segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Boletim da CNBB

Boletim Diário da CNBB - 29/10/2012

REFLEXÃO

Quando o valor material está em jogo em uma determinada situação, ninguém duvida sobre a necessidade de uma ação, pois tudo é permitido para evitar a perda material. Mas quando o valor é a pessoa humana, tudo é muito complicado. Não se pode agir por uma série de motivos como proibições legais, necessidade de uma melhor organização, haverá melhores oportunidades, não é assim que se fazem as coisas e uma série de outros argumentos. Tudo isso nos mostra que nos nossos tempos, os valores não são diferentes dos do tempo de Jesus. Nos mostra também que não vivemos plenamente o Evangelho, pois amamos mais o dinheiro do que os nossos irmãos e irmãs.

COMEMORAÇÕES

Nascimento

  • Dom Celso José Pinto da Silva, Arcebispo Emérito de Teresina - PI
  • Dom Francisco Manuel Vieira, Bispo Emérito de Osasco - SP
  • Dom Jacinto Bergmann, Arcebispo de Pelotas - RS

Ordenação Episcopal

  • Dom Antônio Ribeiro de Oliveira, Arcebispo Emérito de Goiânia - GO
NOTÍCIAS

"Assembleia sinodal, expressão da universalidade da Igreja", disse o papa Bento XVI

O Sínodo dos Bispos sobre a Nova Evangelização foi encerrado no sábado, 27 de outubro, no Vaticano. No final da sessão de trabalhos, o papa Bento XVI proferiu um discurso aos Padres Sinodais, anunciando que decidiu, depois de muito refletir e orar, transferir a competência sobre os Seminários da Congregação para a Educação Católica para a Congregação para o Clero, e a competência sobre a Catequese da Congregação para o Clero ao Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização.

"Seguirão os documentos relativos em forma de Carta Apostólica Motu Proprio para definir os âmbitos e suas respectivas faculdades. Peçamos ao Senhor para que acompanhe os três dicastérios da Cúria Romana nesta importante missão, com a colaboração de toda a Igreja", frisou o Pontífice.

O Papa saudou, ainda, os futuros novos cardeais. "Quis com este pequeno Consistório completar o Consistório de fevereiro, no contexto da Nova Evangelização, com um gesto da universalidade da Igreja, mostrando que a Igreja é Igreja de todos os povos, fala em todas as línguas, é sempre Igreja em Pentecostes; e não Igreja num continente, mas Igreja universal. Quis expressar este contexto, esta universalidade da Igreja que é também a expressão bonita desse Sínodo", destacou.

"Para mim foi realmente edificante, reconfortante e animador ver aqui uma expressão da Igreja universal, com seus sofrimentos, ameaças, perigos e alegrias, experiências da presença do Senhor, também nas situações difíceis", completou o Papa.

"A Igreja sente os ventos contrários, mas sente, sobretudo, o vento do Espírito Santo que nos ajuda, nos mostra o caminho certo, e assim, com renovado entusiasmo, caminhamos e agradecemos a Deus por nos dar este encontro realmente católico", frisou Bento XVI, em seu discurso.

O Santo Padre agradeceu aos Padres Sinodais e a todos aqueles que trabalharam na realização do Sínodo. "Agora, essas proposições são um testamento, um dom ofertado a mim em benefício de todos, que será elaborado num documento vindo da vida e que deve gerar vida", concluiu o Papa.


Mensagem dos participantes do Encontro de Responsáveis pela Pastoral Juvenil da América Latina e do Caribe

Confira abaixo a carta de conclusão do 17º Encontro Latino-americano de Responsáveis Nacionais de Pastoral Juvenil, que aconteceu de 20 a 27 de outubro, em Ypacaraí (Paraguai).

Carta Mensagem aos jovns da América Latina e do Caribe dos participantes do 17º Encontro Latino-americano de responsáveis nacionais de Pastoral Juvenil

Com alegria um novo sol se levanta no espírito dos jovens de nossa América Latina e do Caribe.

Na cidade de Ypacaraí – Paraguai, nos reunimos de 20 a 27 de Outubro de 2012 os Responsáveis Nacionais de Pastoral Juvenil de 23 países: Antilhas, Argentina, Aruba, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Curaçao, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Porto Rico, República Dominicana, Uruguai e Venezuela, como convidados especiais: membros do Secretariado de Bispos dos EUA para América Latina, delegados da Pastoral Hispânica nos EUA, membros da Rede de Institutos da Pastoral Juvenil Latino-americana e organizadores da JMJ Rio 2013, para retomar e reassumir com novas forças as Orientações da Pastoral Juvenil Latino-americana e do Caribe, na construção da Civilização do Amor.

Durante esses dias de encontro e comunhão, partilhamos a vida e o caminhar pastoral, iluminados pela vontade de Deus através do discernimento. Também conhecemos e refletimos a sistematização do Processo de Revitalização através da socialização do documento "Civilização do Amor. Projeto e Missão".

Durante anos, a Pastoral Juvenil Latino-americana foi fazendo história. Reconhecemos e valorizamos todos aqueles que, ao longo do caminho, entregaram sua vida por essa grande paixão no seguimento de Jesus Cristo.

Vivemos em uma hora de graça, este é nosso momento. Com a força de nossa vocação cristã, hoje nos cabe ser os protagonista desta história, pois somos conscientes de que em nossas mãos estar o compromisso de construir uma nova sociedade impregnada com os valores do Reino.

Por isso, manifestamos nossa alegria de ser cristãos, testemunhas da fé e portadores de esperança em entre a vida cotidiana dos jovens.

Temos vivido uma experiência de conversão pessoal e pastoral, agradecidos com nosso Pai Deus e fascinados com sua proposta, regressamos a nossos países com muita alegria e entusiasmo para anunciar o que vimos e ouvimos.

Nosso profundo agradecimento à Equipe Latino-americana de Pastoral Juvenil do Departamento de Família, Vida e Juventude e ao Conselho Episcopal Latino-americana (Celam) a esse lindo país, Paraguai, e a todas as pessoas maravilhosas que tornaram possível este encontro.

