese de Petrópolis, saudamos seu novo bispo, suplicamos a bênção de Deus sobre ele e confiamos seu pastoreio à proteção da Virgem Maria.

Dom Leonardo SteinerBispo auxiliar de BrasíliaSecretário Geral da CNBB


Inscrições abertas para a 24ª Assembleia Geral da Associação dos Liturgistas do Brasil

A Equipe de Coordenação da Associação dos Liturgistas do Brasil (ASLI) está se empenhando na preparação da sua 24ª Assembleia Geral, que acontecerá em Porto Alegre (RS), de 28 de janeiro a 1º de fevereiro de 2013.

No site da ASLI já se encontra a programação e a ficha de inscrição para a referida assembleia.

O tema da Assembleia será sobre os "50 anos do Sacrosanctum Concilium – o Ensino da Liturgia".

Mais informações acesse o site da ASLI, no endereço: www.asli.com.br.


40 anos do Conselho de Igrejas para Estudo e Reflexão

O Conselho de Igrejas para Estudo e Reflexão (CIER) está completando 40 anos de atividades ecumênicas, e para marcar a data, está promovendo o seminário "Direitos Humanos e Intolerância Religiosa", que acontecerá no dia 26 de outubro, em Joinville (SC).

Com o objetivo de desconstruir conceitos e pré-conceitos o CIER promove este Seminário e convida para participar: representantes das Igrejas, professores de Ensino Religioso e pessoas interessadas na caminhada ecumênica.


Arcebispo de Niterói saúda novo bispo de Petrópolis

O arcebispo de Niterói (RJ) e secretário do Regional Leste 1 da CNBB (Rio de Janeiro), divulgou uma mensagem saudando dom Gregório Paixão por sua nomeação a diocese de Petrópolis.

Na mensagem, o arcebispo diz acolher com carinho a chegada de dom Gregório.

Leia a íntegra da nota:

Nomeação do novo bispo de Petrópolis

Bendito o que vem em nome do Senhor!

Nesta quarta-feira, dia 10 de outubro, o Santo Padre o Papa Bento XVI, nomeou para Bispo Diocesano de Petrópolis o Exmo. e Revmo. DOM GREGÓRIO PAIXÃO, OSB, até então Bispo Auxiliar de São Salvador da Bahia.

A nossa Arquidiocese e a Província Eclesiástica de Niterói acolhem com carinho a chegada de Dom Gregório Paixão em nosso meio. Deus seja para sempre bendito por nos ter dado tão grande dom! O Bispo de Petrópolis, unido ao Bispo de Campos, de Nova Friburgo e da Administração Apostólica São João Maria Vianney, e a mim, indigno Arcebispo dessa Arquidiocese, engrandece o Povo de Deus nesta porção da Igreja, enriquece o Corpo Místico de Cristo, aqui, onde ele sofre, por vezes, a falta de quem lhe prepare os caminhos do Senhor e seja ministro do seu Amor.

Nascido em Aracaju (SE), com 47 anos de idade e 6 de episcopado, Dom Gregório Paixão é membro da Ordem Beneditina. No Mosteiro de São Bento da Bahia, onde se formou, ele exerceu quase todos os ofícios monásticos e escreveu vários livros. Atualmente, é o secretário do Regional Nordeste 3, da CNBB, e membro titular do Conselho de Cultura  do Estado da Bahia.

Em nome da Arquidiocese de Niterói e em meu nome, quero saudar o querido irmão, como se faz numa família, quando chega mais alguém. Seja bem vindo! Esteja em casa entre nós. Bendito o que vem em nome do Senhor! Que o Deus Trindade ilumine seus passos desde os primeiros, e os conduza a bom termo.

