quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Boletim da CNBB

Boletim Diário da CNBB - 27/02/2013

REFLEXÃO

Nós todos, que nos dizemos discípulos e discípulas de Jesus, não podemos deixar os critérios do Evangelho para viver segundo os critérios do mundo. No mundo, autoridade significa ocasião para a tirania, a opressão e a busca da satisfação dos próprios interesses, sejam de quais naturezas forem. O próprio Jesus nos fala que entre nós não deve ser assim. Ele é o modelo de autoridade para todos nós, pois sendo verdadeiro Deus, o Senhor de tudo, se fez servidor dos homens e despojou-se de tudo, desde a sua condição divina até a sua vida humana, para nos resgatar e nos fazer participantes da vida divina.

COMEMORAÇÕES

Nascimento

  • Dom Vartan Waldir Boghossian, SDB, Exarca do Exarcado Apostólico para os fiéis de Rito Armênio residentes na América Latina e México
  • Dom Tarcisio Nascentes dos Santos, Bispo de Duque de Caxias - RJ

Ordenação Episcopal

  • Dom Francisco Javier Delvalle Paredes, Bispo de Campo Mourão - PR
  • Dom José Luiz Majella Delgado, CSSR, Bispo de Jataí - GO
NOTÍCIAS

"Neste momento, existe em mim, muita confiança", disse o Papa na última audiência pública

O cardeal Raymundo Damasceno, presidente da CNBB, estava presente na última audiência pública do Papa Bento XVI que reuniu cerca de 200 mil peregrinos na manhã desta quarta-feira, 27 de fevereiro, na Praça de São Pedro.

Apesar do frio, o sol brilhava. Ao entrar na Praça, o Papa fez um giro abençoando a multidão que agitava bandeiras de várias partes do mundo e cartazes com mensagens de apoio como "nós estamos todos do seu lado". Nesse percurso, dom Georg, o secretário particular, levou várias crianças para que recebesse um beijo do Papa. O veículo chamado "papamóvel", depois de passar por todos os corredores na Praça, subiu até o centro da plataforma que fica diante da Basílica Patriarcal de São Pedro aonde realizou sua catequese costumeira.

O início da audiência foi marcado pela proclamação de um trecho do primeiro capítulo da Carta de São Paulo aos colossenses. Em seguida, o Papa agradeceu a numerosa presença de fiéis, disse que estava comovido e que via a "Igreja viva". Agradeceu e disse que "abraçava" toda a Igreja. Prometeu levar a todos por meio da oração. "Neste momento existe em mim muita confiança", disse o Papa. Lembrou o dia 19 de abril de 2005 quando assumiu o ministério petrino, quando ressoaram as palavras: "Senhor, por que me pede isso?", mas como considerou a vontade de Deus, aceitou. Bento XVI disse que 8 anos depois pode afirmar que Deus esteve sempre presente e atuante.

O Papa disse que sempre soube que o barco da Igreja não é nosso, mas é de Deus e Ele não vai deixar esse barco afundar. "Gostaria que cada um sentisse a alegria de ser cristão", disse o Papa. O dom da fé é o dom mais precioso que temos e que ninguém pode nos tirar, reforçou Bento XVI. Ele disse também que um papa nunca está sozinho na condução do ministério petrino. Considerou a ajuda dos cardeais, o secretario de estado e todos da Cúria. "Um pensamento especial à Igreja de Roma, minha diocese", referiu-se ao povo da diocese afirmando que em seus contatos, esteve muito próximo a todos como pai.

Expressou gratidão ao Corpo Diplomático da Santa Sé e aos serviços de comunicação que favorecem a comunhão da Igreja no mundo inteiro. "O Papa pertence a todos e muitas pessoas se sentem próximas dele", sublinhou. Disse que recebe cartas de pessoas ilustres, mas também recebe mensagens de pessoas simples que o tratam como membro de um corpo vivo, o corpo de Jesus Cristo. Num tempo em que muitos falam de declínio da Igreja, ele sente a força da Igreja.