Pedimos à Virgem de Caacupé, padroeira destas terras guaranis, que nos cubra com seu Santo Manto e acompanhe sempre o caminhar de nossos povos, especialmente neste tempo de preparação para a Jornada Mundial da Juventude Rio 2013.

"Isso que vimos e ouvimos, nós os anunciamos" (1Jo 1,3)

Ypacaraí – Paraguai, 26 de Outubro de 2012


Mensagem de Bento XVI para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado de 2013

A Sala de Imprensa da Santa Sé divulgou na manhã de sexta-feira, 26 de outubro, a Mensagem de Bento XVI para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado de 2013. O tema da Mensagem é: "Migrações: peregrinação de fé e de esperança".

Leia a seguir a íntegra da Mensagem.

Queridos irmãos e irmãs!

Na Constituição pastoral Gaudium et spes, o Concílio Ecuménico Vaticano II recordou que «a Igreja caminha juntamente com toda a humanidade» (n. 40), pelo que «as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo; e não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração» (ibid., 1). Na linha destas afirmações, o Servo de Deus Paulo VI designou a Igreja como sendo «perita em humanidade» (Enc. Populorum progressio, 13), e o Beato João Paulo II escreveu que a pessoa humana é «o primeiro caminho que a Igreja deve percorrer na realização da sua missão (...), caminho traçado pelo próprio Cristo» (Enc. Centesimus annus, 53). Na esteira dos meus Predecessores, quis especificar –na Encíclica Caritas in veritate – que «a Igreja inteira, em todo o seu ser e agir, quando anuncia, celebra e atua na caridade, tende a promover o desenvolvimento integral do homem» (n. 11), referindo-me também aos milhões de homens e mulheres que, por diversas razões, vivem a experiência da emigração. Na verdade, os fluxos migratórios são «um fenómeno impressionante pela quantidade de pessoas envolvidas, pelas problemáticas sociais, económicas, políticas, culturais e religiosas que levanta, pelos desafios dramáticos que coloca à comunidade nacional e internacional» (ibid., 62), porque «todo o migrante é uma pessoa humana e, enquanto tal, possui direitos fundamentais inalienáveis que hão-de ser respeitados por todos em qualquer situação» (ibidem).

Neste contexto, em concomitância com as celebrações do cinquentenário da abertura do Concílio Ecuménico Vaticano II e do sexagésimo aniversário da promulgação da Constituição apostólica Exsul familia e quando toda a Igreja está comprometida na vivência do Ano da Fé abraçando com entusiasmo o desafio da nova evangelização, quis dedicar a Jornada Mundial do Migrante e do Refugiado de 2013 ao tema «Migrações: peregrinação de fé e de esperança».

Na realidade, fé e esperança formam um binómio indivisível no coração de muitos migrantes, dado que neles existe o desejo de uma vida melhor, frequentemente unido ao intento de ultrapassar o «desespero» de um futuro impossível de construir. Ao mesmo tempo, muitos encetam a viagem animados por uma profunda confiança de que Deus não abandona as suas criaturas e de que tal conforto torna mais suportáveis as feridas do desenraizamento e da separação, talvez com a recôndita esperança de um futuro regresso à terra de origem. Por isso, fé e esperança enchem muitas vezes a bagagem daqueles que emigram, cientes de que, com elas, «podemos enfrentar o nosso tempo presente: o presente, ainda que custoso, pode ser vivido e aceite, se levar a uma meta e se pudermos estar seguros desta meta, se esta meta for tão grande que justifique a canseira do caminho» (Enc. Spe salvi, 1).

No vasto campo das migrações, a solicitude materna da Igreja estende-se em diversas direções. Por um lado a sua solicitude contempla as migrações sob o perfil dominante da pobreza e do sofrimento que muitas vezes produz dramas e tragédias, intervindo lá com ações concretas de socorro que visam resolver as numerosas emergências, graças à generosa dedicação de indivíduos e de grupos, associações de voluntariado e movimentos, organismos paroquiais e diocesanos, em colaboração com todas as pessoas de boa vontade. E, por outro, a Igreja não deixa de evidenciar também os aspectos positivos, as potencialidades de bem e os recursos de que as migrações são portadoras; e, nesta direção, ganham corpo as intervenções de acolhimento que favorecem e acompanham uma inserção integral dos migrantes, requerentes de asilo e refugiados no novo contexto sociocultural, sem descuidar a dimensão religiosa, essencial para a vida de cada pessoa. Ora a Igreja, pela própria missão que lhe foi confiada por Cristo, é chamada a prestar particular atenção e solicitude precisamente a esta dimensão: ela constitui o seu dever mais importante e específico. Visto que os fiéis cristãos provêm das várias partes do mundo, a solicitude pela dimensão religiosa engloba também o diálogo ecuménico e a atenção às novas comunidades; ao passo que, para os fiéis católicos, se traduz, entre outras coisas, na criação de novas estruturas pastorais e na valorização dos diversos ritos, até se chegar à plena participação na vida da comunidade eclesial local. Entretanto, a promoção humana caminha lado a lado com a comunhão espiritual, que abre os caminhos «a uma autêntica e renovada conversão ao Senhor, único Salvador do mundo» (Carta ap. Porta fidei, 6). É sempre um dom precioso tudo aquilo que a Igreja proporciona visando conduzir ao encontro de Cristo, que abre para uma esperança sólida e credível.