Niterói, 10 de outubro de 2012

Dom José Francisco Rezende Dias Arcebispo Metropolitano de Niterói


O conteúdo do novo livro do Papa

É verdade o que foi dito? E se refere precisamente a mim? E se diz respeito a mim, de que modo?: são as questões com as quais Bento XVI convida o leitor a ler o seu novo livro "Infância de Jesus", terceiro volume da Trilogia sobre Jesus de Nazaré, uma análise dos textos dos Evangelhos que na Itália será publicado antes do Natal, em co-edição com a Livraria Editora Vaticana.

O editor, Rizzoli, destacou alguns conteúdos por ocasião da apresentação do livro do Papa na Buchmesse de Frankfurt, enquanto estão em andamento negociações com editoras de 32 países para as traduções do original em alemão em 20 línguas.

Uma "porta de entrada" aos dois precedentes livros sobre a figura e sobre a mensagem de Jesus. Assim o Papa define no prólogo o seu livro. Bento XVI explica ter desejado interpretar o que Mateus e Lucas contam sobre a infância de Jesus no início dos seus Evangelhos. Uma interpretação que parte de duas perguntas: a primeira sobre o significado da mensagem dos dois autores no momento histórico, a componente histórica da exegese.

Em seguida, destaca o Papa, a segunda pergunta, do "verdadeiro exegeta": "é verdade o que foi dito? E se refere precisamente a mim? E se diz respeito a mim, de que modo? Diante do texto bíblico, cujo último e profundo autor é Deus mesmo, explica Bento XVI, a pergunta sobre a relação do passado com o presente faz parte da nossa interpretação.

Nas páginas fornecidas em antecipação, o Papa escreve que "Jesus nasceu em uma época determinável com precisão, não nasceu e apareceu em público no imprecisado 'era uma vez' do mito. Ele pertence a um tempo exatamente datável e a um ambiente geográfico exatamente indicados: o universal e o concreto se tocam reciprocamente".

Sucessivamente, se lê que "Maria envolveu o menino em faixas": esta imagem, afirma Bento XVI, é "uma referência antecipada à hora da sua morte. Ele é desde o início o Imolado".

O Papa, partindo depois da interpretação de Santo Agostinho da manjedoura, escreve que ela "é o lugar onde os animais encontram o seu alimento", mas é também onde se encontra "Aquele que indicou si mesmo como o verdadeiro pão descido do céu, o verdadeiro alimento do qual o homem tem necessidade para o seu ser pessoa humana".

Eis então que "a manjedoura torna-se uma referência à mesa de Deus, à qual o homem é convidado, para receber o pão de Deus. Na pobreza do nascimento de Jesus se delineia a grande realidade, na qual se atua de modo misterioso a redenção dos homens".


Papa: Concílio Vaticano II, imagem da Igreja de Jesus Cristo que abraça todo o mundo

O jornal da Santa Sé, L'Osservatore Romano, publicou uma edição especial por ocasião do 50° aniversário de abertura do Concílio Vaticano II.

A publicação, em 40 mil exemplares, é composta por narrativas intensas do período do concílio com detalhes de crônicas pouco conhecidas e fotografias raras. Abre essa edição o texto de Bento XVI que na época era jovem e participou como teólogo.

Segue na íntegra, o texto do Santo Padre.

Foi um dia maravilhoso aquele 11 de Outubro de 1962 quando, com a entrada solene de mais de dois mil Padres conciliares na Basílica de São Pedro em Roma, se abriu o Concílio Vaticano II. Em 1931, Pio XI colocara no dia 11 de Outubro a festa da Maternidade Divina de Maria, em recordação do facto que mil e quinhentos anos antes, em 431, o Concílio de Éfeso tinha solenemente reconhecido a Maria esse título, para expressar assim a união indissolúvel de Deus e do homem em Cristo. O Papa João XXIII fixara o início do Concílio para tal dia com o fim de confiar a grande assembleia eclesial, por ele convocada, à bondade materna de Maria e ancorar firmemente o trabalho do Concílio no mistério de Jesus Cristo. Foi impressionante ver entrar os bispos provenientes de todo o mundo, de todos os povos e raças: uma imagem da Igreja de Jesus Cristo que abraça todo o mundo, na qual os povos da terra se sentem unidos na sua paz.