O Papa recordou que ao perceber a diminuição de suas forças não pensou no seu próprio bem, mas no bem da Igreja. "Amar a Igreja significa também fazer escolhas difíceis", declarou. Bento XVI lembrou que quem assume o ministério petrino abre mão de sua vida particular, porque não pertence mais a si mesmo: "pertence a todos e todos pertencem a ele". O Papa garantiu que não volta a uma vida privada com a movimentação normal, mas permanece no ambiente de São Pedro. E, por fim, agradeceu a todos que compreenderam a sua decisão e repetiu que repetiu que continua acompanhando a vida da Igreja.

Bento XVI, no final de sua palavra, pediu a todos que rezem pelos cardeais na escolha do novo Papa. E terminou com uma declaração fraterna e carinhosa: "Caros amigos: Deus guia a sua Igreja". Seguiu-se um longo aplauso.


Campanha alerta para a prevenção e tratamento da hanseníase

A Pastoral da Criança fará parte da campanha de mobilização nacional para conscientização da hanseníase, promovida pelo Ministério da Saúde. A veiculação da  campanha começa nesta quarta-feira, 27 de fevereiro, com alerta sobre a importância da prevenção e do tratamento da hanseníase e de verminoses. A campanha também mostra os principais sintomas das duas doenças.

A Pastoral da Criança participará produzindo materiais específicos de comunicação para apoiar as ações dos líderes que atuam nos municípios onde são registrados muitos casos de hanseníase.

A estratégia da Pastoral da Criança é a soma de esforços com dioceses, paróquias, congregações religiosas como os Franciscanos e outras. Os líderes da Pastoral da Criança são parceiros na luta contra a hanseníase no Brasil e por estarem próximos das famílias, podem ajudar a reconhecer sinais da doença e orientá-las na busca de tratamento nos serviços de saúde.

No Brasil existem muitas pessoas com hanseníase, nas diferentes faixas etárias, que podem não saber quais são os sinais da doença e que ela pode ser tratada gratuitamente e curada. A falta de informação e as lendas sobre a doença prejudicam a identificação da hanseníase, geram preconceito e dificultam o tratamento.


Em seu pontificado, Bento XVI dá atenção aos encarcerados

Em muitas ocasiões em seus quase oito anos de pontificado, de modo especial a partir de 2011, o papa Bento XVI demonstrou sensibilidade e atenção à realidade dos encarcerados, por meio de cartas apostólicas, mensagens de solidariedade e visitas aos presos.

Momento significativo da atenção do Sumo Pontífice aconteceu em 18 de dezembro de 2011, quando, numa obra de misericórdia corporal, visitou o presídio de Rebibbia, na periferia da capital italiana, onde rezou, conversou com os detentos e enfatizou a necessidade de se banir os erros da Justiça e os maus tratos aos prisioneiros.

Na oportunidade, recordando a exortação apostólica pós-sinodal Africa Munus, de novembro de 2011, o Sumo Pontífice destacou que "os presos são pessoas humanas que, apesar do seu crime, merecem ser tratadas com respeito e dignidade", e apontou para a urgência de "sistemas judiciários e prisionais independentes para restabelecer a justiça e reeducar os culpados".

Ainda na visita ao presídio de Rebibbia, Bento XVI pediu que a dignidade dos presos seja respeitada, para que não sofram uma dupla penalização, apontou que a superlotação e a degradação dos cárceres podem tornar a detenção ainda mais amarga e defendeu a promoção de um sistema carcerário "sempre mais adequado às exigências da pessoa humana, com recurso também às penas não detentivas ou a modalidades diferentes de detenção".