A Igreja e as diversas realidades que nela se inspiram são chamadas a evitar o risco do mero assistencialismo na sua relação com os migrantes e refugiados, procurando favorecer a autêntica integração numa sociedade onde todos sejam membros activos e responsáveis pelo bem-estar do outro, prestando generosamente as suas contribuições originais, com pleno direito de cidadania e participação nos mesmos direitos e deveres. Aqueles que emigram trazem consigo sentimentos de confiança e de esperança que animam e alentam a procura de melhores oportunidades de vida; mas eles não procuram apenas a melhoria da sua condição económica, social ou política. É verdade que a viagem migratória muitas vezes inicia com o medo, sobretudo quando perseguições e violências obrigam a fugir, com o trauma de abandonar os familiares e os bens que, em certa medida, asseguravam a sobrevivência; e, todavia, o sofrimento, as enormes perdas e às vezes um sentido de alienação diante do futuro incerto não destroem o sonho de reconstruir, com esperança e coragem, a vida num país estrangeiro. Na verdade, aqueles que emigram nutrem a confiança de encontrar acolhimento, obter ajuda solidária e entrar em contato com pessoas que, compreendendo as contrariedades e a tragédia dos seus semelhantes e também reconhecendo os valores e recursos de que eles são portadores, estejam dispostas a compartilhar humanidade e bens materiais com quem é necessitado e desfavorecido. Na realidade, é preciso reafirmar que «a solidariedade universal é para nós um facto e um benefício, mas também um dever» (Enc. Caritas in veritate, 43). E assim, a par das dificuldades, os migrantes e refugiados podem experimentar também relações novas e hospitaleiras que os encorajem a contribuir para o bem-estar dos países de chegada com suas competências profissionais, o seu património sociocultural e também com o seu testemunho de fé, que muitas vezes dá impulso às comunidades de antiga tradição cristã, encoraja a encontrar Cristo e convida a conhecer a Igreja.

É verdade que cada Estado tem o direito de regular os fluxos migratórios e implementar políticas ditadas pelas exigências gerais do bem comum, mas assegurando sempre o respeito pela dignidade de cada pessoa. O direito que a pessoa tem de emigrar – como recorda o número 65 da Constituição conciliar Gaudium et spes – conta-se entre os direitos humanos fundamentais, com faculdade de cada um se estabelecer onde crê mais oportuno para uma melhor realização das suas capacidades e aspirações e dos seus projetos. No contexto sociopolítico atual, porém, ainda antes do direito a emigrar há que reafirmar o direito a não emigrar, isto é, a ter condições para permanecer na própria terra, podendo repetir, com o Beato João Paulo II, que «o direito primeiro do homem é viver na própria pátria. Este direito, entretanto, só se torna efetivo se se têm sob controle os fatores que impelem à emigração (Discurso ao IV Congresso Mundial das Migrações, 9 de Outubro de 1998). De facto, hoje vemos que muitas migrações são consequência da precariedade económica, da carência dos bens essenciais, de calamidades naturais, de guerras e desordens sociais. Então emigrar, em vez de uma peregrinação animada pela confiança, pela fé e a esperança, torna-se um «calvário» de sobrevivência, onde homens e mulheres resultam mais vítimas do que autores e responsáveis das suas vicissitudes de migrante. Assim, enquanto há migrantes que alcançam uma boa posição e vivem com dignidade e adequada integração num ambiente de acolhimento, existem muitos outros que vivem em condições de marginalidade e, por vezes, de exploração e privação dos direitos humanos fundamentais, ou até assumem comportamentos danosos para a sociedade onde vivem. O caminho da integração compreende direitos e deveres, solicitude e cuidado pelos migrantes para que levem uma vida decorosa, mas supõe também a atenção dos migrantes aos valores que lhes proporciona a sociedade onde se inserem.

A este respeito, não podemos esquecer a questão da imigração ilegal, que se torna ainda mais impelente nos casos em que esta se configura como tráfico e exploração de pessoas, com maior risco para as mulheres e crianças. Tais delitos hão-de ser decididamente condenados e punidos, ao mesmo tempo que uma gestão regulamentada dos fluxos migratórios – que não se reduza ao encerramento hermético das fronteiras, ao agravamento das sanções contra os ilegais e à adopção de medidas que desencorajem novos ingressos – poderia pelo menos limitar o perigo de muitos migrantes acabarem vítimas dos referidos tráficos. Na verdade, hoje mais do que nunca são oportunas intervenções orgânicas e multilaterais para o desenvolvimento dos países de origem, medidas eficazes para erradicar o tráfico de pessoas, programas orgânicos dos fluxos de entrada legal, maior disponibilidade para considerar os casos individuais que requerem intervenções de proteção humanitária bem como de asilo político. As normativas adequadas devem estar associadas com uma paciente e constante ação de formação da mentalidade e das consciências. Em tudo isto, é importante reforçar e desenvolver as relações de bom entendimento e cooperação entre realidades eclesiais e institucionais que estão ao serviço do desenvolvimento integral da pessoa humana. Na perspectiva cristã, o compromisso social e humanitário recebe força da fidelidade ao Evangelho, com a consciência de que «aquele que segue Cristo, o homem perfeito, torna-se mais homem» (Gaudium et spes, 41).

Queridos irmãos e irmãs migrantes, oxalá esta Jornada Mundial vos ajude a renovar a confiança e a esperança no Senhor, que está sempre junto de vós! Não percais ocasião de encontrá-Lo e reconhecer o seu rosto nos gestos de bondade que recebeis ao longo da vossa peregrinação de migrantes. Alegrai-vos porque o Senhor está ao vosso lado e, com Ele, podereis superar obstáculos e dificuldades, valorizando os testemunhos de abertura e acolhimento que muitos vos oferecem. Na verdade, «a vida é como uma viagem no mar da história, com frequência enevoada e tempestuosa, uma viagem na qual perscrutamos os astros que nos indicam a rota. As verdadeiras estrelas da nossa vida são as pessoas que souberam viver com retidão. Elas são luzes de esperança. Certamente, Jesus Cristo é a luz por antonomásia, o sol erguido sobre todas as trevas da história. Mas, para chegar até Ele, precisamos também de luzes vizinhas, de pessoas que dão luz recebida da luz d'Ele e oferecem, assim, orientação para a nossa travessia» (Enc. Spe salvi, 49). Confio cada um de vós à Bem-aventurada Virgem Maria, sinal de consolação e segura esperança, «estrela do caminho», que nos acompanha com a sua materna presença em cada momento da vida, e, com afeto, a todos concedo a Bênção Apostólica.

Vaticano, 12 de Outubro de 2012.


Finalistas do Prêmio Odair Firmino de Solidariedade: "Temos mil razões para viver!"

