Boletim Diário da CNBB - 28/08/2012
REFLEXÃO
COMEMORAÇÕES
Nascimento
- Dom Antônio Agostinho Marochi, Bispo Emérito de Presidente Prudente - SP
Ordenação Episcopal
- Dom Célio de Oliveira Goulart, OFM, Bispo de São João del Rei - MG
- Dom André de Witte, Bispo de Ruy Barbosa - BA
- Dom Pedro Antônio Marchetti Fedalto, Arcebispo Emérito de Curitiba - PR
- Dom Armando Cirio, OSJ, Arcebispo Emérito de Cascavel - PR
- Dom Albano Bortoletto Cavallin, Arcebispo Emérito de Londrina - PR
- Dom Domingos Gabriel Wisniewski, CM, Bispo Emérito de Apucarana - PR
- Dom Celso Antônio Marchiori, Bispo de Apucarana - PR
- Começa a reunião do Conselho Episcopal Pastoral
- CONSEP estuda mapa das religiões no Brasil
- Pousada do Bom Jesus, em Aparecida, ajuda na formação de novos presbíteros
- Processo da 5ª SSB é tema do Consep
- Dom Eduardo Koaik, um defensor do Ensino Religioso
- Arquidiocese de BH anuncia construtoras responsáveis pelas obras da Catedral Cristo Rei
- Reunião entre equipes do 8º Muticom apresenta andamento das atividades
- Arquidiocese de Salvador recebe jovens suíços
- Catedral Basílica de Curitiba será reinaugurada no primeiro dia da Festa da Padroeira da cidade
Começa a reunião do Conselho Episcopal Pastoral
O Conselho Episcopal Pastoral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) deu início ao primeiro encontro do segundo semestre do ano com uma celebração realizada na Capela Nossa Senhora Aparecida, na sede da Conferência, em Brasília (DF). Durante o ato paralitúrgico, evocada a memória de Santo Agostinho, a Presidência da CNBB e os presidentes das Comissões Episcopais Pastorais trouxeram fatos significativos da caminhada recente da Igreja. O arcebispo de Aparecida (SP) e presidente da CNBB, cardeal Raymundo Damasceno Assis, registrou sua participação em dois encontros internacionais: o primeiro, realizado em São Bernardo (SP), teve representantes de 200 universidades católicas do mundo inteiro e, o segundo, em Brasília, contou com a participação de uma multidão de casais, mais de oito mil pessoas, delegados do movimento Equipes de Nossa Senhora (ENP) de mais de 40 países.
O bispo de Barra do Piraí/Volta Redonda (RJ), dom Francisco Biasin, lembrou o encontro de Piracicaba (SP) que simbolizou um avanço no diálogo entre católicos e membros de Igrejas pentecostais. Já o arcebispo de Pelotas (RS), dom Jacinto Bergman, destacou numerosos encontros e celebrações feitos em todo Brasil marcando o dia do catequista. Dom Sérgio Braschi, bispo de ponta Grossa (PR), realçou a importância do 3º Congresso Missionário Nacional realizado no mês de julho, em Palmas (TO). Alguns assessores da CNBB também lembraram fatos relevantes, como o assessor da Pastoral Afrobrasileira, padre Jurandyr Azevedo Araújo, que registou o encontro das Pastorais Sociais e da 5ª Semana Social Brasileira. A representante da Conferência Nacional dos Institutos Seculares (CNIS), Helena Paludo, repercutiu o apreço pela carta escrita por dom Pedro Brito, arcebispo de Palmas e lembrou ainda o encontro internacional dos Institutos realizado em Assis, na Itália. O padre Deusmar Jesus da Silva, da Comissão para Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada, lembrou o encontro do Conselho Episcopal Latino Americano (CELA) para a formação de presbíteros. A irmã Dirce Gomes da Silva, assessora da Comissão para a Ação Missionária e Cooperação Intereclesial, registrou o Congresso Missionário no Regional Sul 1 da CNBB (São Paulo). Outros fatos também foram apresentados.