Foi um momento de expectativa extraordinária pelas grandes coisas que deviam acontecer. Os concílios anteriores tinham sido quase sempre convocados para uma questão concreta à qual deviam responder; desta vez, não havia um problema particular a resolver. Mas, por isso mesmo, pairava no ar um sentido de expectativa geral: o cristianismo, que construíra e plasmara o mundo ocidental, parecia perder cada vez mais a sua força eficaz. Mostrava-se cansado e parecia que o futuro fosse determinado por outros poderes espirituais. Esta percepção do cristianismo ter perdido o presente e da tarefa que daí derivava estava bem resumida pela palavra «actualização»: o cristianismo deve estar no presente para poder dar forma ao futuro. Para que pudesse voltar a ser uma força que modela o porvir, João XXIII convocara o Concílio sem lhe indicar problemas concretos ou programas. Foi esta a grandeza e ao mesmo tempo a dificuldade da tarefa que se apresentava à assembleia eclesial.

Obviamente, cada um dos episcopados aproximou-se do grande acontecimento com ideias diferentes. Alguns chegaram com uma atitude mais de expectativa em relação ao programa que devia ser desenvolvido. Foi o episcopado do centro da Europa – Bélgica, França e Alemanha – que se mostrou mais decidido nas ideias. Embora a ênfase no pormenor se desse sem dúvida a aspectos diversos, contudo havia algumas prioridades comuns. Um tema fundamental era a eclesiologia, que devia ser aprofundada sob os pontos de vista da história da salvação, trinitário e sacramental; a isto vinha juntar-se a exigência de completar a doutrina do primado do Concílio Vaticano I através duma valorização do ministério episcopal. Um tema importante para os episcopados do centro da Europa era a renovação litúrgica, que Pio XII já tinha começado a realizar. Outro ponto central posto em realce, especialmente pelo episcopado alemão, era o ecumenismo: o facto de terem suportado juntos a perseguição da parte do nazismo aproximara muito os cristãos protestantes e católicos; agora isto devia ser compreendido e levado por diante a nível de toda a Igreja. A isto acrescentava-se o ciclo temático Revelação-Escritura-Tradição-Magistério. Entre os franceses, foi sobressaindo cada vez mais o tema da relação entre a Igreja e o mundo moderno, isto é, o trabalho sobre o chamado «Esquema XIII», do qual nasceu depois a Constituição pastoral sobre a Igreja no mundo contemporâneo. Atingia-se aqui o ponto da verdadeira expectativa suscitada pelo Concílio. A Igreja, que ainda na época barroca tinha em sentido lato plasmado o mundo, a partir do século XIX entrou de modo cada vez mais evidente numa relação negativa com a era moderna então plenamente iniciada. As coisas deviam continuar assim? Não podia a Igreja cumprir um passo positivo nos tempos novos? Por detrás da vaga expressão «mundo de hoje», encontra-se a questão da relação com a era moderna; para a esclarecer, teria sido necessário definir melhor o que era essencial e constitutivo da era moderna. Isto não foi conseguido no «Esquema XIII». Embora a Constituição pastoral exprima muitas elementos importantes para a compreensão do «mundo» e dê contribuições relevantes sobre a questão da ética cristã, no referido ponto não conseguiu oferecer um esclarecimento substancial.