É com a inspiração de Dom Helder Câmara, fundador da Cáritas Brasileira, que a entidade tem a honra de tornar pública a lista com os três finalistas do III Prêmio Odair Firmino de Solidariedade, cujo tema para 2012 é "Juventude, desenvolvimento e solidariedade".

Jovens multiplicadores de agroecologia, de Flores, em Pernambuco, Navegando nos direitos, de Paranaguá, no Paraná, e Grupo Urucongo de Artes, de Crato, no Ceará, foram as três experiências finalistas selecionadas pelo júri nacional. A reunião de análise, que ocorreu em Brasília (DF) na última semana, foi composta por representantes da Casa da Juventude, da Coordenadoria da Juventude do Distrito Federal, da Secretaria Nacional da Juventude, da Fundação Luterana de Diaconia, e pela Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE). Todo o processo ficou sob a coordenação da Cáritas Brasileira.

Frente a triste e alarmante realidade de violência contra a juventude brasileira, o Prêmio Odair Firmino de Solidariedade, além de denunciar dados reveladores como "nos últimos dezanos, assassinatos de jovens aumentaram 580% no Brasil", também divulga para a sociedade experiências espalhadas por todo país que comprovam a missão profética da Cáritas Brasileira em lutar por um mundo mais justo, igualitário e plural. Todas as 97 experiências que se inscreveram para o Prêmio mostraram que tem "mil razões para viver."

Para Alessandra Miranda, assessora nacional do Programa Infância, Adolescente e Juventude (PIAJ) da Cáritas Brasileira, a possibilidade de trabalhar a temática da Juventude no Prêmio Odair Firmino de Solidariedade, fortalece não só a Cáritas Brasileira no debate junto às juventudes, mas garante um processo de vislumbrar as experiências transformadoras de jovens na sociedade para a superação de uma triste realidade de violência. "Fica o desafio da Cáritas de animar e fortalecer as experiências apresentadas, reconhecendo as mesmas para que a ação seja cada vez mais próxima da realidade dos jovens nos regionais e nas suas localidades de ação. A intencionalidade política da Cáritas em relação às juventudes se fortaleceu e nos coloca em horizontes de qualificar a ação transformadora na sociedade, para e com os jovens, em especial com as juventudes empobrecidas", analisou.

A partir da próxima semana, a Cáritas Brasileira divulgará uma série de reportagens contando algumas das experiências que se inscreveram para o Prêmio. O III Prêmio Odair Firmino faz parte da Semana da Solidariedade, que ocorre todos os anos de 5 a 12 de novembro. A cerimônia de premiação ocorrerá em Brasília (DF), no dia 9 de novembro.

Informações e contato para entrevistas:

Assessoria de Comunicação Cáritas BrasileiraThays Puzzi: (61) 3521-0362 / (61) 8116-4747 / thays@caritas.org.br


Acampamento da Pastoral Universitária em Itumbiara

Nos dias 27 e 28 de outubro, aconteceu na diocese de Itumbiara (GO), o 1º Acampamento de Jovens Universitários, com a assessoria da irmã Maria Eugenia Lloris Aguado, assessora do Setor Universidades da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O evento teve o objetivo de divulgar a Pastoral Universitária aos jovens interessados e parar refletir, em conjunto, as ações concretas a serem realizadas para iniciar a Pastoral.

O evento contou com a participação de 40 jovens com representação das universidades públicas e privadas presentes na diocese. O acampamento foi organizado por um grupo de universitários, dois deles participaram do 1º Encontro Brasileiro de Universitários Cristãos (Ebruc), no ano de 2011, em Betim (MG), e o padre Joaquim Cavalcante, pároco da paróquia São Pedro e São Paulo, em Itumbiara, que atualmente reúne, articula e ajuda na formação destes jovens.

"A diocese de Itumbiara contou nos anos anteriores com uma Pastoral ativa, mas que aos poucos foi se desarticulando, como a Pastoral em nível nacional. Agora, diante deste novo impulso nacional, encontraram incentivo e a juventude, uma vez mais, mostrou o interesse de se fazer presente no âmbito universitário assumindo seu protagonismo e responsabilidade", destacou a irmã Maria Eugênia Lloris.

Dias antes, 23 e 24 de outubro, a Comissão Episcopal Pastoral para a Educação e Cultura, trabalhou, em Brasília (DF), o texto da Pastoral Universitária, que tem como linhas gerais os seguintes questionamentos: que é a Pastoral Universitária?; O que pretende?; seus objetivos?. Este texto foi apresentado aos jovens em Itumbiara para também ouvir suas propostas.


Mobilidade Humana – desafios da Missão

A questão dos haitianos no Brasil e do tráfico de pessoas foram temas de um curso realizado nos dias 19 a 21 de outubro passado, pelo Setor Mobilidade Humana da CNBB em Jundiaí (SP). O assunto será aprofundado pela Igreja do Brasil em 2014, quando a Campanha da Fraternidade será realizada com a temática do "tráfico humano". A assessora do curso foi a Ir. Rosita Milesi, integrante do Setor Pastoral da Mobilidade Humana da CNBB e Diretora do Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH). Em relação ao Haiti, a religiosa destacou a situação precária e sofrida amplamente pela população daquele país. "O Haiti precisa de ajuda. É um clamor que devemos fazer ecoar pelo mundo", afirmou a religiosa.Atualmente, já são mais de 7.500 haitianos no Brasil. "Estes imigrantes que aqui buscam oportunidade de trabalho e de vida digna estão distribuídos por todo o país. Fazem um esforço para integrar-se e, sobretudo, para encontrar trabalho e uma remuneração que lhes possibilite viver em condições mínimas de dignidade aqui, mas, principalmente, de enviar recursos para suas famílias que ficaram no Haiti", explica Rosita. A assessora exemplificou o que precisa ser feito em prol deste grupo:  capacitação, curso de português, trabalho, emprego, ajudas emergenciais, apoio moral e religioso, e convivência social.  Outro tema abordado foi o tráfico humano, onde se buscou aprofundar as razões éticas e de fé que levam a Igreja a combater este crime que se configura como forma atual de escravidão. "A escassez de estatísticas e de registros desta forma cruel de exploração deixa a sociedade ainda sem perceber sua amplitude. Mas, aos poucos, vai se revelando um mundo que se constitui num verdadeiro comércio de seres humanos para as mais vis finalidades: trabalho escravo, exploração sexual, comércio de órgãos, entre outras. E aqui, novamente, o chamado a estarmos ao lado das vítimas para reerguê-las e curá-las, para denunciar estas violações e para demandar o poder constituído a tomar medidas de enfrentamento a este crime e a implementar políticas públicas de assistência às pessoas escravizadas", concluiu Ir. Rosita.