Na manhã desta terça-feira, 28 de agosto, os membros do CONSEP tiveram pauta profunda de assuntos. Boa parte do tempo foi dedicada aos estudos sobre os resultados do Censo 2010 a respeito da religião. Os bispos refletiram e levaram em conta a assessoria do padre Thierry Linard de Guertechin, diretor do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Sustentável (Ibrades), que fez considerações técnicas a respeito do modo como o Censo foi realizado e ponderou a respeito dos resultados que revelaram uma séria queda do número de católicos que declararam ao Censo. No debate, foram colocados razões históricas desse fenômeno e reconhecidos desafios dessa realidade.
No final do primeiro período de trabalhos, o CONSEP também acompanhou a análise de conjuntura. Os bispos deverão se debruçar sobre temas significativos neste encontro. Entre eles, aprofundar a análise da Campanha da Fraternidade sobre a Saúde Pública realizada na quaresma deste ano.
Os membros do CONSEP:
Dom Pedro Brito, arcebispo de Palmas (TO), presidente da Comissão Episcopal Pastoral para Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada;
Dom Severino Clasen, bispo de Caçador (SC), presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Laicato;
Dom Sérgio Braschi, bispo de ponta Grossa (PR), presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Missionária e Cooperação Intereclesial;
Dom Jacinto Bergmann, bispo de Pelotas (RS), presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-catequética;
Dom Armando Bucciol, bispo de Livramento de Nossa Senhora (BA), presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia;
Dom Francisco Biasin, bispo de Barra do Pirai/Volta Redonda (RJ), presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso;
Dom Guilherme Werlang, bispo de Ipameri (GO), presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz;
Dom Joaquim Giovani Mol Guimarães, bispo auxiliar de Belo Horizonte (MG), presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Educação e Cultura;
Dom João Carlos Petrini, bispo de Camaçari (BA), presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família;
Dom Dimas Lara Barbosa, arcebispo de Campo Grande (MS), presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação Social;
Dom Eduardo Pinheiro, bispo auxiliar de Campo Grande (MS), presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude.
CONSEP estuda mapa das religiões no Brasil
Os dados do IBGE sobre religiões divulgados no final do mês de junho continuam a ser objeto de reflexão dos bispos e da Igreja. Os católicos eram 124.976.912 em 2000 e caíram para 123.280.173 em 2010, portanto, uma queda de 1,4%. Contando com a ajuda do padre jesuíta, Thierry Linard de Guertechin, diretor do IBRADES, os bispos puderam aprofundar o significado mais profundo desses números. Buscaram compreender as causas e continuaram a levantar desafios. Vários participantes do debate que conta também com os assessores das Comissões Episcopais e dos Organismos ligados à CNBB consideram que a discussão merece maiores aprofundamentos e, ainda que existam causas já conhecidas como o acompanhamento da Igreja ao movimento migratório, há razões mais complexas que motivam o novo quadro religioso brasileiro.
O padre Thierry esclareceu a situação bastante comum nos debates sobre o assunto em várias partes do país, especialmente nos ambientes da Igreja. Há quem se queixe de que não foi entrevistado pelo IBGE como se esse fato fosse colocar em dúvida a seriedade das estatísticas. Ele disse que desde os anos de 1960, depois do questionário básico que á aplicado à população geral, uma amostragem de menor percentual recebe questionários mais amplos e consideram temas específicos como o das religiões. Deste modo, não é porque não se verifica ampla investigação pelas entrevistas do Censo que faltaria base para os dados divulgados. A coleta de informações mais detalhadas respeita amostragens bem menor em relação à totalidade da população.
Dom João Carlos Petrini, bispo de Camaçari (BA), lembrou, por exemplo, que a secularização é fortemente responsável pelo fato de que os entrevistados não se declaram católicos mesmo quando são batizados e não têm vivencia nas comunidades deixando as pessoas vulneráveis a outras propostas religiosas". Em outros tempos, a cultura católica estava mais arraigada na forma de compreender a vida e no convívio da sociedade. O padre Thierry considera importante levar em conta o que, atualmente, tem se compreendido como "mercado religioso". Dom Guilherme Werlang, bispo de Ipameri (GO), destacou preocupação para que se considere os últimos dados divulgados sobre os modelos de famílias diferentes do conceito tradicional.