Inesperadamente, o encontro com os grandes temas da era moderna não se dá na grande Constituição pastoral, mas em dois documentos menores, cuja importância só pouco a pouco se foi manifestando com a recepção do Concílio. Trata-se antes de tudo da Declaração sobre a liberdade religiosa, pedida e preparada com grande solicitude sobretudo pelo episcopado americano. A doutrina da tolerância, tal como fora pormenorizadamente elaborada por Pio XII, já não se mostrava suficiente face à evolução do pensamento filosófico e do modo se concebia como o Estado moderno. Tratava-se da liberdade de escolher e praticar a religião e também da liberdade de mudar de religião, enquanto direitos fundamentais na liberdade do homem. Pelas suas razões mais íntimas, tal concepção não podia ser alheia à fé cristã, que entrara no mundo com a pretensão de que o Estado não poderia decidir acerca da verdade nem exigir qualquer tipo de culto. A fé cristã reivindicava a liberdade para a convicção religiosa e a sua prática no culto, sem com isto violar o direito do Estado no seu próprio ordenamento: os cristãos rezavam pelo imperador, mas não o adoravam. Sob este ponto de vista, pode-se afirmar que o cristianismo, com o seu nascimento, trouxe ao mundo o princípio da liberdade de religião. Todavia a interpretação deste direito à liberdade no contexto do pensamento moderno ainda era difícil, porque podia parecer que a versão moderna da liberdade de religião pressupusesse a inacessibilidade da verdade ao homem e, consequentemente, deslocasse a religião do seu fundamento para a esfera do subjectivo. Certamente foi providencial que, treze anos depois da conclusão do Concílio, tivesse chegado o Papa João Paulo II de um país onde a liberdade de religião era contestada pelo marxismo, ou seja, a partir duma forma particular de filosofia estatal moderna. O Papa vinha quase duma situação que se parecia com a da Igreja antiga, de modo que se tornou de novo visível o íntimo ordenamento da fé ao tema da liberdade, sobretudo a liberdade de religião e de culto.

O segundo documento, que se havia de revelar depois importante para o encontro da Igreja com a era moderna, nasceu quase por acaso e cresceu com sucessivos estratos. Refiro-me à declaração Nostra aetate, sobre as relações da Igreja com as religiões não-cristãs. Inicialmente havia a intenção de preparar uma declaração sobre as relações entre a Igreja e o judaísmo – um texto que se tornou intrinsecamente necessário depois dos horrores do Holocausto (shoah). Os Padres conciliares dos países árabes não se opuseram a tal texto, mas explicaram que se se queria falar do judaísmo, então era preciso dedicar também algumas palavras ao islamismo. Quanta razão tivessem a este respeito, só pouco a pouco o fomos compreendendo no ocidente. Por fim cresceu a intuição de que era justo falar também doutras duas grandes religiões – o hinduísmo e o budismo – bem como do tema da religião em geral. A isto se juntou depois espontaneamente uma breve instrução relativa ao diálogo e à colaboração com as religiões, cujos valores espirituais, morais e socioculturais deviam ser reconhecidos, conservados e promovidos (cf. n. 2). Assim, num documento específico e extraordinariamente denso, inaugurou-se um tema cuja importância na época ainda não era previsível. Vão-se tornando cada vez mais evidentes tanto a tarefa que o mesmo implica como a fadiga ainda necessária para tudo distinguir, esclarecer e compreender. No processo de recepção activa, foi pouco a pouco surgindo também uma debilidade deste texto em si extraordinário: só fala da religião na sua feição positiva e ignora as formas doentias e falsificadas de religião, que têm, do ponto de vista histórico e teológico um vasto alcance; por isso, desde o início, a fé cristã foi muito crítica em relação à religião, tanto no próprio seio como no mundo exterior.

Se, ao início do Concílio, tinham prevalecido os episcopados do centro da Europa com os seus teólogos, nas sucessivas fases conciliares o leque do trabalho e da responsabilidade comuns foi-se alargando cada vez mais. Os bispos reconheciam-se aprendizes na escola do Espírito Santo e na escola da colaboração recíproca, mas foi precisamente assim que se reconheceram servos da Palavra de Deus que vivem e trabalham na fé. Os Padres conciliares não podiam nem queriam criar uma Igreja nova, diversa. Não tinham o mandato nem o encargo para o fazer: eram Padres do Concílio com uma voz e um direito de decisão só enquanto bispos, quer dizer em virtude do sacramento e na Igreja sacramental. Então não podiam nem queriam criar uma fé diversa ou uma Igreja nova, mas compreendê-las a ambas de modo mais profundo e, consequentemente, «renová-las» de verdade. Por isso, uma hermenêutica da ruptura é absurda, contrária ao espírito e à vontade dos Padres conciliares.