Apelo dos bispos do Espírito Santo pelo fim da violência contra a juventude

Após coletiva de imprensa realizada na tarde de sexta-feira, 26 de outubro, em Vitória (ES), em um apelo contra a violência, clamando por justiça junto aos homens de boa vontade, os bispos do estado do Espírito Santo; dom Luiz Mancilha Vilela,  arcebispo  de Vitória; dom Dário Campos, bispo de Cachoeiro de Itapemirim; dom Décio Zandonade, dispo de Colatina; dom Zanoni Demetino de Castro, bispo de São Mateus; dom Rubens Sevilha, bispo auxiliar de Vitória e dom Joaquim Wladimir Lopes Dias, bispo auxiliar de Vitória, publicaram a carta.

Trata-se de um apelo contra os altos índices de homicídios praticados no Estado do Espírito Santo, principalmente contra os jovens.

Leia a íntegra da carta aqui.


Pastoral da Comunicação da Diocese de Frederico Westphalen forma novos agentes

No sábado, dia 27 de outubro, o Cine Floresta, em Frederico Westphalen (RS), abrigou o 1º Seminário de Comunicação da diocese de Frederico Westphalen. Com a assessoria da irmã Élide Maria Fogolari e padre Clóvis Andrade de Melo, assessores da Comissão,  100 pessoas puderam compreender a organização da Pastoral da Comunicação e como trabalhar nas paróquias.

Pela parte da manhã, dom Antônio Carlos, bispo diocesano, fez a abertura do evento falando a importância de exercitar a comunicação na diocese. "Nós precisamos fortalecer a Pascom e a Igreja precisa estar presente nos diversos meios de comunicação".

Logo após, irmã Élide iniciou sua explanação falando sobre a estrutura e forma de organização da Pascom. "Nós recebemos a missão de Jesus Cristo quando ele nos disse "Ide pelo mundo e pregai o Evangelho", aí está o fundamento da Pastoral da Comunicação. Precisamos de evangelizadores que levam a Palavra de Deus a todas as esferas humanas".

Pela parte da tarde, o padre Clóvis Andrade de Melo, explanou sobre a Rede de Informática da Igreja no Brasil (RIIBRA). "Os meios de comunicação evoluíram e a Igreja, vendo neles um excelente potencial para a realização de sua importante tarefa de anunciar o Evangelho,tem buscado usá-los com sabedoria."

Padre Clóvis também ressaltou a importância da Igreja não se ausentar das novas formas de comunicação. "A Internet é um lugar onde somos expostos, mas não é por isso que a Igreja deve se ausentar deste espaço. Como agentes de pastoral precisamos saber como utilizar estes novos espaços para o bem".

Os temas apresentados pelos palestrantes geraram interação dos participantes que fizeram perguntas e expuseram suas experiências com a Pastoral.


CNBB: "fruto de um grande amor"