Análise de conjuntura
Os membros do CONSEP, no final da manhã desta terça-feira, acompanharam a apresentação de uma análise de conjuntura produzida por ampla equipe de especialistas composta por membros da assessoria de política da CNBB e colaboradores da Comissão Brasileira de Justiça e Paz (CBJP). Coube a Pedro Gontijo, membro da CBJP, fazer a exposição da análise que contempla uma avaliação sobre o cenário internacional e nacional. Entre os fatos lembrados na análise, Gontijo falou da campanha pelo voto limpo realizada nesse período com a participação efetiva dos tribunais eleitorais. Em algumas regiões do país, comitês da sociedade civil tem participado desse esforço e, desse modo, percebe-se certa sinergia entre forças da sociedade civil e dos tribunais.
Vários outros aspectos foram considerados na análise. A respeito do processo do chamado "mensalão", por exemplo, a análise mostra que há duas teses estão em jogo: a primeira que trata de corrupção propriamente e a segunda é de que várias movimentações supostamente verificadas seria movimento do que se costuma chamar de "caixa 2". O que ocorre, então, nesse episódio da ação penal 470 é um julgamento sobre o sistema eleitoral brasileiro. Também ganhou destaque o histórico do "Grito dos excluídos" em vista da realização do próximo evento no dia 7 de setembro. Ele faz parte da articulação em torno da 5a Semana Social Brasileira que discute o papel do Estado. Registrou-se o encontro nacional das organizações do povo do campo que não recebeu a devida cobertura da imprensa. Neste encontro, um dos pontos de grande importância foi a discussão sobre a realização da reforma agrária no Brasil.
Pousada do Bom Jesus, em Aparecida, ajuda na formação de novos presbíteros
No dia 19 de março, solenidade de São José, a arquidiocese de Aparecida (SP) inaugurou a Pousada do Bom Jesus, que funciona em algumas alas do Seminário Missionário Bom Jesus. A Pousada do Bom Jesus é a terceira e última etapa das obras de revitalização do prédio. A primeira etapa deste grande projeto foi realizada para acolher o Santo Padre, o papa Bento XVI e sua comitiva por ocasião da sua visita à Aparecida para inaugurar a 5ª Conferência Geral do Episcopado Latino-americano, em maio de 2007.
Em 04 de julho de 1980, o papa João Paulo II, em sua primeira visita apostólica ao Brasil, esteve em Aparecida para sagrar a Basílica Nacional com o título de Basílica Menor. Na ocasião, o Seminário Bom Jesus teve a honra de receber Sua Santidade para um almoço com os seminaristas e padres da arquidiocese, e hospedá-lo, por uma tarde, no mesmo quarto em que se hospedou o papa Bento XVI, em visita a Aparecida em 2007.
Um ano após a visita do papa Bento XVI, foi reiniciada a reforma da parte destinada a residência e formação dos seminaristas maiores, entregue no dia 06 de agosto de 2010. E dando continuidade ao projeto, teve início a revitalização da última parte do edifício que compreende a pousada. O espaço conta com 77 apartamentos, sendo oito suítes e dois quartos para receber hóspedes com necessidades especiais.
Estiveram presentes no evento autoridades civis e eclesiais, entre elas o cardeal arcebispo emérito do Rio de Janeiro, dom Eusébio Oscar Scheid, padre Darci José Niciolli, reitor do Santuário Nacional; monsenhor Nelson Lopes, vigário geral da arquidiocese de Aparecida, entre outros. Vários benfeitores da obra de revitalização do prédio também marcaram presença, além de religiosos e religiosas, clero arquidiocesano e leigos.
A inauguração contou com a Celebração da Palavra, preparada pelos seminaristas arquidiocesanos, e discursos de autoridades e benfeitores. Em seu pronunciamento, o cardeal arcebispo de Aparecida, dom Raymundo Damasceno Assis, fez um resumo da história do prédio e agradeceu a todos aqueles que direta ou indiretamente ajudaram na sua revitalização.