No Cardeal Frings, tive um «pai» que viveu de modo exemplar este espírito do Concílio. Era um homem de significativa abertura e grandeza, mas sabia também que só a fé guia para se fazer ao largo, para aquele horizonte amplo que resta impedido ao espírito positivista. É esta fé que queria servir com o mandato recebido através do sacramento da ordenação episcopal. Não posso deixar de lhe estar sempre grato por me ter trazido – a mim, o professor mais jovem da Faculdade teológica católica da universidade de Bonn – como seu consultor na grande assembleia da Igreja, permitindo que eu estivesse presente nesta escola e percorresse do interior o caminho do Concílio. Este livro reúne os diversos escritos, com os quais pedi a palavra naquela escola; trata-se de pedidos de palavra totalmente fragmentários, dos quais transparece o próprio processo de aprendizagem que o Concílio e a sua recepção significaram e ainda significam para mim. Em todo o caso espero que estes vários contributos, com todos os seus limites, possam no seu conjunto ajudar a compreender melhor o Concílio e a traduzi-lo numa justa vida eclesial. Agradeço sentidamente ao arcebispo Gerhard Ludwig Müller e aos colaboradores do Institut Papst Benedikt XVI pelo extraordinário compromisso que assumiram para realizar este livro.

Castel Gandolfo, na memória do bispo Santo Eusébio de Vercelas, 2 de agosto de 2012.

Papa Bento XVI


Comunicado oficial da Arquidiocese de São Salvador da Bahia

Comunicamos que o Santo Padre Bento XVI dignou-se nomear Bispo de Petrópolis, no Estado do Rio de Janeiro, o Excelentíssimo Senhor Dom Gregório Paixão, OSB, que até o presente era Bispo Auxiliar desta Arquidiocese.

Dom Gregório Paixão, ordenado Bispo em 2006, foi colaborador do Cardeal Dom Geraldo Majella Agnelo e, desde março de 2011, do atual Arcebispo Metropolitano. Nesta Arquidiocese, desempenhou com esmero e competência vários cargos, funções e missões. Soube relacionar-se de maneira fraterna com os bispos, sacerdotes e diáconos permanentes, religiosos e religiosas, pastorais e movimentos, leigos e leigas. Nos seis anos de episcopado, Dom Gregório viveu intensamente seu lema episcopal: "Preparar os caminhos do Senhor", demonstrando de mil modos seu amor por Jesus Cristo e seu zelo pela Igreja. Criativo e apaixonado pelo que faz, conquistou uma legião de amigos nesta Arquidiocese e no Estado da Bahia, que sentem vê-lo partir para outro Estado, mas se alegram com a importante missão que assume na Igreja.

Ao agradecer sua presença e dedicação nesta Igreja Particular, invocamos as bênçãos do SENHOR sobre o novo Bispo de Petrópolis e pedimos que todos rezem por sua pessoa e missão.

"Seja bendito o SENHOR, Deus de Israel, desde sempre e para sempre. Amém, amém!" (Sl 41/40, 14). Salvador, 10 de outubro de 2012.