É impossível pensar na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) sem recordar a figura do Arcebispo de Mariana (MG), dom Luciano Mendes de Almeida. Na entidade, ele foi Secretário Geral por dois mandatos (1979-1986) e Presidente, também por dois mandatos (1987-1995). Em outro momento, foi membro da Comissão Pontifícia Justiça e Paz (1996-2000) e da Comissão do Secretariado para o Sínodo (1994-1999). Foi também vice-presidente do CELAM (1995-1999). Eleito pela CNBB, foi delegado à Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a América, em 1997. Faleceu aos 27 de agosto de 2006.Apresentamos uma parte do depoimento de dom Luciano no seminário sobre a presença pública da Igreja no Brasil, por ocasião dos 50 anos da CNBB, e publicado posteriormente pelo Instituto Nacional de Pastoral e por Edições Paulinas."Vejam, é interessante como certas vezes não é fácil falar. Isso vale inclusive sobre o que ouvi nesses dias. A minha abordagem sobre a CNBB é diferente. Ouvi, nesses dias, uma série de avaliações. Para mim, a CNBB é fruto de um grande amor. Eu dou e darei a minha vida pela CNBB. Como a mãe, é preciso ver menos os defeitos e mais as qualidades. Guardo da CNBB uma experiência luminosa, de amizade, de contatos, de lutas, às vezes, de provas muito grandes, mas tudo isso envolvido em muito amor. E essa nota do amor, essa unção, acho que não apareceu tanto nesses dias. É claro, cada um tem o seu jeito de abordar a questão. Considero o tempo na CNBB, um tempo de enormes graças espirituais - as pessoas que conheci, a abertura de coração, as experiências sofridas de prisão, de perseguição, contatos com o governo. Lembro-me de dom Oscar Romero ... É muito difícil para mim, no contexto das colocações desses dias, de repente, acrescentar alguma coisa que vem de uma perspectiva que é muito do coração, o que não tira, creio, a vontade de ser objetivo. Até hoje, entretanto, conservo da CNBB uma intensidade de afeto que volta muitas vezes a mim, quando faço oração sobre a vida, sobre as pessoas que conheci, os contatos que tive. Vocês ouviram dom Ivo! Minhas palavras inserem-se entre dom Ivo e dom Celso; vivi todo o tempo, secretário de um, e ao lado do outro quando ele era secretário. Vocês podem imaginar o que significam dezesseis anos de convivência fraterna! É muita coisa. É muita lembrança. São muitos fatos!Então, é possível até escolher alguma coisa. Mas, para que não volte o aspecto muito pessoal, gostaria que a gente falasse da CNBB, não só com respeito, mas com "paixão", porque é uma realização que vem de Deus. A união que houve, embora seja uma união sofrida e, às vezes, com aspectos dolorosos, é uma união milagrosa em momentos-chave: união com os bispos, união com a Santa Sé, união com os padres; experiências de união com os 55.000 religiosos do Brasil, e com os leigos! Hoje, vamos descobrindo certos aspectos mais fortes da presença e atuação do laicato, mas a CNBB sempre, pelo menos nesses anos em que servi em Brasília, teve as portas completamente abertas para todo mundo que entra e sai. Não havia distâncias, devido à amizade entre as pessoas. A CNBB é a casa de todo mundo, a qualquer hora do dia ou da noite. Havia até um problema para a cozinha. Nunca foi uma casa fechada. Nunca ninguém apresentou documento para entrar na CNBB. Vocês sabem que é assim; uma casa que é de todo mundo, uma casa que é a casa da Igreja no Brasil. Então, como vejo esses aspectos? Vejo assim com muita gratidão. É claro que quando se trata de dizer que um bispo foi renovador ou restaurador, respeito isso com carinho, mas não me sinto à vontade, porque é como a mãe dizer que tem um filho um pouco deficiente. Ela não fala isso, ela nunca fala, ela dá um beijo, e não se envolve com essas situações. Não queria que se fizesse uma análise fria da CNBB. Acho que a CNBB foi um lugar de muita amizade, de muito amor, de muito perdão que vivi nesses anos. Afinal, são dezesseis anos! Em primeiro lugar, acho que, quando a gente publicar as atas desse encontro, tem de haver um certo tom na publicação e alguma apresentação da CNBB como corpo "vivo", quer dizer, como realmente uma comunhão e transparência, que nem sempre podem acontecer, mas que, de fato, muitas vezes aconteceram. Esta era a primeira coisa que eu gostaria de colocar em evidência. A segunda é o fato de que a CNBB nunca foi gloriosa. Nunca foi, digamos, elogiada, nem pela Santa Sé, nem pelo CELAM. Ela foi e é uma Igreja sofrida, de modo que quem quiser servir na CNBB para ter um aplauso, uma profissão, não é assim! Quem serve na CNBB - acredito que hoje seja parecido - tem de ter colete a prova de balas e tem de ter um coração forte. Você recebe não só criticas, mas, às vezes, confidências e manifestações profundas que você tem que guardar dentro de si e administrar isso com fé e oração. De modo que acredito que essa marca de uma "igreja sofrida" é uma glória para o Brasil, mas não a glória no sentido de todo mundo achar bonito. Não é assim. Quem conhece as cartas que a gente recebe, quem sabe o que vem dentro dessas cartas, quem ouve às vezes as recriminações. Lembro-me de que ao passar por Roma, em algum Dicastério, falando com alguns bispos, tinha que abaixar a cabeça, para ouvir repreensões, e fazia isso com muita humildade.Creio que, se por um lado tenho pela CNBB, digamos assim, um amor "apaixonado", por outro lado, é um amor sofrido! Não pensem que quem ocupa algum cargo, seja ele qual for, vai receber por causa disso uma espécie de medalha, como a do Sarney. Não vai.Quero dizer a dom Ivo que, naquele dia em que o Presidente concedia medalhas, eu fui por causa de dom Helder. Dom Helder aceitou a medalha e foi, e pediu que eu fosse com ele, e eu fui. Fiquei muito insatisfeito porque o senhor, dom lvo, não foi e ele foi. O quê que eu ia fazer? Deixar dom Helder ir sozinho, também não dava. Mas então, é só para lhes dizer que a relação com o Governo, da minha parte, sempre foi, não digo dura, mas foi sofrida. Esperava três horas ou mais para falar com o Ministro da Justiça. Foi no tempo da prisão dos padres franceses, que saí daqui para ir a Belém e não pude nem visitá-los. Tive que voltar para Brasília. Às vezes, tinha que sofrer uma fiscalização e ficar ali dando razões. Vivi esse tempo duro. Então, quero lhes dizer que considero a CNBB realmente com grande amor. Não falo com linguagem poética. É um amor sofrido quando você ama uma pessoa que passa por uma prova. É essa a lembrança que eu tenho da CNBB. Tive uma vantagem na minha vida. Em 1981, por causa do CELAM, quando era secretário, fiz parte da comissão que visitou os bispos da América Central. Foi uma missão que me deram. Vocês imaginem a situação da Guatemala, de El Salvador, Costa Rica, tudo, tudo, e falando horas com eles e compreendendo o sofrimento de dom Oscar Romero, por exemplo. Oh, meu Deus! Quanto padeceu dom Romero, com aquelas tensões que havia. Tudo isso eu vivi, e vivi, às vezes, numa situação muito difícil, de não poder nem falar com os outros. Então nós éramos quatro bispos fazendo essa visita a toda América Latina. Guardo uma imagem, uma lembrança e um afeto sofrido, e acho que essa é a marca do Cristo. Não queiramos uma CNBB gloriosa, reconhecida, vanguardeira, realizando esquemas. Vejam, toda a parte de planejamento é útil, tudo o que sofremos para elaborar diretrizes, custou muito trabalho, mas nada disso chega perto da dedicação, por exemplo, dos assessores! Quanta gente sofreu quando não falaram bem dos assessores! Quem de nós não sabe que são pessoas que dedicaram a vida inteira, horas a fio, de madrugada, trabalhando, dando a vida pela Igreja no Brasil, correndo de lá para cá. Vocês sabem, isso custou muito mais a nós que estávamos na presidência, do que se tivessem falado de nós. Primeiro, porque eram grandes amigos. Sempre foram. Mereciam confiança. Agíamos com a maior transparência. Eles não podiam, muitas vezes, se defender. Então foi, e ainda é, um momento difícil, que teve reflexos na nova legislação da CNBB.Tudo isso não quer dizer que guardo uma lembrança triste daqueles anos. Não é triste, é sofrida, o que diferente. Você, muitas vezes, enfrenta o sofrimento com garra, e isso causa alegria. Nosso grupo sempre enfrentou dificuldades. Vocês podem estar certos de que a gente nunca procurou uma compensação. Vocês sabem disso, e o maior exemplo para mim é dom Ivo, que podia ter tido o reconhecimento oficial da Igreja, muito maior do que ele teve, todos os merecimentos que ele tem, mas ele e a CNBB viveram uma época difícil. Agora eu queria acrescentar duas grandes realidades que vejo. A CNBB entra na história como um grande exemplo da presença de Deus. Porque nós, os bispos, somos tão diferentes uns dos outros. Vocês sabem disso. Mas houve uma convivência. Há uma convivência, que pode sofrer desgastes, mas nas horas mais duras estivemos juntos. Posso dizer a vocês que visitei uma grande parte dos bispos do Brasil naqueles anos, desde os bispos das áreas indígenas, mais sofridas, até aqueles que estavam passando por doenças. Estive com dom Avelar no dia em que recebeu a notícia do câncer. Depois, ia visitá-lo sempre que estava em São Paulo. Essas visitas fizeram a gente se conhecer melhor do que numa assembleia. Na assembleia, a pessoa pega o microfone e diz o que acha naquela hora, mas as conversas em clima de amizade são diferentes. Uma vez eu cheguei a Pelotas para visitar dom Jayme. Edifiquei-me porque ele tinha para me dar apenas um pedaço de pão, e um gole de café, a tal ponto era a sua vida de pobreza. Nunca me esqueci disso. E assim também eu estive no Nordeste. Hoje nós estamos comemorando aqui a data de Cajazeiras. O bispo de Cajazeiras, dom Zacarias, era um pobre total. Não tinha nada. Usava batina porque não tinha roupa em baixo. Assim, há realmente um nível de relacionamentos entre pessoas que a história não conta, e que é mais importante, e é isso que faz a CNBB. É a ligação existencial, é o perdão quando a gente diz uma coisa errada, quando a gente, às vezes - eu me lembro - saía de uma assembleia, procurava o bispo e dizia: "O senhor me desculpe pelo que falei". Às vezes a gente ia se confessar com ele naqueles dias de confissão comum: "O senhor me desculpe". Isso é uma coisa muita bonita e que talvez não exista em outros lugares. Pelo que eu conheço dos bispos dos Estados Unidos, Canadá, França, Espanha, Itália, convidado que fui naquelas épocas, como outros também, não era tão forte o tipo de relacionamento das pessoas. (...)