O Seminário Missionário Bom Jesus está aberto à visitação de todos que queiram conhecer suas instalações. O quarto que recebeu os Papas João Paulo II e Bento XVI, a capela e o refeitório usados pelo atual Pontífice também podem ser visitados, além do nosso museu.
"Gostaria de ressaltar que toda a renda arrecadada com os serviços prestados pela Pousada do Bom Jesus é revertida em sua totalidade para a manutenção do Seminário Missionário Bom Jesus", disse o arcebispo de aparecida, dom Raymundo Damasceno.
As visitas podem ser feitas durante a semana, das 8h às 12h e das 13h30 às 17h, com exceção da terça-feira quando é feita a manutenção. Nos finais de semana e feriados, o horário para o público é das 8h às 12h e das 14h às 17h.Mais informações sobre a pousada e como se hospedar podem ser obtidas através do site www.pousadadobomjesus.com.
Processo da 5ª SSB é tema do Consep
"Estado para quê e para quem?" Este é o tema da 5ª Semana Social Brasileira (SSB), promovida pela CNBB e movimentos sociais, que esteve na pauta da sessão desta tarde, 28 de agosto, do Conselho Episcopal de Pastoral (Consep), realizada na sede da CNBB, em Brasília. A apresentação foi coordenada pelo presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, Justiça e Paz, dom Guilherme Werlang, e do assessor, padre Ari Antônio dos Reis.
Dom Guilherme fez referência ao seminário das pastorais sociais, realizado entre os dias 21 e 23 de agosto, e que também tratou da temática da 5ª SSB. "Foi muito importante para avaliar e encaminhar os próximos passos, como também começar a coletar as sistematizações que devem chegar dos regionais, das dioceses, das pastorais sociais e dos movimentos sociais do Brasil".
Na apresentação, o padre Ari fez questão de destacar que é preciso crescer na compreensão de como funciona a 5ª SSB. "É preciso reforçar a ideia de processo, e não um evento isolado", afirmou. A Semana já é uma realidade nas dioceses e regionais, mas que ainda há dificuldades de articulação.
Neste sentido, foi apresentada uma proposta de alteração da data de realização do evento nacional, que está prevista para maio de 2013. A coordenação sugeriu que este evento seja transferido para setembro, para propiciar uma melhor participação dos movimentos sociais. A proposta foi aprovada no Consep, mas ainda dependerá de confirmação em outras instâncias da entidade.
Por fim, foram apresentados os subsídios produzidos até agora, e as novas iniciativas em vista da promoção da temática 5ª SSB.
Dom Eduardo Koaik, um defensor do Ensino Religioso
Educadores e Educadoras do Brasil agradecem ao bispo emérito de Piracicaba (SP), dom Eduardo Koaik, falecido no último dia 26 de agosto, o que fez e ensinou sobre o Ensino Religioso nas Escolas do Brasil. Divulgamos dois de seus artigos, publicados no jornal Folha de São Paulo, nos anos de 1995 e 1996 sobre o Ensino Religioso.
Conhecedor da educação como processo que visa o desenvolvimento de todas as potencialidades do ser humano, dom Educado deixou um legado: a compreensão do papel do Ensino Religioso nas Escolas.
Demonstrou a importância desta disciplina na área de conhecimento nos termos da legislação atual, e de sua natureza ao ser levada à prática em instituições de ensino abertas a todos.
"O que se ele fez pela educação tem valor duradouro. O que se faz para a compreensão do papel e natureza do ER no ambiente escolar contribui sobremaneira para que as relações de poder e de saber se tornem fraternas, participativas e, assim, promovam a paz, fruto da justiça. Isto o nosso dedicado Mestre soube muito bem fazer, apresentando pistas concretas para a sua regulamentação no sistema escolar", explica a assessora do Setor Ensino Religioso da CNBB, professora Anísia de Paulo.