Oportunidade para reeducar o preso

Em novembro de 2012, em uma conferência com os diretores das administrações penitenciárias do Conselho da Europa, o papa Bento XVI enfatizou que os presídios devem ser a oportunidade para reeducar o preso, visando reintegrá-lo à sociedade.

"É preciso se empenhar, de maneira concreta e não somente como afirmação de princípio, por uma efetiva reeducação da pessoa, necessária seja em função de sua própria dignidade, seja em vista de uma reinserção social", apontou o Sumo Pontífice.

Bento XVI comentou ainda sobre a importância das atividades de evangelização e assistência espiritual nos presídios, como forma de despertar nos presos o entusiasmo pela vida.

Solidariedade nas tragédias carcerárias

O Papa também se mostrou sensível ao sofrimento dos presos e de seus familiares em situações de tragédias carcerárias. Em fevereiro de 2012, expressou suas condolências e solidariedade às famílias das 350 pessoas mortas em um incêndio no presídio de Comayagua, em Honduras.

Um ano depois, incidentes no presídio venezuelano de Uribana, vitimaram 58 pessoas e feriram outras dezenas, situação que não passou indiferente ao Sumo Pontífice, que manifestou sua "mais profunda proximidade espiritual e solidariedade" com os afetados pelo incêndio e pediu mais atenção das autoridades da Venezuela para que novas tragédias não voltem a acontecer.

Orações aos presos

Na visita a Cuba, em março de 2012, o papa rezou pelos presos daquele país. "Supliquei à Virgem Santíssima pelas necessidades dos que sofrem, dos que estão privados de liberdade, separados de seus entes queridos ou que passam por graves momentos de dificuldade".

Em julho do mesmo ano, ao divulgar as intenções de orações para mês de agosto aos associados do Apostolado da Oração, pediu que os encarcerados "sejam tratados com justiça e com respeito de sua dignidade humana".

E no Natal de 2012, estimulou que no contexto do nascimento do Menino Jesus, "imitemos Maria neste tempo de Natal, visitando aqueles que vivem com dificuldades, como, por exemplo, os doentes, os encarcerados, os idosos e crianças".

Proclamado Doutor da Igreja que viveu no cárcere

Em 7 de outubro de 2012, o papa Bento XVI proclamou, como Doutor da Igreja Universal, São João de Ávila, sacerdote espanhol que por dois anos viveu no cárcere.

"No entanto, em 1531, por causa de uma sua pregação mal entendida, foi aprisionado. No cárcere, começou a escrever a primeira versão do Audi, filia. Durante aqueles anos, recebeu a graça de penetrar com profundidade singular o mistério do amor de Deus e o grande benefício feito à humanidade pelo Redentor Jesus Cristo. Doravante será este o eixo da sua vida espiritual e o tema central da sua pregação", aponta um dos trechos da carta apostólica de proclamação de São João de Ávila como Doutor da Igreja Universal.


Pastoral dos Nômades realiza visita ao Rio Grande do Norte

A equipe da Pastoral dos Nômades do Brasil realizou nos dias 18 a 20 de fevereiro uma visita ao Rio Grande do Norte, na Arquidiocese de Natal e na Diocese de Caicó. Estava presente o presidente da Pastoral, dom José Edson Santana de Oliveira, e o diretor executivo, padre Wallace do Carmo Zanon.

Foi realizado um encontro com os agentes da Pastoral na Casa de Treinamento João Paulo II, e com o clero de Natal. Na visita ao acampamento da cidade de Tangará, distante 82 km da capital, a equipe se surpreendeu com o que encontrou. "Nos deparamos com uma situação de precariedade de vidas em baixo de 'latadas' de palhas sem a mínima condição de vida digna", relata padre Wallace. De acordo com ele, cerca de 50 famílias, vivem, há 13 anos, em meio esgoto, que corre ao céu aberto. A equipe da Pastoral também teve um encontro com o arcebispo de Natal, dom Jaime Vieira da Rocha e com os responsáveis pelas pastorais sociais na região. Também visitaram o Santuário de Santa Rita, na cidade de Santa Cruz, e outras localidades.