Celebração de conclusão do Sínodo

Papa Bento XVI presidiu, neste domingo, 28 de outubro, na Basílica de São Pedro, a celebração eucarística de encerramento da 13ª Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos. Em sua homilia, o Papa se deteve sobre a cura do cego Bartimeu que ocupa uma posição significativa na estrutura do Evangelho de Marcos, itinerário de fé que se desenvolve gradualmente na escola de Jesus.

A condição de cegueira tem um significado denso nos Evangelhos. Representa o homem que tem necessidade da luz de Deus, a luz da fé, para conhecer verdadeiramente a realidade e caminhar pela estrada da vida. "Bartimeu não é cego de nascença, mas perdeu a vista: é o homem que perdeu a luz e está ciente disso, mas não perdeu a esperança. Num de seus escritos, Santo Agostinho interpreta Bartimeu como pessoa decaída duma condição de grande prosperidade e nos convida a refletir sobre o fato de que há riquezas preciosas na nossa vida que podemos perder e que não são materiais" – frisou Bento XVI.

"Nesta perspectiva, Bartimeu poderia representar aqueles que vivem em regiões de antiga evangelização, onde a luz da fé se debilitou, e se afastaram de Deus. São pessoas que deste modo perderam uma grande riqueza, decaíram duma alta dignidade – não econômica ou de poder terreno, mas a dignidade cristã –, perderam a orientação segura e firme da vida e tornaram-se, muitas vezes inconscientemente, mendigos no sentido da existência" - acrescentou o Pontífice.

O Papa destacou que "são muitas as pessoas que precisam de uma nova evangelização, ou seja, de um novo encontro com Jesus, o Cristo, o Filho de Deus, que pode voltar a abrir os seus olhos e ensinar-lhes a estrada. A nova evangelização diz respeito a toda a vida da Igreja. Refere-se, em primeiro lugar, à pastoral ordinária que deve ser mais animada pelo fogo do Espírito a fim de incendiar os corações dos fiéis que frequentam regularmente a comunidade reunindo-se no dia do Senhor para se alimentarem de sua Palavra e do Pão de vida eterna."

Bento XVI então sublinhou três linhas pastorais que emergiram do Sínodo. "A primeira diz respeito aos Sacramentos da iniciação cristã. Foi reafirmada a necessidade de acompanhar, com uma catequese adequada, a preparação para o Batismo, a Confirmação e a Eucaristia; e reiterou-se também a importância da Penitência, sacramento da misericórdia de Deus. É através deste itinerário sacramental que passa o chamado do Senhor à santidade, dirigido a todos os cristãos."

A segunda é que "a nova evangelização está essencialmente ligada à missão ad gentes. A Igreja tem o dever de evangelizar, de anunciar a mensagem da salvação aos homens que ainda não conhecem Jesus Cristo". O Papa recordou que durante as reflexões sinodais, foi sublinhado que existem lugares na África, Ásia e Oceânia, onde os habitantes esperam com expectativa o primeiro anúncio do Evangelho. "Por isso, é preciso pedir ao Espírito Santo que suscite na Igreja um renovado dinamismo missionário, cujos protagonistas sejam, de modo especial, os agentes pastorais e os fiéis leigos. A globalização provocou um notável deslocamento de populações, pelo que se impõe a necessidade do primeiro anúncio também nos países de antiga evangelização" – frisou o Papa.