A professora seguiu destacando: "Dom Eduardo não transferiu o seu direito de falar sobre o assunto, ele observou, escutou e respondeu aos questionamentos a ele dirigidos, com clareza, firmeza e a sabedoria própria de um Pastor/Educador".Vejamos abaixo o que disse em 1995 e 1996, em pleno debate da regulamentação da matéria, durante a elaboração da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional:
Artigo 1: Ensino Religioso nas Escolas A revanche do sagrado
Inserido na história, o ser humano é responsável pelo mundo, pela sociedade, pela cultura e pelo ambiente ecológico em que vive. Ele age de acordo com a sua consciência "iluminada pelos valores objetivos da vida humana". A educação liberta a pessoa dos condicionamentos e dominações que dificultam seu crescimento.
É um caminho longo que leva á tomada de consciência de um sentido transcendente que ajuda não só a libertar-se individualmente, mas também a abrir-se a uma ordem social humanizadora. "Através dessa abertura, o homem transcende a si mesmo e descobre o ser supremo, que dá sentido à sua existência, e, ao estabelecer com ele uma relação vital, aprende a lhe ser fiel em todos os momentos de sua existência e de sua atividade".
Por isso mesmo, não pode faltar na educação a dimensão religiosa, para que a formação do ser humano seja completa. É preciso cultivar no homem aquelas razões íntimas e transcendentais, fortalecer o caráter do cidadão, desenvolver o seu espírito de participação, aprofundar as motivações para a autêntica cidadania.
A educação da religiosidade na escola tem uma abrangência muito grande, mas não tem a missão de formar os crentes das diversas confissões religiosas. A pluralidade religiosa se evidencia muito claramente, sobretudo na escola da rede oficial, onde existem e se manifestam as mais variadas expressões e organizações religiosas.
Sente-se que esse substrato religioso, trazido pelos educandos à escola, tão rico e complexo, é ao mesmo tempo vulnerável às manipulações religiosas, culturais, ideológicas e políticas. É importante que a educação do senso religioso seja feita de forma crítica, organizada, articulada com a vida e com a cultura do educando, visando seu crescimento.
Esse trabalho inicial na escola poderá ser completado e esclarecido na própria comunidade de fé. Nesse sentido, o ensino religioso é visto como "pré-confessional" e, para os cristãos, como "pré-evangelização".
O ensino religioso escolar já tem uma caminhada na qual podemos analisar avanços gradativos:
- Houve um período em que a aula de religião era dada ao aluno de forma sistematizada com referenciais próprios, livros sagrados, ritos e conteúdos da religião. Dentro dessa visão, a religião é ensinada de forma objetiva, racional, consciente. O ensino trabalha com conteúdos e conceitos. É o ensino estritamente confessional, com a finalidade de revelar Deus ao homem.
- Em uma segunda fase, o ensino religioso entrou em uma linha antropológica mais humanista e de fé. O ensino tem sua fonte não só na Bíblia, mas envolve as tendências pedagógicas, filosóficas e políticas, procurando integrar os valores e dimensões da pessoa humana. O ensino religioso escolar torna-se interconfessional. Permite descobrir e vivenciar os valores comuns às religiões que facilitam a aproximação com o transcendente e a busca da comunidade de fé.
- A educação religiosa está buscando agora a inter-relação e a aproximação ecumênica que envolve toda a comunidade educativa. Procura dar uma visão orgânica do mundo, situando o homem como parte integrante desse universo.
Educa a religiosidade subjetiva do aluno, servindo-se da linguagem simbólica, intuitiva; trabalha com os valores essenciais da vida e se fundamenta na Bíblia, nos modernos conceitos pedagógicos e científicos, demonstrando que não existe contradição entre ciência e fé, mas que há um fortalecimento desta na descoberta do plano de Deus e de toda energia colocada por Ele no universo que o homem está descobrindo.
Esse processo educa para a unidade, respeitando e promovendo a diversidade cultural e religiosa.
O progresso técnico-científico, as transformações surpreendentes que se dão no campo da cultura, da política e da economia, trouxeram nova visão da realidade, envolvendo mudanças radicais em nossa percepção, em nossos pensamentos, valores e, conseqüentemente uma transformação social profunda.