Conselho Nacional de Economia Solidária discute regulamentação de empreendimentos comunitários

O fortalecimento da economia solidária e a promulgação do marco legal que visa regulamentar os empreendimentos econômicos comunitários foi o tema do encontro do Conselho Nacional de Economia Solidária (CNES). A reunião, realizada nos dias 25 a 27 de fevereiro, ocorreu na sede do Ministério do Trabalho e Emprego, em Brasília (DF).

De acordo com o assessor da Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz, padre Nelito Dornelas, que também é membro do CNES, "constata-se que no Brasil, a cada dia, cresce a quantidade de pessoas que se unem em associações e cooperativas para trabalhar, produzir ou consumir juntos, promovendo a economia solidária, na qual não há patrão nem empregados".

Atualmente, a Secretaria Nacioanl de Economia Solidária (SENAES) tem como meta selecionar e beneficiar até o ano de 2014 os produtos de 5 mil grupos de empreendimentos comunitários. Em 2012 foram selecionados 1.250 empreendimentos, beneficiando indiretamente a 32 mil pessoas em 650 municípios, significando 10% da totalidade dos municípios da federação.

O programa de geração e renda em economia solidária promove a disponibilização de recursos financeiros, mediante convênios, assistência técnica e o fomento solidário, como forma de superação da miséria. Tais empreendimentos visam beneficiar também quase 1 milhão de catadores de materiais recicláveis, dos quais apenas 30% participam de uma organização. "Existem hoje no Brasil 101 bancos comunitários, os quais estão promovendo nas camadas populares uma economia solidária. Estas experiencias, somadas a tantas outras em todo o mundo, tornaram-se objeto de estudos da Organização Internacional do trabalho", lembra padre Nelito.   

O CNES está empenhado pela aprovação do projeto de lei 4685/2012, que estabelece as definições, princípios, objetivos e composição da Política Nacional de Economia Solidária. Entre outros benefícios, esta nova lei reforçará o dialogo entre governo e sociedade, na perspectiva de uma economia a serviço da vida.


Conflitos de terra, ameaças e violência são temas comuns para comunidades tradicionais

A cidade de Luziânia (GO) recebe nestes dias cerca de 120 representantes de comunidades tradicionais de todo o país para o debate das problemáticas enfrentadas, as histórias de resistência e as leis governamentais que regem a titulação de seus territórios tradicionalmente ocupados.

Durante o evento, tem grande espaço a reflexão sobre os territórios tradicionais: conflitos, ameaças e violências. É comum entre os participantes o desejo de fortalecimento da luta e das articulações. Em todos os depoimentos, ficou clara a necessidade de unificação dos movimentos e organizações sociais, bem como o fortalecimento das parcerias em prol do sucesso em suas reivindicações.

Segundo indígenas presentes no evento, os conflitos pelo território tem prejudicado, até mesmo, sua cultura e tradições. É o caso dos quilombolas do Rio dos Macacos, na Bahia, denunciam a ação da Marinha e a violência contra a comunidade. Eles são proibidos, inclusive, de cultivar a terra. Os que resistem acabam apanhando.

Com a assessoria do advogado do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), Adelar Cupsinski, houve o debate sobre a Constituição Federal e os direitos das comunidades tradicionais. Entre eles, a convenção 169 da OIT (Organização Internacional do Trabalho), que discorre sobre povos indígenas e tribais.

De acordo com informações do advogado, a Constituição precisa ser analisada como um todo. Os direitos das comunidades já estão implícitos na Carta Magna, mas precisam ser melhor definidos. Para ao Movimento Quilombola do Maranhão, dos 1.838 territórios quilombolas mapeados até o dia de hoje, somente 121 possuem título.

O Seminário, em Luziânia, segue o dia 28 de fevereiro.


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