O terceiro aspecto diz respeito às pessoas batizadas que, porém, não vivem as exigências do Batismo. "Durante os trabalhos sinodais, foi posto em evidência que estas pessoas se encontram em todos os continentes, especialmente nos países secularizados. A Igreja dedica-lhes uma atenção especial, para que encontrem de novo Jesus Cristo, redescubram a alegria da fé e voltem à prática religiosa na comunidade dos fiéis. Para além dos métodos tradicionais de pastoral, sempre válidos, a Igreja procura lançar mão de novos métodos, valendo-se também de novas linguagens, apropriadas às diversas culturas do mundo, para implementar um diálogo de simpatia e amizade que se fundamenta em Deus que é Amor."

Voltando à figura do cego Bartimeu, curado por Jesus, Bento XVI concluiu a homilia dizendo: "Assim são os novos evangelizadores: pessoas que fizeram a experiência de ser curadas por Deus, através de Jesus Cristo"


Papa agradece aos padres sinodais

No final da sessão de trabalhos da manhã dese sábado, 27 de outubro,  Bento XVI proferiu um discurso aos Padres sinodais, anunciando que decidiu, depois de muito refletir e orar, transferir a competência sobre os Seminários da Congregação para a Educação Católica para a Congregação para o Clero, e a competência sobre a Catequese da Congregação para o Clero ao Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização.

"Seguirão os documentos relativos em forma de Carta Apostólica Motu Proprio para definir os âmbitos e suas respectivas faculdades. Peçamos ao Senhor para que acompanhe os três dicastérios da Cúria Romana nesta importante missão, com a colaboração de toda a Igreja" – frisou o pontífice.

O Papa saudou os futuros novos cardeais. "Quis com este pequeno Consistório completar o Consistório de fevereiro, no contexto da Nova Evangelização, com um gesto da universalidade da Igreja, mostrando que a Igreja é Igreja de todos os povos, fala em todas as línguas, é sempre Igreja em Pentecostes; e não Igreja num continente, mas Igreja universal. Quis expressar este contexto, esta universalidade da Igreja que é também a expressão bonita desse Sínodo" – destacou o Santo Padre.

"Para mim foi realmente edificante, reconfortante e animador ver aqui uma expressão da Igreja universal, com seus sofrimentos, ameaças, perigos e alegrias, experiências da presença do Senhor, também nas situações difíceis" – disse ainda.

"A Igreja sente os ventos contrários, mas sente, sobretudo, o vento do Espírito Santo que nos ajuda, nos mostra o caminho certo, e assim, com renovado entusiasmo, caminhamos e agradecemos a Deus por nos dar este encontro realmente católico" – frisou Bento XVI.

O Santo Padre agradeceu aos Padres sinodais e a todos aqueles que trabalharam na realização do Sínodo. "Agora, essas proposições são um testamento, um dom ofertado a mim em benefício de todos, que será elaborado num documento vindo da vida e que deve gerar vida" – concluiu o Papa.


Duas nomeações de bispos do Brasil para serviços na Cúria Romana

Papa Bento XVI nomeou, neste sábado, 27 de outubro dois bispos brasileiros para  trabalhar em organismos da Santa Sé: nomeou dom Alberto Taveira Correia, arcebispo de Belém (PA), como membro do Pontifício Cor Unum que também conhecido como "Conselho da caridade do Papa" e também nomeou dom Francesco Biasin, bispo de Barra do Piraí-Volta Redonda (RJ) como membro do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso.

 

Dom Alberto Taveira Corrêa, Arcebispo Metropolitano de Belém do Pará, é membro da Comissão Episcopal para Textos Litúrgicos da CNBB. Foi nomeado Bispo Auxiliar de Brasília, sendo ordenado no dia 06 de julho de 1991, na cidade de Nova Lima – MG. Já foi membro da Comissão Episcopal de Vocações e Ministérios do Conselho Episcopal Latino-Americano – CELAM. Por  mandato da CNBB, foi indicado Bispo Assistente Nacional da Renovação Carismática Católica, função que continua a exercer.

 

No dia 27 de março de 1996, o Papa João Paulo II criou a Província Eclesiástica e a Arquidiocese de Palmas, tendo Dom Alberto Taveira Corrêa como seu primeiro Arcebispo, onde permaneceu até março de 2010, tendo implantado as principais estruturas da vida eclesial, como a Cúria Metropolitana, Fundação do Seminário e implantação de trinta e cinco das atuais trinta e seis Paróquias da Arquidiocese. Foi presidente do Conselho Episcopal Centro-Oeste da CNBB.

 

Dom Alberto Taveira Corrêa é membro do Conselho Administrativo da Fundação "Populorum Progressio", criada por João Paulo II para ajuda às populações camponesas, indígenas e afro-americanas da América Latina, tendo sido seu Vice-presidente por dois mandatos.

Dom Alberto Taveira Corrêa foi nomeado Arcebispo Metropolitano de Belém do Pará no dia 30 de dezembro de 2009, tendo tomado posse em 25 de março de 2010. É o décimo Arcebispo de Belém e o vigésimo Bispo desde a criação da circunscrição eclesiástica.

(Informaçoes da Fundaçao Nazaré)

 

Dom Francesco Biasin é presidente da Comissão Episcopal para o Ecumenismo e o diálogo inter-religioso. Nasceu em Arzercavalli Pádua na Itália, em 06/09/1943. É filho de Attilio Biasin e Vitória Biasin, ordenado sacerdote em 20/04/68 e Bispo em 12/10/2003. Seu lema é Dar a vida pelos irmãos.  Veio para o Brasil em 1972, colaborar como sacerdote na Diocese de Petrópolis (RJ). Foi pároco da Catedral de Duque de Caxias e compôs a equipe de formação do Seminário Paulo VI, Nova Iguaçu, e responsável pelo Centro de Formação de Pádua. Foi nomeado para a Diocese de Barra do Piraí Volta Redonda, em 8 de junho de 2011, transferido da Diocese de Pesqueira (PE). ral de Duque de Caxias e compôs a equipe de formação do Seminário Paulo VI, Nova Iguaçu, e responsável pelo Centro de Formação de Pádua.

 

(Informações da Diocese de Piraí Volta Redonda)


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