Nesse contexto, a educação religiosa é proposta para ajudar a pessoa a crescer em humanidade, na dimensão ecumênico-fraterna, na busca solidária de pistas indicadoras de soluções globais.
O ser humano é chamado a ser: livre, consciente, solidário, fraterno, ecumênico e aberto, construtor de uma nova sociedade. Somos chamados a conviver com os outros dentro do projeto bíblico de sermos imagem e semelhança de Deus e de construirmos juntos, uma sociedade defensora da dignidade da pessoa e promotora da justiça e da vida.
Folha de São Paulo, 10/08/1995, página 3.Artigo 2: Ensino Religioso e a exceção da Regra
Intriga-me tanta falta de objetividade no cerrado combate contra o Ensino Religioso Escolar (ERE). As verdadeiras causas nunca afloram. Permanecem ocultas no mais profundo do subconsciente. Quando se fala em "razões técnicas e não de caráter religioso", intriga-me ainda mais.
A Constituição de 1988, nesta matéria, não me parece que seja de entendimento inacessível aos não peritos.
No artigo 210, onde se reza "O ensino religioso de matrícula facultativa" requer-se especial acrobacia para fazer entender: "ensino religioso facultativo"; onde se reza em continuação: "Constituirá disciplina dos 1º e 2º graus".
Em outras palavras, está determinado que o ensino religioso é disciplina obrigatória para a escola de matrícula facultativa para os alunos.
Onde se reza: "Nos horários normais da escola", evidente que não pode significar: fora da grade escolar. Mais: se a Constituição obriga que se introduza o ensino religioso no currículo escolar, cabe ao Estado a responsabilidade de oferecer necessários recursos.
Todos os Estados da Federação, exceto o Estado de São Paulo, chegaram ao mesmo entendimento do artigo 210. O que me leva a pensar que o Estado de São Paulo comporta-se como se fosse um país fora do Brasil.
Tal interpretação do texto em questão não é minha. São lições aprendidas com o renomado jurista professor Ives Gandra Martins, no seu abalizado parecer ("Revista dos Tribunais", janeiro, pág. 62, 1996).
Importante observação a que muitos não se dão conta. Distinguem-se hoje, claramente, ensino religioso e catequese. Aquele atua no plano da cultura, atendendo a exigência de uma educação integral. A relação com o transcendente é que vai dar ao aluno resposta satisfatória ao questionamento existencial sobre o pleno sentido da vida.
A catequese por sua vez vai oferecer o aprofundamento da fé religiosa, cujo lugar apropriado não é a escola. E sim, a comunidade de fé.
O Brasil não é um país ateu. A Lei Magna promulgada "sob a proteção de Deus" confirma o valor da religião refletindo o sentimento da quase totalidade da população brasileira. Portanto, há que se ter muito cuidado quando se proclama a laicidade do Estado e, com menos sentido ainda, o ensino laico.
Em que sentido se pode afirmar a laicidade do Estado? Não se trata de expressão cunhada na atual Constituição.
O que lá está é que o Estado subordina-se a ela e dela recebe as normas de conduta. O Estado guia-se por ela. O Estado é laico apenas no sentido de não adotar religião oficial. Compete-lhe a todas respeitar e proteger. No caso de privilegiar a religião católica, é por razões de tradição cultural do país.
A tradição cultural compõe a identidade de uma nação. Em toda nação merece reconhecimento e respeito o que constitui as raízes de sua história. Nação sem raízes não tem história. Argumenta-se com a laicidade do Estado para impedir o ensino religioso escolar.
Somente a primeira Constituição Republicana, de 1891, de forte influência positivista, consagrava esse princípio sem raízes em nossa história.
As demais Constituições e não são menos de cinco, três democráticas e duas autoritárias implantaram em seu corpo artigo sobre o ensino religioso. Então, pergunto de novo, onde se fundamenta o ensino laico?
A Secretaria de Educação designou uma Comissão Especial para o estudo do assunto. Pensava eu, de início, que teria o objetivo de viabilizar o preceito constitucional. Mas, não!
A sobredita comissão praticou uma metodologia de ouvir tanta gente que nada tinha com o ensino fundamental. Deixou de ouvir os diretamente interessados, os pais dos alunos.