Dom Murilo S.R. KriegerArcebispo de São Salvador da BahiaPrimaz do BrasilDom Gilson Andrade da SilvaBispo Auxiliar de São Salvador da BahiaDom Giovanni CrippaBispo Auxiliar de São Salvador da Bahia

 


Ano da Fé será aberto no Brasil na festa da Padroeira

O Ano da Fé, que será oficialmente aberto pelo Papa Bento XVI em Roma nesta quinta-feira (11), terá início oficial na Igreja do Brasil no dia 12 de outubro, data em que se comemora a Padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida. A abertura se dará durante a missa solene da festa no Santuário Nacional, às 10h, que terá a presidência do Cardeal Arcebispo Emérito de São Paulo, Dom Cláudio Hummes. A presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) convidou Dom Claudio para presidir a Celebração Eucarística porque o Cardeal Arcebispo de Aparecida e presidente da CNBB, Dom Raymundo Damasceno Assis, está em Roma onde participa da abertura a convite do papa. Dom Damasceno explicou que esta não é a primeira vez em que o Papa proclama um Ano da Fé. "O Papa Paulo VI, que é hoje venerado como Servo de Deus, proclamou também o Ano da Fé em 1967". O presidente da CNBB ressaltou ainda que Bento XVI, na Carta Apostólica Porta fidei (Porta da Fé), recorda a beleza e a centralidade da fé a nível pessoal e comunitário e fazê-lo em uma dimensão missionária. "Precisamos fazer com que a beleza e a centralidade da fé cheguem até as pessoas que não conhecem Jesus Cristo e também na ótica da nova evangelização, isto é, fazer com que as pessoas que foram evangelizadas, mas que se esqueceram de Jesus recuperem a sua fé e retornem a vida da comunidade", acrescentou o Cardeal.Dom Damasceno reforçou que o Ano da Fé deve ser um momento para propor a leitura dos documentos do Concílio Vaticano II e aprofundar a sua reflexão para encontrar uma luz para nos guiar como cristãos no mundo de hoje."Portanto, a renovação da fé deve ser prioridade, um compromisso de toda a Igreja nos nossos dias", acrescentou.

Dom Leonardo avalia andamento do Sínodo dos Bispos

O secretário geral da CNBB, dom Leonardo Steiner, presente no Sínodo dos Bispos que se realiza em Roma até o próximo dia 28 de outubro, fez um rápido balanço para os ouvintes da Rádio Vaticano sobre os primeiros dias de trabalho.

Eis a transcrição de seu depoimento:

"O Sínodo caminha muito bem, existe um espírito fraterno muito grande. Existe, entre os bispos, uma busca de partilha, de querer saber como se evangeliza, como se trabalha nos diversos continentes, nas diversas realidades. Creio que a América Latina com o Documento de Aparecida pode dar uma grande contribuição ao Sínodo. A Missão Continental, a nova evangelização tem tudo a ver com esse novo ardor de anunciar Jesus Cristo e o seu Reino. O encontro de Aparecida abriu os nossos olhos, voltou a confirmar a nossa vocação de sermos anunciadores, de sermos todos evangelizadores pelo fato de termos sido revestidos de Cristo, como diz São Paulo.  Nesse sentido, as intervenções  da parte dos bispos latino-americanos, na Sala, têm sido muito positivas chamando a atenção sempre de novo para a necessidade de todos nos envolvermos na missão. Houve algumas outras intervenções importantes, especialmente aquelas feitas por bispos europeus, manifestando a preocupação de anunciar Jesus Cristo num mundo aonde, aparentemente, Deus está ausente, aonde no horizonte de muitas pessoas, Deus já não existe mais. Foram apresentadas reflexões muito profundas, muito boas. Creio que essas contribuições dadas em plenário vão repercutir muito positivamente nos grupos menores de trabalho onde serão feitas as proposições que constarão no Instrumento de Trabalho".


Abertas inscrições para Encontro Nacional de Responsáveis de Juventude

Os responsáveis adultos das arquidioceses, dioceses, movimentos, congregações, comunidades, pastorais e organismos que trabalham com juventude terão um momento único de comunhão e diálogo sobre a evangelização dos jovens no Brasil. De 29 de novembro a 2 de dezembro, em Brasília (DF), acontecerá o Encontro Nacional de Assessores da Pastoral Juvenil, promovido pela Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Tendo em vista o objetivo de contribuir com os assessores na missão de acompanhar os jovens na educação da fé, são convidados apenas os responsáveis adultos de cada uma dessas expressões que trabalham com juventude.