Pesquisa do Datafolha (9/10/95), sem abranger o interior do Estado, revelou que 65% dos alunos pediam ensino religioso. Os alunos de hoje dão lição aos mestres. E sensatamente apontam o que tem realmente importância para sua educação integral.
Desse modo a comissão conseguiu elaborar parecer contra o ensino religioso obrigatório, interpretando tendenciosamente a Constituição. Contraria assim, o modo de pensar das Secretarias de Educação de todos os Estados do Brasil. Agora, penso, resta recurso a quem tem a última palavra e verdadeira competência para uma decisão final.
Finalizo lembrando que a presença do ensino religioso na atual Constituição e anteriores não é dádiva nenhuma da autoridade política. Resultou de calorosos debates entre os constituintes, que novamente se vêem envolvidos na aprovação das Diretrizes e Bases da Educação Nacional.
De um lado, a minoria com apoio na tese da separação entre Estado e Igreja propugnada pelo ensino laico. De outro, a maioria expressando o sentimento predominante do povo brasileiro.
Não está se pedindo privilégio e favorecimento. Pede-se respeito ao preceito constitucional.
Folha de São Paulo, 15/04/1996.
Arquidiocese de BH anuncia construtoras responsáveis pelas obras da Catedral Cristo Rei
A arquidiocese de Belo Horizonte anuncia na próxima quinta-feira, 30 de agosto, as empresas responsáveis pela construção da Catedral Cristo Rei. As instituições assinarão um protocolo de intenções durante solenidade, que será realizada no Palácio Cristo Rei (Praça da Liberdade, 263, bairro Funcionários) às 9h.
Com a crescente participação de toda sociedade, a arquidiocese se prepara para o início da edificação da Catedral Cristo Rei. A escolha das empresas responsáveis pela execução das obras prioriza a experiência na execução de projetos arquitetônicos elaborados por Oscar Niemeyer e a origem mineira. Em todas as etapas da construção, serão privilegiadas as competências das instituições de Minas Gerais.
A expectativa é que as obras das três primeiras fases comecem nos próximos meses, com a terraplanagem do terreno onde será construída a Catedral, na Av. Cristiano Machado, em frente à Estação Vilarinho do metrô, no bairro Juliana, Vetor Norte de Belo Horizonte.
Reunião entre equipes do 8º Muticom apresenta andamento das atividades
Apresentar os encaminhamentos dos trabalhos desenvolvidos e planejar novas ações em prol do 8º Muticom. Esse foi o objetivo da reunião entre as cinco equipes organizadoras do evento, realizada no sábado (25). O encontro contou também com a participação do padre Manoel Filho, da arquidiocese de Salvador (BA), que veio falar sobre a experiência do 3º Muticom, sediado na capital baiana, em 2003. As atividades aconteceram no centro pastoral da Paróquia de Nossa Senhora da Candelária, no bairro Candelária, zona sul de Natal (RN).
Conduzidas pelo coordenador geral do 8º Muticom, padre Edilson Nobre, as equipes de Comunicação, Espiritualidade, Infraestrutura, Cultura e Acadêmica tiveram cerca de dez minutos para apresentar as ações já realizadas. Foi apresentada ainda, a programação oficial para o evento, que já está parcialmente disponível no site do Muticom. A divulgação oficial acontecerá no lançamento do mutirão, no dia 31 de outubro.
Durante suas considerações, padre Manoel Filho parabenizou a equipe organizadora do evento pelo bom andamento dos trabalhos. "A edição de Natal com certeza será um sucesso", afirma. Segundo o padre, a realização dos mutirões é importante, uma vez que, são eventos da Igreja para a sociedade e que abordam temas diversos e atuais.Encerrados os trabalhos do dia, foi agendada uma nova reunião para os coordenadores das equipes no dia 12 de setembro.
Sobre o mutirão
A 8ª edição do Mutirão Brasileiro de Comunicação será realizada no período de 27 de outubro a 1º de novembro de 2013, em Natal (RN), e traz como tema "Comunicação e participação cidadã: meios e processos". O evento é promovido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil CNBB e Signis Brasil, em conjunto com outras instituições.
Arquidiocese de Salvador recebe jovens suíços
Nesta segunda feira, dia 27 de agosto, o coordenador da Semana Missionária na Arquidiocese de Salvador, bispo auxiliar bom Gilson Andrade da Silva, recebeu, em uma audiência, jovens da Comunidade Católica Shalom, da Missão da Suíça. A reunião contou com a presença de membros do Shalom em Salvador (BA) e teve como pauta a participação de 150 jovens suíços na pós jornada da juventude, que será realizada na capital baiana em agosto de 2013.
Os jovens missionários participarão de uma celebração eucarística presidida pelo arcebispo de Salvador, dom Murilo Krieger, logo após a JMJ 2013. A missa será realizada na Catedral Basílica no dia 8 de agosto. De acordo com o secretário da Comissão para os Assuntos da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), Márcio Matos, a iniciativa partiu dos próprios jovens suíços. "Eles pediram para conhecer a cultura e a religiosidade da cidade e a Arquidiocese de Salvador está ajudando para que venham", declara.
Para o bispo dom Gilson Andrade da Silva, o interesse dos jovens também reside nas questões sociais características da cidade. "A Igreja realiza obras sociais bem bonitas em Salvador e esse testemunho de fé, em um meio tão adverso, desperta, nesses jovens, a vontade de conhecer nossa realidade", pondera.
Catedral Basílica de Curitiba será reinaugurada no primeiro dia da Festa da Padroeira da cidade
De 6 a 9 de setembro, Curitiba celebra a 4º edição da Festa da Luz: a festa da padroeira da cidade e da arquidiocese, Nossa Senhora da Luz dos Pinhais. Para homenageá-la, a arquidiocese e a prefeitura municipal planejam para os quatro dias de festa uma intensa programação religiosa e cultural para toda a família, no Largo da Ordem.
No primeiro dia de festa, haverá um ato solene em frente à Catedral Metropolitana, na presença do arcebispo de Curitiba (PR), dom Moacyr José Vitti, e missa solene marcarão a reinauguração da igreja "mãe" da Arquidiocese, que desde 2011 passa por restauro. Outra atração será a Procissão Luminosa (com velas) no dia da padroeira, que sairá da Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe até a Catedral Metropolitana. A procissão sinalizará a luz da igreja de Cristo entre as nações. As velas poderão ser adquiridas em todas as paróquias da arquidiocese.
Para homenagear Nossa Senhora da Luz, foi criada a ação "Vamos iluminar Curitiba", lançada pela arquidiocese neste mês de agosto para que toda a cidade ascenda a vela de Nossa Senhora da Luz no dia da padroeira. A ideia é homenageá-la às 18 horas do dia 8 de setembro, momento em que a Catedral Basílica e a arquidiocese serão consagradas à Nossa Senhora por dom Moacyr Vitti, durante a missa.
Para os quatro dias de festa estão confirmados shows de diversos gêneros musicais, apresentações folclóricas e Celebrações Eucarísticas.
História da Catedral Basílica será retratada em exposição no Memorial de Curitiba
Nos dias 7, 8 e 9 de setembro a Praça do Memorial de Curitiba será palco da exposição "Catedral da Luz" que retratará a história da nossa Catedral Basílica Menor Nossa Senhora da Luz dos Pinhais.
A exposição será auto-explicativa e visa possibilitar ao público participante da Festa da Luz um contato mais próximo com o processo histórico da cidade que se deu por meio da construção da Catedral, além de abranger o contexto histórico-religioso da festividade da padroeira. A exposição retratará a história da igreja em três momentos distintos:
A programação completa está disponível no site www.festadaluz.org.br. Mais informações com a assessoria de comunicação, Letícia Pessoa: (41) 2105-6343 / (41) 8700-4752 / 9856-1517.
SE/Sul Quadra 801 Conjunto B
E-mail: imprensa@cnbb.org.br
Site: http://www.cnbb.org.br
Tel.: (61) 2103-8313
Fax: (61) 2103-8303
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