O tema do evento "A Juventude no Ano da Fé" foi escolhido dentro da proposta do Ano da Fé, convocado pelo papa Bento XVI e que terá início nesta quinta, 11 de outubro.

"A Jornada Mundial da Juventude faz parte do calendário para o Ano da Fé. Portanto, vemos a atenção do Papa com os jovens. Com isso, precisamos ajudar os assessores adultos que acompanham os jovens para que estes respondam ao convite do Santo Padre a respeito do Ano da Fé", afirmou o assessor da Comissão Episcopal para a Juventude, padre Carlos Sávio Costa, ao mencionar a proposta para o período que se inicia no dia 11 de outubro de que seja um momento de "autêntica e renovada conversão ao Senhor, único Salvador do mundo", conforme destacou o Pontífice.

Outras informações acesse: www.jovensconectados.org.br.


Arquidiocese de Curitiba abriu o Mês Missionário com homenagem a Santa Terezinha

A abertura do Mês Missionário na arquidiocese de Curitiba (PR) ocorreu neste úlimo sábado, dia 6 de outubro, com uma missa no Santuário São José, do Capão Raso. A missa foi presidida por dom Rafael Biernaski, bispo auxiliar da arquidiocese. Dom Rafael ressaltou, em sua homilia, o significado do ser discípulo missionário nos dias de hoje. "Devemos levar às pessoas a vida de Jesus e o amor de Deus; aonde quer que vamos precisamos ser Igreja viva". O bispo convidou o coordenador arquidiocesano do Conselho Missionário Arquidiocesano, Odaril José da Rosa, para contar um pouco do trabalho do Comidi em Curitiba e região.

Ao final, uma apresentação teatral de bonecos fechou a celebração com a história de Santa Terezinha, a padroeira das missões, para os pequenos missionários presentes na igreja. As crianças puderam conhecer sobre a vida da santa que dedicou cada ato seu ao serviço de Deus e em favor da evangelização dos povos, com seu próprio testemunho.

Santa Teresinha do Menino Jesus é festejada em 1° de outubro, juntamente a São Francisco Xavier, padroeiros da missões. A data marca o início do Mês Missionário. Este mês tem como ápice a celebração do Dia Mundial das Missões no penúltimo domingo de outubro, este ano em 21 de outubro.


Rio de Janeiro é palco do Encontro da Pastoral Familiar do Cone Sul

Com a presença dos representantes das Comissões Episcopais Pastorais para a Familia dos países Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Paraguai e República Dominicana, iniciou no Rio de Janeiro (RJ), dia 8 de outubro, dia do Nascituro, o Encontro Regional da Pastoral Familiar do Cone Sul.

O evento é organizando pelo Conselho Episcopal Latino Americano (CELAM), representado pelo secretário executivo, padre Augusto Ríos Rocha, e coordenado por dom Antônio Augusto Dias Duarte, bispo auxiliar do Rio de Janeiro e assessorado pelo padre Wladimir Porreca, assessor da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família, da CNBB.

O encontro tem como objetivo aprofundar e operacionalizar as conclusões do 7º Encontro Mundial da Família, através do diálogo e reflexão dos delegados da Pastoral Familiar presentes no encontro para revalorizar o significado das dimensões do trabalho e da festa nas famílias, presentes nas diversas regiões representadas neste encontro dos países do Cone Sul.

Como proposta de trabalho, o encontro procurará também vislumbrar horizonte, discernir desafios e traçar linhas de ação.

Estão presentes também o presidente da Comissão para a Vida e Família, dom João Carlos Petrini, Bispo de Camaçari (BA); dom Sebelio Peralta Álvarez, bispo  de San Lorenzo, responsável pela Coordenação Nacional da Pastoral Familiar do Paraguai; dom Pedro María Laxague, membro da Comissão Episcopal da Argentina; leigos; famílias; padres assessores e casais da Pastoral Familiar.

O outro assessor da Comissão para a Vida e Família, padre Rafael Fornasier também está presente, juntamente como os casais coordenadores e vice-coordenadores nacionais e representantes de sete Regionais da Pastoral Familiar.

O Encontro se estenderá até dia 12 de outubro e será um momento para a integração, partilha de experiência e traçar com mais comunhão ações evangelizadoras em prol da família.


Arquidiocese de BH inaugura exposição sobre os 50 anos do Concílio Vaticano II

O arcebispo de Belo Horizonte (MG), dom Walmor Oliveira de Azevedo, inaugura, no próximo dia 11 de outubro, quinta-feira, a Exposição Concílio Vaticano II. Entre os objetos que estarão expostos o visitante poderá ver um solidéu utilizado pelo papa João XXIII, um cálice que foi do papa Paulo VI e um caderno com anotações de dom João Resende Costa, segundo arcebispo de Belo Horizonte, sobre o Concílio Vaticano II.

O evento faz parte dos 50 anos de abertura do Concílio, solenemente iniciado pelo papa João XXIII no dia 11 de outubro de 1962 e concluído pelo papa Paulo IV no dia 8 de dezembro de 1965. Também marca a celebração dos 20 anos do Catecismo da Igreja Católica e a abertura do Ano da Fé.

Realizada no memorial da arquidiocese, a Exposição Concílio Vaticano II será inaugurada no próximo dia 11 de outubro, quinta-feira, às 10h. Estará aberta ao grande público no próximo dia 16 de outubro, de segunda a sexta-feira, das 14h às 17h. O memorial da arquidiocese fica na Praça Duque de Caxias, 200, bairro Santa Teresa, Belo Horizonte.


Lançamento do Ano da Fé na diocese de Uberlândia

O papa Bento XVI proclamou o Ano da Fé, com início em 11 de outubro de 2012 e término em 24 de novembro de 2013. A carta papal convida os cristãos católicos a refletirem intensamente sobre a fé.

Na diocese de Uberlândia, a abertura será realizada na Catedral Santa Teresinha nesta quinta-feira, 11, às 18 horas. O bispo diocesano, dom Paulo Francisco Machado, presidirá a missa solene e lançará a carta pastoral O Ano da Fé.

As paróquias da diocese de Uberlândia farão o lançamento do Ano da Fé, na sexta-feira, 12, dia da festa em louvor a Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil.


Dom Murilo participa do Cenáculo com Maria em Maringá (PR)

A Renovação Carismática Católica, que organiza o Cenáculo com Maria em Maringá (PR), espera que o evento receba público aproximado de 7 mil pessoas na próxima sexta-feira (12) no Parque de Exposições de Maringá. O evento, realizado no Dia de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, terá início às 8h com a presença de Dom Murilo Krieger, Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil e do pregador Roberto Tannus. Os fieis são convidados a doar 1 kg de alimento não perecível na entrada do Parque de Exposições. A arrecadação será destinada a entidades assistenciais de Maringá. No local haverá venda de lanches, salgados e bebidas sem álcool. As crianças terão um espaço especial para os momentos de oração: é o chamado Cenáculo infantil. A santa missa será celebrada às 15h45 e logo após os fieis vão sair em carreata com a imagem de Nossa Senhora Aparecida até a Catedral Basílica Menor Nossa Senhora da Glória. Programação Cenáculo com Maria 2012 em Maringá/PR8h: Acolhida da imagem de Nossa Senhora Aparecida9h: Pregação de Roberto Tanuus. 9h45: Oração do terço. 11h: Pregação de Dom Murilo Krieger.12h: Almoço 13h30: Pregação de Roberto Tanuus.15h45: Santa Missa presidida por Dom Murilo Krieger, concelebrada por Dom Anuar Battisti e clero da Arquidiocese de Maringá. 17h: Saída da Carreata com a imagem de Nossa Senhora até a Catedral de Maringá.

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